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O primeiro senador negro da República Italiana: imigrante africano, conservador e contrário a imigração em massa


Toni Iwobi é um personagem singular. Nas eleições italianas deste ano se tornou objeto de curiosidade internacional pela forma com que quebrou a narrativa da esquerda mainstream ao se eleger para o Parlamento como o primeiro senador negro da República Italiana. Mais do que isso: Iwobi é um cidadão nascido na Nigéria que se elegeu pelo Lega Nord, partido conservador que prega maior controle migratório ao mesmo tempo em que adota uma postura crítica com relação a União Europeia - posições que garantiram ao partido o rótulo de extrema-direita em todos os veículos da grande mídia dentro e fora da Europa. 

Toni ChiKe Iwobi nasceu na Nigéria, em 1955. Oriundo de uma família católica de onze irmãos, Toni estudou administração em Manchester (Reino Unido), ingressando pouco depois na Itália com visto de estudante para estudar contabilidade.  Cursou especializações em marketing, economia e negócios na Itália e nos Estados Unidos e foi executivo de várias empresas em seu país de adoção, hoje possuí a própria companhia de TI. Ingressou na política como apoiador e voluntário da Lega Nord, partido pela qual se elegeu vereador em 1993 pela cidade de Spirano (Província de Bergamo, Lombardia). Em 2014 foi convidado pelo Matteo Salvini, líder do partido, para que desenhasse o programa migratório da Liga. 

As principais críticas contra Toni se dão pela origem e raça. Alvo constante de ataques pesados por parte da esquerda européia e por veículos de seu país natal por conta de suas posições sobre a imigração, Toni parece bem firme em suas razões. "A discriminação começa quando não há regras e quando o Estado deixa qualquer um entrar. E essa ilegalidade traduz-se em violência e em respostas racistas”. A Liga apoia uma imigração saudável e controlada, que pode representar um bastião contra o racismo. Lembrando a própria trajetória, Iwobi ressalta que ele próprio se submeteu ao processo legal. "Cheguei com um visto de estudante. Durante esse período, há mais de 40 anos, era necessário ter um visto para chegar aqui. Meu partido está lutando para restaurar a imigração legal."

O senador também rebate com veemência as críticas que sofre por ser um "negro imigrante de direita" (não um cidadão de direita, como querem os rotuladores). "Sou negro e sou da Liga, então o que? Se vocês acreditam que as duas coisas estão em contradição, estão errados. Está escrito em algum lugar que uma pessoa negra não pode votar? A Itália é um país democrático ou não? Sim, portanto tenho o direito de pertencer ao espectro político que quero."

Outra plataforma de Iwobi é a chamada guerra cultural. Em diversos discursos e publicações o senador ressalta a importância de preservar a cultura italiana. Segundo ele, é completamente aceitável que o país receba imigrantes. No entanto quem faz a opção por imigrar deve se submeter não só ao devido processo legal como também se adaptar a cultura do país que o acolhe. Crítico notório do islamismo, Iwobi é mais uma das vozes do Lega Nord associadas a islamofobia. Para ele, a identidade nacional italiana está intimamente relacionada ao cristianismo. Ao Il Giornale, Iwobi destacou: "Se um chega no país de acolhimento e respeita as pessoas, a cultura, as tradições, então o respeito lhe é retribuído e se torna recíproco."

A atuação política de Iwobi contrasta com a postura de Jean-Léonard Touadi e Cécile Kyenge, políticos de origem africana filiados ao Partido Democrático - de orientação socialista. Por representar uma "novidade", Iwobi é alvo da rispides por parte de ativistas e formadores de opinião pouco acostumados com a proeminência de um negro conservador. Sua mais recente briga foi com o atacante Mário Balotelli. Diante da notícia da eleição de Iwobi, Balotelli escreveu em seu Twitter: "Talvez seja eu que sou cego ou talvez ninguém lhe tenha dito [a Iwobi] que é negro. Mas que vergonha!". O senador respondeu apenas que não se interessava pelo que o jogador pensava a seu respeito. "Quero pensar no meu território e nas funções que me foram confiadas pelos eleitores".



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