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Mais um novo percalço para os produtores rurais: os oportunistas que trabalham por dinheiro e política


Se perguntarmos de maneira clara para a maioria das pessoas, ninguém gosta de pagar impostos ou tributos. A sensação é de que seu dinheiro está indo embora. Tanto que parte da Direita adota a tese de que "imposto é roubo". O que não se fala com frequência é que as sociedades organizadas em estruturas sociais como os estados ou mesmo em outros modelos mais rudimentares só se organizam por conta das estruturas de governança ou governo. Estruturas financiadas pelos impostos. São também os impostos que sustentam a segurança pública, a educação, a previdência, a defesa, saúde e etc. 

Óbvio é que ninguém gostaria de pagar, mas também é evidente que a eventual eliminação total é problemática: teria que eliminar a própria estrutura do Estado. Sem estado, nossa civilização voltaria as cavernas. Quem já assistiu Blade Runner pode imaginar como essas sociedades são facilmente capturadas por ditaduras. 

Recentemente um grupo de advogados aparentemente idealistas saiu apregoando entre produtores rurais de que o FunRural não era legítimo. Para quem não sabe, trata-se de uma contribuição previdenciária para o trabalhador do campo. Ela era paga através das entidades patronais, o que garante não só a função vital da representação como também uma estrutura minimamente saudável para o próprio trabalhador do campo. 

Foi quando o pior aconteceu: os supostos idealistas saíram apregoando que o pagamento era indevido, que como novos representantes dos produtores iriam enterrar a prática. Vitaminados com prestígio político e dividendos financeiros, conseguiram uma ação no Supremo Tribunal Federal suspendesse temporariamente o recolhimento. Agora que o STF entendeu que isso deve ser retomado, e os enganados pela falsa promessa terão de arcar com danos ainda maiores que o pagamento em si: os juros referentes ao atraso, a inadimplência e o prejuízo com a contribuição infrutífera a quem se apresentou como seu representante. 

O embuste fica pior quando se obtém notícia de que o grupo formado por Jeferson Rocha, Romeu Borges, Nabhan Garcia, Sérgio Pitt e Marcelo Brum está comprometido com uma agenda política: embora a porta-voz informal Lilian Dias, do Bom Dia Rural. A moça protagoniza um vídeo de convocação para um ato em Brasília com apoio da Anda Terra. No vídeo ela diz que o movimento é "apartidário", tudo isso enquanto Marcelo Brum é indicado como pré-candidato a deputado federal pelo PSL. 

O que é terrível não é a participação política, direito garantido a todo cidadão. O que é lamentável é pregar utopias reconhecidamente impossíveis. O rastro de destruição deixado por esta prática pode ser irreparável. Não é possível que que pessoas honestas continuem vítimas do canto da sereia, do golpe do bilhete premiado, do anel de brilhantes encontrado na calçada que não pode ser portado na casa da patroa. São truques antigos que apenas servem para amarrar o destino de empreendedores do campo aos delírios de gente oportunista. 

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