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Flagrado recebendo auxílio-moradia mesmo sendo proprietário de imóvel em Curitiba, Deltan se vê picado pela própria língua


Da Folha de São Paulo (sempre a Folha), vem a notícia de que o procurador Deltan Dallagnol também recebeu auxílio-moradia mesmo sendo proprietário de um imóvel em sua jurisdição. A reportagem, é claro, foi assinada por Mônica Bergamo (aquela). Tudo isso poderia ter sido evitado pelo próprio Deltan, que junto com o colega Carlos Fernando dos Santos Lima resolveu reclamar para sua categoria o monopólio das virtudes em uma república carcomida. É fato que que a República anda mesmo em decadência, mas isso não é alvará para que o procurador passasse a pregar por uma república de juízes e procuradores. Se agora ele virou alvo da sanha que ajudou a fomentar, não poderá reclamar de ser picado pela própria língua.

Mais: Deltan passou a usar de seu papel institucional na Operação Lava Jato em prol da agenda política do Ministério Público Federal. Com o projeto das Dez Medidas de Combate a corrupção (com quatro pontos inconstitucionais), o procurador passou a alvejar a classe política instrumentalizando o prestígio da operação que descobriu o Petrolão. Sua mensagem messiânica era clara: "Ou se dá todo o poder ao MPF, ou morre a Lava Jato". Deltan mentiu. Se a Lava Jato começou sem as Dez Medidas, qual seria a consequência da não aprovação de um conjunto de leis que não estava vigente antes do início da série de operações?

Deltan foi além: passou a manipular o sentimento de descrença do brasileiro nas instituições em benefício próprio. Para isso acendia uma vela para Deus e outra para o diabo: de dia fazia postagens dramáticas e discursos inflamados contra a corrupção, para a noite participar de jantares com a beautiful people que chama o impeachment de golpe e a Lava Jato de conspiração imperialista. Em uma dessas levou um pito do Caetano Veloso na casa da monstruosa Paula Lavigne (Caetano achava que a finalidade da Lava Jato deveria ser levar a cadeia os adversários da extrema-esquerda, não prender Lula). 

Com a cara lavada, Deltan começou a se cegar pelo ego e a tropeçar em suas próprias tramas. O sujeito fez um powerpoint dizendo que Lula era o chefe da organização criminosa conhecida oficialmente como Partido dos Trabalhadores, convicção que mudou completamente após a associação com Rodrigo Janot. Após movimentações golpistas no gabinete do suíno da PGR, Deltan passou a declarar que "todos eram iguais na corrupção", além de apoiar completamente a operação Patmos (que dizia que Michel Temer era o chefe da quadrilha). 

Inebriado em suas ambições, o procurador passou a abraçar ainda mais os adversários da Lava Jato enquanto alvejava muitos dos que apoiaram as atividades da força-tarefa de Curitiba quando o PT estava no poder com a máquina do Estado nas mãos para perseguir os procuradores. Foi ele o pai da narrativa de que "muitos que apoiavam a operação só o faziam por oportunismo político achando que seria só contra o PT, mas começaram a criticar após as investigações alcançarem políticos de outros partidos". Ingrato, começou a fazer da suposta defesa da ética uma bandeira ideológica para ganhar dividendos para sua corporação. Começou a atacar políticos, a querer pautar o STF, a se meter no debate público de forma completamente usurpadora. Ávido por poder, chegou a se encontrar com políticos da Rede e do Podemos para se lançar como novo Salvador da Pátria, desta vez nas urnas. 

Só para ilustrar melhor para o leitor perplexo que deve estar cuspindo maribondos com estas palavras ditas sobre o procurador, fiquemos com um exemplo: dia desses Deltan deu RT em uma notícia da mesma Folha que o denuncia. O teor era igual, mas o alvo era o deputado federal Jair Messias Bolsonaro (por quem este autor não tem qualquer simpatia). Na ocasião fiz um tuíte comentando a hipocrisia do procurador, que demonizava a política enquanto fingia que a casta jurídica era composta por "varões valorosos", como diz o jargão próprio das igrejas evangélicas que conheço tanto quanto ele. O mesmo Deltan não deu um pio para criticar a filha de Luiz Fux, que também recebia indevidamente. Também não criticou os rompantes golpistas de Luiz Roberto Barroso ou os réus soltos por Ricardo Lewandowski. Agora que se vê enredado nessas denúncias, Deltan se colocará como vítima de perseguição. Certamente que sim, mas é fato que ele chocou o ovo da serpente ao escolher Folha e UOL para fazer declarações supostamente virtuosas que camuflavam seu oportunismo. 

Este escriba nunca foi enganado por Deltan, Bretas ou qualquer outro Messias, já que a primeira obrigação do homem público e cumprir com suas funções preestabelecidas em concurso ou nomeação. Não há nada de virtuoso nisso. Quando Deltan ameaçou renunciar caso o pacote inconstitucional das Dez Medidas não fosse aprovado, eu mesmo comentei que o sujeito era irresponsável e delinquente. Afinal de contas, procurador ou juiz não é um justiceiro que combate o crime por sua conta e risco como o Batman e o Arqueiro Verde. O sujeito prestou concurso. Se por acaso ele sentar por cima de processos ou fazer corpo mole em investigações por não ter o retorno financeiro ou reconhecimento público por isso, deve ser processado por prevaricação. Não custa lembrar que eles são regiamente pagos por isso, custando tanto ao povo brasileiro quanto a antiga nobreza aos franceses no Antigo Regime. Não há nenhum altruísmo ou heroísmo nisso.


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