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Extrema-esquerda agora aposta em contraponto ao Fórum Mundial da Água para criar campanha contra o agronegócio e propriedade privada


Brasília deverá receber a oitava edição do Fórum Mundial da Água entre os dias 18 e 23 de março, a primeira edição do evento realizada em um país do Hemisfério Sul. O fórum é organizado pelo Conselho Mundial da Água (WWC) em parceria com o governo federal. A proposta do Fórum é discutir a temática dos recursos hídricos, discutindo novas alternativas e políticas públicas relacionadas ao tema, bem como o impacto do acesso a água na sociedade atual. As outras edições do fórum foram nas cidades de Daegu, Coreia do Sul (2015); Marselha, França (2012); Istambul, Turquia (2009); Cidade do México, México (2006); Kyoto, Japão (2003); Haia, Holanda (2000); e Marrakesh, no Marrocos (1997).

Até este ponto parece haver consenso sobre a necessidade de debater novos rumos para a gestão dos recursos hídricos e a adoção de novas práticas e políticas para driblar dificuldades no setor que provocam consequências terríveis para milhões de pessoas ao redor do mundo. Apenas parece: no meio de um debate tão sério, nossos radicais de esquerda já resolveram tumultuar o debate em troca de dividendos políticos. Para se contrapor ao evento organizado pelo Conselho Mundial da Água e o governo federal, militantes de extrema-esquerda estão organizando o Fórum Alternativo Mundial da Água.

Até aqui parece bobagem, uma questão maior. Mas reparem na sutileza da coisa: os militantes que organizam o evento "alternativo" são todos ligados a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, a famosa Contag. No meio das propostas sobre gestão hídrica, os milicianos tentam levantar outras questões: ameaças a propriedade privada e combate ao agronegócio.

Veja o que a página do evento diz em seu manifesto:

O  Fórum Alternativo Mundial da Água -  FAMA 2018 -  acontecerá entre os dias 17 e 22 de março de 2018, em Brasília - DF. Nos dias 17, 18 e 19 as atividades acontecerão na UnB – Universidade de Brasília – e entre os dias 20 e 22 serão realizadas atividades descentralizadas.
É um evento internacional, democrático e que pretende reunir mundialmente organizações e movimentos sociais que lutam em defesa da água como direito elementar à vida.
Este  Fórum pretende unificar a luta contra a tentativa das grandes corporações em transformar a água em uma mercadoria, privatizando as reservas e fontes naturais de água. tentando transformar este direito em um recurso inalcançável  para  muitas populações, que, com isso, sofrem exclusão social, pobreza e se vêm envolvidas em conflitos e guerras de todo o tipo.
Várias entidades brasileiras e internacionais se reuniram e decidiram impulsionar este evento, como continuidade de Fóruns Alternativos anteriores, como os realizados em Daegu, na  Coreia do Sul, e em Marselha, na França.
Este  Fórum  se  contrapõe ao  autodenominado “Fórum Mundial da Água” que é um encontro promovido pelos grandes grupos econômicos que defendem a privatização das fontes naturais e dos serviços públicos de água.
Como  já foi  afirmado  em encontros anteriores o ‘8o Fórum Mundial da Água’ é ilegítimo. É uma feira de negócios que visa promover um mercado que dá acesso às multinacionais do setor de água e do saneamento. A portas fechadas, este evento permite que as grandes empresas tenham acesso privilegiado às decisões dos governos e bloqueiam, a base de corruptelas e subornos, o avanço de políticas públicas globais que resolvam a crise de acesso à água.
Para os organizadores do  “Fórum Alternativo – FAMA2018”,  as políticas públicas de água devem ser debatidas democraticamente com as populações e, em particular, com as comunidades afetadas.
No FAMA 2018 serão debatidos os temas centrais de defesa pública e controle social das fontes de  água, o acesso democrático à água, a luta contra as privatizações dos mananciais, as barragens e em defesa dos povos atingidos, serviços  públicos de água e saneamento e as políticas  públicas necessárias para o controle social do uso da água e preservação ambiental, que garanta o ciclo natural da água em todo o planeta.

Está bem claro o que se pretende aqui: politizar a questão para favorecer uma agenda ideológica, justamente a agenda ideológica da extrema-esquerda. A mesma militância que prega a presença do governo em todos os setores da sociedade diz que é necessário a atuação de "movimentos sociais" no debate. Com "movimento social" o que eles pretendem cacifar é a prevalência de entidades como a Contag e o MST no debate.

Sim, falamos do MST. Para quem não conhece, a Contag é da mesma laia do Movimento dos Sem Terra: são extremistas de esquerda que atuam com base no desrespeito aos direitos humanos, investindo diuturnamente contra a propriedade privada. São estes que desejam tomar para si o controle da discussão sobre a água.

Há aqui uma sutileza demoníaca: sempre é a extrema-esquerda quem diz que corporações querem transformar água em mercadoria. Também diz que o agronegócio é o maior consumidor de água, omitindo do debate que é justamente o agronegócio o setor econômico que mais projeta o país, responsável não só pelo abastecimento interno e externo como também pela ampliação da presença brasileira no comércio internacional. Os que se alimentam da pobreza querem apenas garantir que milhões de pobres continuem pobres, para que assim possam continuar na condição de vítimas pobres.

Só para ilustrar mais sobre as figuras que estão por trás deste debate: por ocasião do processo de impeachment de Dilma Rousseff, o secretário nacional da Contag Aristides Veras participou de cerimônia no Palácio do Planalto junto com outros movimentos de extrema-esquerda que defendiam a permanência da presidente criminosa. Aristides Veras se tornou personagem de manchetes de jornais por incitar violência e desordem pública ao falar que o grupo iria invadir propriedades de parlamentares favoráveis ao impeachment como retaliação.

A bancada da bala no Congresso Nacional, vocês sabem que é forte, e a forma de enfrentar a bancada da bala contra o golpe é ocupar as propriedades deles ainda lá nas bases, lá no campo. E a Contag e os movimentos sociais do campo é que vão fazer isso.

Está claro e cristalino a razão destes movimentos rotularem o Fórum Mundial da Água como "ilegítimo". Não se trata de estar ligado ao governo que eles fingem ser ilegítimo, mas sim ao fato de que para eles "legitimidade" é característica própria dos aparelhos que servem de hospedeiros de suas vontades. Como não é este o caso do Fórum, então eles gritam que é "ilegítimo".

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