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A intervenção federal não é a saída final, mas é a melhor ação possível no momento


Desde que o presidente Michel Temer anunciou que decretaria a intervenção federal no Rio de Janeiro, muitas vozes se levantaram na direção contrária. Não se trata de um coro uníssono, mas sim de uma miríade de argumentos que reúne desde os mais temerosos e bem-intencionados preocupados com uma solução real para o problema até os mais oportunistas que se retroalimentam do caos instalado no estado. Mas vamos aqui aos fatos: seria a intervenção federal a melhor solução para o Rio?

A intervenção federal não é a melhor solução. A melhor solução de fato seria uma política de segurança pública bem estruturada, a retomada dos territórios do estado que estão sob influência do crime organizado, a reestruturação das forças policiais, em especial da Polícia Militar do Rio de Janeiro, cuja cúpula é incapaz tanto de direcionar o efeito quanto de coibir a corrupção que grassa em seus quadros.

A solução também passa por uma mudança política. O estado do Rio de Janeiro é comandado pela quadrilha de Sérgio Cabral na pessoa do governador Luiz Fernando Pezão. A eventual intervenção não irá desalojar esta organização criminosa, além de permitira a continuidade dos tentáculos da facção que ainda estão homiziados na Assembléia do Estado do Rio de Janeiro.


A intervenção também não trará mais efetivos policiais para o Estado, além de não resolver a questão financeira do estado que teve como uma de suas consequências o sucateamento do aparato policial e do atraso nos salários da tropa. Também não mudará o Código Penal, a ação predatória das ONGs que fazem lobby em favor da criminalidade, não anulará as nefastas audiências de custódia, não resolverá a crise carcerária e nem convencerá o criminoso de que suas ações terão consequências pesadas.

Como se vê, a intervenção federal deixa de lado estas questões. Até porque não é de sua alçada resolver estes problemas. O que a intervenção federal faz é utilizar um remédio mais forte para um doente em estado terminal.

De fato o decreto do presidente Temer não resolverá todas as questões, assim como pode de fato haver fundo político na ação - como pontuou o deputado federal Jair Bolsonaro ao repudiar a ação alegando que a questão dos direitos humanos e das audiências de custódia continuarão inviabilizado a aplicação de uma política de segurança pública adequada. Bolsonaro mistura as coisas ao falar de direitos humanos enquanto se refere ao grupelho de fascistas que fingem defender estes valores enquanto hasteiam bandeiras do socialismo. Também abraça uma solução infantil em termos políticos ao desconsiderar que tudo o que é feito por governos tem por essência uma natureza política. Bolsonaro também falha gravemente ao se recusar a aceitar qualquer solução que não seja definitiva ou que não resolva todos os pontos apresentados aqui. Outros tantos críticos da direita se colocaram contra a proposta por não ser uma solução final. Esquecem, é claro, que algo tão complexo quanto a barbárie do Rio de Janeiro não terá uma solução fácil baseada em um decreto ou em uma ou outra ação. São muitos alvos para uma só flecha, o que demanda um conjunto de ações por parte do poder público. E é necessário começar por algum lugar.

Se colocar contra a intervenção federal é dar força aos oportunistas, aos que se alimentam deste estado de coisas. É normal que Jandira Feghali, Waddih Damous, Jean Wyllys, Lindbergh Farias e tantos outros representantes do submundo se coloquem contra. Ou que artistas globais, influenciadores de esquerda e militantes do lodo se articulem contra esta saída de força. Essa gente abomina quando grupos concorrentes da esquerda optam pelo exercício da política, quanto mais quando estes grupos adotam saídas de força. Para a extrema-esquerda o caos é condição sine qua non para seu império.

O que não é natural é que gente ética empreste seu nome para as causas deles, que se junte a gente deste nível. A possibilidade de haver fundo político na ação também se demonstraria presente na opção pela inação, já que a intervenção paralisa alterações na Constituição e demonstraria a admissão por parte do poder público de que o câncer virou metástase. No entanto, escolhas políticas podem trazer retorno positivo para a sociedade. A escolha de Winston Churchill em combater os nazistas e arrastar seu país para a guerra era política e ideológica, mas nem por isso era condenável. Já a escolha de Neville Chamberlain em se acovardar diante de acenos de paz em nome da estabilidade poderia parecer sensata e desinteressada, mas também era política - além de ter consequências desastrosas por adiar uma resolução inevitável. Não é hora de pensar em agendas particulares, na mesquinhez eleitoral, teses conspiratórias ou mesmo focar na medíocre ostentação de virtudes do tipo que prefere parecer belo e isento em detrimento da feia realidade. Vamos lembrar que o Brasil está acima do presidente Temer e de seu governo. Eles passarão, mas o país permanecerá com suas questões e circunstâncias. Cuidemos dele.

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