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Cármen Lúcia: a moralista que hoje jogou para a plateia é a mesma que pretende livrar Lula da cadeia


A ministra Cármen Lúcia é mais uma das vestais da república. Costuma fazer discursos em que simula indignação contra as negociatas políticas, finge preocupação com a moral e a opinião pública e com frequência colide com o executivo por "amar a ética acima de todas as coisas". Hoje, por exemplo, suspendeu a posse da deputada federal Cristiane Brasil no Ministério do Trabalho.

Cármen sabe que Temer é impopular e que Cristiane Brasil é menos popular ainda, principalmente por ser filha de Roberto Jefferson. Ali a ministra percebeu uma grande chance de cavar um pênalti para a casta jurídica, que já vence a classe política por mais de 7x1: resolveu suspender a posse pedindo explicações do ministro Humberto Martins do Supremo Tribunal de Justiça.

Cármen tem a seu favor a histeria propagada por setores da imprensa que lucram em cima do caos. Sabe que os partidos de extrema-esquerda e estes oportunistas midiáticos confundem o debate público de maneira deliberada para comparar o caso de Cristiane Brasil com a posse de Lula. A diferença é que quando Lula foi nomeado para a Casa Civil houve a caracterização do crime de obstrução da Justiça por parte da presidente da República, que pretendia livrar o chefe da organização criminosa das mãos da Lava Jato com o foro privilegiado. Houve desvio de finalidade. Mas Cármen se faz de sonsa e joga para a platéia.


Cármen também se faz de sonsa quando avança contra a prática da política, levando o cidadão médio a entender que escolhas políticas são necessariamente ruins. Assim como os janotistas e a tropa do MPF que namora Rede, PSOL, Podemos e afins, a ministra tenta emplacar a tese de que qualquer negociação política é criminosa por definição. Óbvio que ela omite que só ocupa o cargo de presidente do Supremo Tribunal Federal por ter sido indicada ao presidente Lula por seu primo Sepúlveda Pertence, que por sua vez foi indicado por José Sarney. Será que a ministra aceitaria responder qual foi a razão para que ela e o primo tenham sido indicados por figuras tão detestáveis? Levando em consideração que toda indicação política é criminosa por definição, a puritana Cármen Lúcia sequer deveria ter aceito o cargo.

A puritana talvez se mova por motivos pouco nobres, como a oposição ao calendário de reformas, ao golpe silencioso promovido pela casta jurídica e até mesmo uma notícia que circulou recentemente sobre a pretensão da ministra em livrar Lula da cadeia. Sim, Cármen pretende conceder habeas corpus para o chefe de quadrilha caso a defesa do condenado se dirija ao STF após a condenação em segunda instância. É ela quem pretende livrar Lula da prisão. Esperta que é, Cármen joga para a platéia indignada com a moça que sofreu processos trabalhistas e mentiu a idade no Tinder. Enquanto conduz Cristiane Brasil para a fogueira a impedindo de assumir o ministério utilizando normas que sequer constam na Constituição, a falsa beata joga uma bomba de fumaça para permitir que o líder da maior seita criminosa possa fugir pelos fundos. Hoje a ministra jogou para a opinião pública mais uma vez, para que a massa fique anestesiada quando Lula foi salvo por ela. Carminha faz como a viúva-negra: primeiro a sedução, o envolvimento e o amor. Depois o golpe, o veneno e a morte do amante, feita de forma cruel e fria. São assim os populistas e os moralistas de palco. 

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