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Há um lugar reservado no inferno para os que validam farsas como a do palhaço Tiririca


Tiririca conseguiu o impensável, que foi a atenção de toda a mídia nacional com seu discurso de renúncia ao mandato de deputado federal. Mais uma vez nossos formadores de opinião conseguiram tornar um golpe palatável instrumentalizando os bons sentimentos de cidadãos sem esperança.

Tiririca fez um discurso consertado, onde se dizia decepcionado com a política, cansado da vida pública e sem esperanças. Bem diferente daquele palhaço de slogans ruins que não discutiu uma única proposta sequer, apenas fez graça com o dinheiro do contribuinte. Falando em dinheiro do contribuinte, o sujeito conseguiu colocar mais de R$ 3 milhões em salários na sua conta, além das verbas de gabinete e de passagens aéreas usadas indevidamente.

Mas vejam só: o sujeito levou longos sete anos para constatar que ele era o único santo do Congresso. Sete anos para constatar algo que de tão evidente poderia ser notado logo no primeiro mês. Que figura. Poderia até mesmo ter chegado a esta conclusão quando recebeu o convite para se filiar ao PR, partido de modernos cangaceiros cuja figura máxima era Antônio Carlos Rodrigues, ex-ministro de Dilma Rousseff que hoje se encontra atrás das grades. Aliás, quem fez o convite foi ninguém mais ninguém menos que Valdemar da Costa Neto, o mensaleiro condenado que ainda domina o Vale do Paraíba. Valdemar já estava publicamente sujo com o mensalão, mas isso não impediu que Tiririca aceitasse seu convite.

Tiririca foi convidado como uma estratégia para minerar votos originários do descontentamento geral que culminou com os violentos protestos de 2013. Diferente do que aconteceu em 2015, quando os protestos tinham a clara intenção de derrubar o governo Dilma Rousseff, os manifestantes de 2013 formavam uma massa amorfa e desorganizada que não tinha noção clara do que fazia na rua. Estavam ali protestando contra a política, exigindo uma ruptura institucional que tirasse do poder todos os governantes, mas nem eles mesmos sabiam ao certo o que queriam ou como fariam. Isso deu brecha para que radicais de extrema-esquerda e teóricos do mesmo naipe reivindicassem para si a liderança, espantando o povo da rua. Ao final, o maior legado desses dias foram os black blocs, a Rede de Marina Silva e o deputado Tiririca, eleito com votos de protesto e deboche contra o sistema.

Tiririca e os capos do PR sabiam exatamente como o eleitor iria reagir, daí lançaram uma figura exótica que fizesse o impossível: a missão era salvar o mandato dos mensaleiros. Eleito na coligação petista, Tiririca conseguiu levar consigo os mensaleiros João Paulo Cunha e Valdemar Costa Neto. Para quem é o único casto no prostíbulo, é um feito e tanto.

Agora temos Tiririca pregando sua falsa moralidade. De novo. Com efeitos ainda mais devastadores, vez que agora ele se faz de coitado. Critica as mordomias que recebeu diligentemente. Ataca a classe pela qual trabalhou duas vezes para fazer parte. Nega a política. E deixa um recado infame: ao seu ver, Lula foi o melhor presidente da história do Brasil. E é nele que o palhaço pretende confiar seu voto, apesar de tudo. Muitos que nutrem fetiche pelo moralismo de fachada estão espalhando o discurso de Tiririca e aplaudindo seu exemplo, como sinal de que "a política é isso aí". São os que negam a luta política em nome do voluntarismo totalitário. São os que elevam Janots, Randolfes e Molóns e Protógenes para o panteão dos heróis. Dante diria que também há um lugar especialmente para estes que validam farsas como a do palhaço Tiririca.


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