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O mais importante dia não é a denúncia de Janot, mas o depoimento de Palocci


Na névoa da guerra, nunca é possível estimar com precisão as capacidades do inimigo. Se analisarmos os últimos acontecimentos por esta ótica, talvez a prudência seja a melhor conselheira. Mas neste caso teremos de fazer exercícios de lógica que atestam para decisões baseadas em experiências passadas. Em se tratando da política, temos dois elementos: a denúncia do procurador-geral da República Rodrigo Janot contra Lula, Dilma e petistas graúdos e o depoimento do ex-ministro Antonio Palocci (também denunciado por Janot), entregando tramas criminosas protagonizadas por Lula, Dilma e muitos dos que foram denunciados pelo PGR. Se for para escolher qual dos relatos é mais consistente, a prudência nos impõe o depoimento de Palocci como opção mais razoável. 

Janot nós conhecemos bem. É homem das cartas na manga, da sagacidade, do golpe. Palocci era o homem do caixa, o boa vida, o amante do dinheiro. Janot lutou este tempo todo por poder. Palocci lutou mais por dinheiro. Aliás, sua personalidade não lembra em nada petistas históricos como José Dirceu e José Genoíno. Estes sim foram forjados no fogo revolucionário, e sempre estarão dispostos não só a se oferecer em sacrifício quanto  a praticar as piores atrocidades em nome da agenda. Palocci está longe deles e longe de Janot, que é capaz de articular grandes conspirações nas sombras protegido pelas disposições do cargo de procurador. 

Bom, Janot tergiversou em suas funções o quanto pode. Tentou melar o impeachment e se fazer de desentendido sobre as denúncias contra Dilma. Foi negligente com o escândalo de Pasadena. Mais tarde tentaria pegar rabeira na Operação Lava Jato com o papo de ser “A Esperança do Brasil”. Isso até que conseguiu nos aplicar aquela rasteira quando se colocou como paladino da Justiça, insistindo em fatiar as denúncias com a tese de que enquanto houvesse bambu mandaria flecha. Palocci é igualmente pestilento, mas com a vantagem de que é fraco para o cárcere e está com a corda no pescoço. Por isso começou a contar tudo o que sabia como se não houvesse amanhã. Está correto. Em alguns casos como o de Celso Daniel, talvez o amanhã não chegue. 

Palocci é diferente de Janot sobretudo por ser um amante do dinheiro e não um soldado do partido. Janot é aquele que fez o diabo após Lula comentar com o advogado Sigmaringa Seixas que o sujeito só estava na PGR por não ser formal, que do contrário nem lá estaria. Lula cobrou lealdade e Janot fez absolutamente tudo que estava ao seu alcance para se justificar diante do Charles Manson do ABC. Palocci até que tentou barganhar, mas ao se ver diante da dura cana que a justiça o reservava preferiu seguir os conselhos de Raul e não bancar de herói. 

Enquanto Janot requenta marmita para servir aos esfomeados por Justiça, Palocci nos trouxe filés: detalhou valores, falou da participação de Lula e Dilma e ainda quebrou cada uma das narrativas petistas. Se é para comemorar algo, que comemoremos o começo do fim do Partido dos Trabalhadores. Como é repetido neste blog, a destruição da Estrela da Morte não era coisa de um ou dois movimentos e sim um esforço constante e uma luta intensa pela vida e liberdade. Isso porque não lidamos com um simples partido de corruptos, mas sim com uma organização criminosa de inspiração totalitária.


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