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O encontro secreto no boteco é apenas o princípio da vertiginosa queda de Janot


O procurador-geral da República Rodrigo Janot conseguiu esquentar o debate público no final de semana, sendo personagem de uma foto em que aparece em um boteco com nada mais nada menos que Pierpaolo Bottini, advogado de Joesley Batista. Mais magro e visivelmente abatido, o presunçoso PGR tentou se esconder atrás de algumas caixas de cerveja. Ainda tentou bancar o Clark Kent, se “disfarçando” com o óculos escuros. A situação ficou constrangedora não tanto pela gravidade do encontro (a esta altura ninguém mais têm dúvidas sobre Janot, apenas certezas). O que deu vergonha alheia foi a defesa que os janotistas fizeram de seu messias dos pés de barro e a justificativa do próprio para o ocorrido. Os janotistas começaram a duvidar da imagem, alegando que era “fake news”, que “o sujeito na foto não parecia com Janot” e até mesmo de que o homem da foto era magro demais para ser o procurador. Mas era, segundo admitido pelo próprio muitas horas depois. Se justificou com a desculpa esfarrapada de um encontro casual no boteco. Boteco que não é boteco, e sim uma distribuidora de bebidas isolada no Lado Sul onde o refinado esquerdista Pierpaolo Bottini jamais botaria os pés casualmente. 

Mas não foi a única “controvérsia”. A Polícia Federal acabou descobrindo que Marcelo Miller orientou que o criminoso Joesley Batista escondesse as provas que tinha contra José Eduardo Cardozo (aquele que supostamente participava de surubas com Dilma Rousseff e Carmén Lúcia). Para quem não se lembra, Janot já teve que se explicar publicamente por conta de um encontro com Cardozo na calada da noite, quando este ainda era Ministro da Justiça. A roda da fortuna que foi tão pródiga com Janot desde o início parece ter se voltado contra o suíno de forma avassaladora. O sujeito que até pouco tempo atrás cogitava suceder Fernando Pimentel no governo de Minas Gerais agora virou um pária. Um sujeito tão arrogante, truculento e prepotente agora se vê nesta humilhante condição: de aspirante a governador, Janot agora se comporta como amante assustada marcando encontros secretos em botecos afastados. 

Janot está sendo supliciado pelo bambu com quem pretendia fustigar seus adversários (curiosamente são os mesmos adversários do petismo). Mas não é o suficiente. Sabemos que Marcelo Miller só não foi preso pois o ministro Edson Fachin rejeitou o pedido feito por Janot. Por mais que pareça contraditório, devemos lembrar que era a única coisa que Janot poderia ter feito. E que Fachin chegou ao posto por meio de Ricardo Saud, que “persuadiu” senadores a aprovarem a nomeação do ministro Friboi. Ocorre que agora Marcelo Miller anda ameaçando pessoas não identificadas com a promessa de que não cairá sozinho. 

E que peixe graúdo poderia ser mais vistoso do que o próprio Janot, que durante tempos bateu no peito para chancelar o acordo de impunidade premiada concedido a JBS? Se foi apenas descuido ou imprudência, seria motivo para renúncia imediata, vez que não podemos ter um idiota na Procuradoria-Geral da República. Janot seria no mínimo um egoísta que quase afundou o país no caos ao se guiar pela própria ambição. Deveria deixar a PGR antes do tempo. Mas não é este o caso. O próprio ameaçou flechar meio mundo. Talvez seja hora de discutir se Janot deve ou não ser preso e investigado por conta dos crimes praticados na PGR. Sim: se houve intenção, não foi erro. 

Janot mirou o governo de Minas, além de aproveitar para recompensar seu amado mestre Lula. Lula estava chateado naquela ligação com Sigmaringa Seixas, afirmando que “se Janot fosse formal, jamais teria sido nomeado”. Daí a tentativa de ser lesma contra os petistas e Usain Bolt contra os opositores, além de reforçar teses favoráveis a narrativa da extrema-esquerda (como a mentira contada por Joesley de que “o chefe da organização criminosa era Michel Temer). Bom, o fato é que agora os bambus estão causando profundo desconforto para Janot. Ter ido naquele boteco pé sujo é apenas o princípio da queda. Janot parece ter sido vítima da mesma maldição lançada contra o ambicioso Bispo Waleran Bigod de “Os Pilares da Terra”: subiu muito alto apenas para despencar de lá.


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