Ads Top

Janot não é digno de confiança nem na hora da morte


Nas últimas horas o procurador-geral Rodrigo Janot ocupou os noticiários com a descoberta do conchavo da JBS. Em um estalo, o sujeito que já se declarou “A Esperança do Brasil” resolveu variar o alvo de suas flechas. De uma feita denunciou os petistas Lula, Dilma Rousseff, Gleisi Hoffmann, João Vacari, Antonio Palocci, Edinho Silva, Paulo Bernardo e Guido Mantega como membros de organização criminosa. Além da denúncia do quadrilhão, o sujeito ainda pediu bloqueio de R$ 6,5 bilhões do bando. 

Finalmente! O sujeito demonstrou imparcialidade e denunciou outros que não os membros do governo Michel Temer. Terminará o seu mandato com o mínimo de dignidade, provando que apesar dos erros cometidos em questões importantes como a delação da JBS, não houve nenhuma intenção premeditada de proteger este ou aquele partido. Apesar da denúncia tardia, o procurador fez acusações graves a membros do Partido dos Trabalhadores. Ou talvez isso seja exatamente o que Janot quer que a sociedade pense. 

O caso é que o nebuloso PGR sempre agiu de maneira articulada. O que ele fez agora foi não só diversificar os alvos de suas flechas, mas sim tentar recuperar seus brios para enganar melhor. Janot faz acusações graves que na superfície convergem para o que já foi dito até agora por outros delatores, sobretudo pelos que negociaram a colaboração por meio do acordo entre Odebrecht e força-tarefa de Curitiba. Mas o caso é que aqui o procurador não coloca mais provas do que já apresentado em outras circunstâncias. A propósito, o procurador Deltan Dallagnol já havia afirmado que todo o esquema era gerido pelo ex-presidente Lula e que o Partido dos Trabalhadores funcionava como fachada para a quadrilha. Não há novidade, apenas uma denúncia que pode ser inócua. Em se confirmando, não irá avançar por falta de evidências. E quem vai rir ao final? Sim, eles mesmos. 

Alguns estão por demais extasiados por conta das acusações, já que o PT é uma organização criminosa de facto. Pensam que o “ingênuo Janot” quer fazer uma reparação de última hora. Não é o caso. O calculista seque pensando apenas em sua agenda golpista, tanto que não abandonou sua principal arma: a mentira. Vamos recapitular uma fala do procurador em sua coletiva sobre as explosivas gravações da JBS: nele, o PGR diz que são citados crimes graves atribuídos a ministros do Supremo. Mas quando ouvimos os áudios, não encontramos nenhum crime ali. Sim, nós sabemos que aquela corte acovardada não merece grandes créditos. Também sabemos que as citações não são nada abonadoras, incluindo até uma sobre uma suposta orgia entre o ex-Advogado Geral da União José Eduardo Cardozo, a ministra Cármen Lúcia e a ex-presidente Dilma Rousseff. Por mais macabro que isto pareça, não é crime tipificado por lei. Ou seja: Janot mentiu sobre os supostos crimes atribuídos a ministros do STF. A única coisa ali é a intenção manifesta de se acabar com o STF, em especial com Gilmar Mendes. Briga de facções ao melhor estilo Scarface. 

Janot não é digno de confiança nem na hora da morte. Tal como a adúltera inveterada, Janot de tempos em tempos dá mostras de que sua bússola afetiva e moral sempre aponta para o petismo. Sobre a denúncia, cabe lembrar que o depoimento forjado de Joesley também mencionava petistas. Mas as provas eram sempre fracas demais para justificar um pedido de investigação. Não haviam extratos bancários, fotos, vídeos, gravações... Apenas a palavra do açougueiro. No fim das contas, quem mais se beneficiou foram os próprios petistas – já que para pegar Temer, Aécio et caterva foi arquitetada a “operação controlada” e para o PT não se empreendeu esforço probatório algum. 

Vamos lembrar também que o mesmo Janot asseverou em diversas ocasiões que a delação JBS estava acima de qualquer suspeita, que não era possível colocar a prova a honestidade dele ou de seu braço direto Marcelo Miller (que estava no Bolso do criminoso Joesley). Se há algo que garantiu o sucesso da força-tarefa de tipo foi a lisura dos processos a estrita observação da lei, seja pelos investigadores quanto pelo juiz Sérgio Moro. Já com Janot não se pode ter a mesma confiança. Até agora tudo o que ele tem feito é reforçar a narrativa da extrema-esquerda para desqualificar as suspeitas e denúncias contra a organização criminosa. Não é nada difícil encontrar um deles argumentando que contra Temer, Aécio, Jucá e companhia há gravações, extratos, vídeos e etc, mas que contra Dilma e Lula apenas há "convicção" ou "delações seletivas". 


Se na melhor das hipóteses ele for o traído ingênuo que tenta parecer, é incompetente demais para o cargo. Mesmo às vésperas de passar a cadeira para Raquel Dodge, deveria pegar o boné e ir embora. Mas a impressão mais forte é que é um embusteiro cujo golpe falhou no meio do caminho. Afinal de contas, pessoas muito inocentes e puras não costumam ocupar cargos tão altos na República. O correto no caso de Janot é que sua conduta suspeita seja investigada, já que ele referendou as posturas de Marcelo Miller diante das câmeras e atacou todos os que questionaram os métodos escusos que balizaram a falsa delação da JBS.




Tecnologia do Blogger.