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O que é importante saber sobre os distúrbios de Charlottesville



Muito tem sido dito sobre os distúrbios ocorridos em Charlottesville, na Virgínia. Menos o essencial. Seja a mídia nativa majoritariamente enviesada, seja a mídia tupiniquim que simplesmente reproduz por aqui a panfletagem ideológica da mídia americana mainstream. 

Como a confusão começou? Começou quando revisionistas resolveram colocar em prática seu stalinismo cultural sugerindo a remoção de uma estátua equestre do General Robert Edward Lee, localizada no Emancipation Park. O General Lee foi um dos principais comandantes dos Confederados, lutando contra as forças do Norte em favor da manutenção da escravidão negra na Guerra de Secessão. Derrotado, Lee assinou a rendição para as forças do General Ulysses S. Grant em 9 de Abril de 1865 (Grant mais tarde se tornaria presidente dos Estados Unidos). Apesar de derrotado, Lee continuou sendo reverenciado como herói por sulistas leais aos Confederados. Na última semana, supremacistas brancos resolveram protestar contra mais uma tentativa de remoção da estátua. Supremacistas negros e outros grupos de extrema-esquerda resolveram protestar contra a marcha praticamente ao mesmo tempo. Deu no que deu. 

Em primeiro lugar, é importante lembrar que a democracia norte-americana é consolidada. Tanto que leva os conceitos de liberdade de expressão e pluralidade ao pé da letra. Ao contrário do Brasil, onde se criminaliza discursos na fonte, não há censura prévia. São direitos garantidos na Primeira Emenda, que garantem direito aos radicais quanto aos democratas. Ou seja: tanto grupos supremacistas brancos (como a Ku Klux Klan) quanto supremacistas negros (Black Lives Matter). Não importa de que lado você está, a democracia garante seus direitos mesmo que você abomine a democracia. Tanto que muitos radicais como Bernie Sanders e Louis Farrakhan continuam com sua pregação de ódio. Impunes. 

A lei americana não pune quem abomina a democracia, quem nega os direitos humanos ou mesmo quem exalta o totalitarismo. É o que garante a existência do Partido Nazista e dos Partidos Comunista e Socialista dos Estados Unidos. Por mais que ambos os envolvidos nos distúrbios de Charlottesville sejam igualmente asquerosos, é bom lembrar quem tentou impedir na marra que os outros protestassem. Foram justamente os milicianos ligados ao Black Lives Matter e outros grupelhos de extrema-esquerda. O que a mídia tem dito tanto lá quanto aqui, é que de um lado estava a extrema-direita e do outro apenas “anjinhos anti-racistas”. Mentira. O Black Lives Matter é herdeiro do ódio racial plantado pelos maoístas do Panteras Negras, que promoveram toda a sorte de crimes de ódio, banditismo e terrorismo durante a década de 60. Claro que alguns mentirosos negarão estes fatos, mas felizmente a era da internet não permite que notícias relativamente recentes como o ataque promovido por Micah Xavier Johnson sejam apagados. Os crimes do militante do Partido Democrata James Hodgkinson (que em Junho deste ano atacou o senador republicano Steve Scalise em um treino beisebol), também estão vivos. Ah, Hodgkinson era apoiador do senador socialista Bernie Sanders, e antes de atirar perguntou a filiação partidária de suas vítimas. Só atirou depois de confirmar que eram de direita.

O caso é o seguinte: se Donald Trump não fosse presidente, a mídia diria que o movimento é de extrema-direita. Os manuais de redação sempre dirão que a direita se divide entre os malvados partidários do egoísmo (a direita) e os monstros partidários do ódio (a extrema-direita). Enquanto nós da direita tergiversamos em chamar os radicais de lá pelo que são (sim, diariamente este blog é atacado com o argumento pedestre de que só há uma esquerda. Quem diz isso são conservadores e liberais que entendem que não há distinção entre Fernando Gabeira e Luciana Genro. E isso é tudo que tipos como Luciana Genro querem ouvir). Quando estes mesmos se deparam com o radicalismo de esquerda, sacam da cartola uma série de eufemismos dignificantes. “Luta por Direitos”, “Ação Direta” e “anti-racismo”, como vimos no caso de Charlottesville. Mas como eles contam com o agravante Trump, o trabalho fica ainda mais fácil por diversos motivos. Trump se cercou de uma militância denominada “alt-right”, que faz uma verdadeira ode ao brutalismo. Como bem coloca Bem Shapiro, trata-se de uma massa que nada tem a ver com o conservadorismo (ainda que assim se classifiquem). Esta massa dotada de certo binarismo adolescente acredita piamente que a melhor forma de atacar uma jornalista desonesta como Megyn Kelly é chamá-la de prostituta, ou que o termo “faggot” é argumento para neutralizar qualquer militante homossexual que não simpatize com Trump. A esquerda adora isso. Assim como nossa mídia nativa adora quando mandam Jean Wyllys “queimar a rosca” dando a entender que o problema é a orientação sexual e não a monstruosidade deste sujeito. Sendo assim, um iludido alt-right se torna alvo fácil para a rotulagem de “extremista”, “neonazista” e outros epítetos mentirosos. Trump também errou quando demorou a rejeitar o apoio anunciado pela Ku Klux Klan. Deveria ter feito como Reagan, que de cara impediu que a extrema-esquerda usasse isso como espantalho político.

Ao contrário do que foi dito em alguns setores da direita, o caso de Charlottesville não parece ser false flag da esquerda. O racismo é real, e ainda é defendido por muitos espíritos de porco. Mas também é real a tentativa de manipulação por setores de mídia e de formadores de opinião que se valem justamente da desgraça para promover a agenda da mentira. No caso em tela, se omite do debate que a Ku Klux Klan foi fundada por democratas. Se omite que os contrários são tão bestiais quanto os que se vêem como superiores apenas por conta da cor da pele. É no limbo das reflexões rasas que colunistas costumam associar nazismo a liberalismo, Black Lives Matter com civismo e nacional-socialismo com direita. Estes mentirosos sabem que situações complexas com esta demandam reflexões mais aprofundadas, mas preferem ignorar o problema pra criminalizar a direita e jogar a criança fora junto com a água suja. Aguardem os próximos atos de violência por parte das hostes do Partido Democrata (que é o partido da eugenia, das leis Jim Crow e do socialismo). Os mesmo dirão que se trata apenas de fúria contra a injustiça, assim como fizeram durante os atos de Berkeley e durante a matança de policiais no ano passado em Nova York. Outro detalhe bastante elucidativo: em todos os ataques terroristas ocorridos na Europa, a mídia adotou a linguagem imbecilizada de atribuiu os crimes a transformers (mais especificamente, " Decepticons"). Sempre se trata de "veículos assassinos" que atacaram vítimas indefesas sem que a nacionalidade dos motoristas ou sua religião fosse objeto de atenção. Já se chegou ao cúmulo de chamar um terrorista islâmico de "atacante". Já no caso de Charlottesville, os motoristas possuem intenção clara. Não são meros veículos que atingiram inocentes, mas sim indivíduos que pregam o ódio. A moral elástica sempre se ajusta a ocasião. Os que não comungam da mesma moral que a nossa dirão que Guerra é Paz e escravidão é democracia.

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