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A banqueira comunista ajuda a jogar luz em episódios passados e a derrubar a narrativa de que o PT é perseguido pelas elites


Na sessão das notícias aparentemente inúteis desta sexta-feira, uma das mais comentadas foi sobre a socialite Roberta Luchsinger anunciando em plenos pulmões que irá doar R$ 500 mil ao ex-presidente Lula. Herdeira do Credit Suísse, a comunista filha de banqueiros diz que pretende permitir que Lula possa se sustentar e lançar sua candidatura presidencial em 2018 (já que o criminoso supostamente é vítima da perseguição política promovida por Sérgio Moro). 

Por partes: tecnicamente o dinheiro é de Roberta, e a moça faz com ele o que bem entender. Só se observa que a herdeira não trabalhou para amealhar estes bens. Normalmente a extrema-esquerda tupiniquim demanda questões como taxação de grandes fortunas e impostos sobre grandes heranças em nome da justiça social. Aparentemente acham imoral que um herdeiro tome posse dos bens obtidos por seus pais ou que foram acumulados por seus antepassados. Mas nenhum desses radicais supostamente franciscanos irá se incomodar com os R$ 500 mil doados pela filha dos banqueiros ao líder da seita. 

Roberta também ajuda a demolir aquele argumento das supostas elites brancas compostas por industriais e banqueiros contra o guerreiro da Justiça Social Luis Inácio. O empresariado corporativista e certos banqueiros e seus filhos amam o petismo. Nunca lucraram tanto quanto nos anos vermelhos. Observem que mesmo nestes tempos de crise, eles continuam lucrando graças a herança petista. A elite branca composta por banqueiros nunca teve coragem de financiar os movimentos democráticos, mas seus filhos fazem estripulias como doar R$ 500 mil para Lula ou retratá-lo como Cristo na capa da revista Piauí (do banqueiro João Moreira Salles). 

A moça também chama atenção por ser ex-esposa de Protógenes Queiroz. Os mais novos talvez não se lembrem, mas este foi o cabeça da Operação Satiagraha. Munido do poder da justiça, o ex-delegado federal fez o diabo para encarcerar o banqueiro criminoso Daniel Dantas. Queiroz atribuiu vários crimes ao banqueiro, incluindo corrupção ativa, lavagem de dinheiro, fraude e etc. Junto com Dantas, foram presos o libanês Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. Protógenes fez do episódio uma grande pantomina, colocando a prisão do banqueiro e do entorno de Pitta como o triunfo da Justiça contra a corrupção. Não era bem isso. A briga envolvia a disputa entre o petismo e a entourage de Dantas pelo controle da Brasil Telecom. Sobre isto escreveu Reinaldo Azevedo em seu antigo blog na Veja:

[...]A briga de foice entre Daniel Dantas e setores do petismo estava ligada ao controle da Brasil Telecom. Sobraram golpes baixos de todos os lados, mas uma coisa é certa: a companheirada tramou para tentar tirar o empresário da companhia. Eram aqueles tempos que parte do atual JEG (Jornalismo da Esgotosfera Governista) acusava qualquer pessoa que se atrevesse a criticar o PT e os petistas de “agente de Daniel Dantas”. Inventaram um demônio para poder demonizar os críticos.
Dantas finalmente cedeu e resolveu vender a sua participação na Brasil Telecom, que acabou sendo comprada pela… Telemar, o que resultou na gigante Oi. Lula, pessoalmente, sem intermediários, se encarregou de protagonizar um dos maiores escândalos do país: decidiu que o BNDES financiaria a operação. Para Dantas, foi um negocião: vendeu a sua parte por R$ 2 bilhões e saiu da mira do petismo. Aquilo a que se assistiu, a partir de então, foi um espetáculo grotesco. Transformou-se a criação da “Oi” numa manifestação de afirmação e resistência nacionalistas.
Segundo a versão oficial, ditada, então, por Franklin Martins e pressurosamente espalhada por áulicos, anões, mascates e jornalistas “dualéticos” (aqueles que têm duas éticas: uma para os petistas e outra para os demais), Lula, o Numinoso, queria criar uma grande empresa nacional para competir com as gigantes estrangeiras — caso contrário, as brasileiras seriam engolidas. Como se vê, o resultado é um espetáculo: a Oi está devendo R$ 10 bilhões só em multas e vale R$ 8 bilhões no mercado.
O Apedeuta mobilizou o governo para dar suporte à operação. Com um detalhe: nunca antes nestepaiz se havia feito um negócio bilionário que dependesse de uma mudança ad hoc da lei: se Lula não alterasse o decreto da Lei das Outorgas, a operação não poderia ser realizada. Mas ele prometeu mudar. Seu amigo Sérgio Andrade, da Andrade Gutierrez, ficou feliz. Carlos Jereissati, da Telemar, sócia de Lulinha da Gamecorp, também. Atenção! LULA MANDOU O BNDES FINANCIAR A OPERAÇÃO DE COMPRA DA BRASIL TELECOM ANTES MESMO DE MUDAR A LEI. Ou por outra: quando decidiu que o banco oficial entraria na parada, estava praticando uma ilegalidade.

Pois é. Pouco depois a Justiça se viu diante da obrigação de anular a Operação após descobrir que o delegado justiceiro havia praticado diversas ilegalidades, como escutas clandestinas e outras provas ilegais ou plantadas. Os principais acusados (Pitta, Nahas e Dantas) foram soltos. Depois disso, o probo Protógenes experimentou a glória perene dos Paladinos da Justiça: pregando contra a corrupção, se elegeu deputado federal pelo Partido Comunista do Brasil. Pois é. Assumiu o mandato em 2011, utilizado por ele para pedir a CPI das Privatizações (inspirada na fantasiosa obra “A privataria tucana”, do ultraesquerdista Amaury Ribeiro Jr) e a CPI do Cachoeira (inspirada na Operação Monte Carlo, conduzida pelo próprio Protógenes enquanto ainda era delegado federal. Foi a CPI que destruiu a carreira política do senador Demóstenes Torres). 

O fato é que Protógenes conseguiu cumprir sua missão, que era destruir os adversários do petismo. Não o fez quando surgiram as primeiras denúncias de corrupção na Petrobras e posteriormente na Operação Lava Jato, mas soube se fingir de vítima da justiça indo se refugiar como exilado político na Suíça de onde os progenitores da esposa banqueira vieram. Que história! Antecipou em alguns anos o que se veria em escala ampliada com a tropa de Janot. Enquanto fingia lutar contra a corrupção, Protógenes trabalhava pela agenda do petismo. Agora vem Roberta, com seus milhões para enterrar as narrativas da extrema-esquerda enquanto engorda em algumas gramas os cofres do chefe da maior organização criminosa que já atuou neste país. O fato de ver Roberta ao lado de Lula depois de ter sido companheira de Protógenes diz muitas coisas sobre esta senhora. A principal é de que talvez ela não seja tão ingênua quanto sua futilidade de perua sugere. 

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