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Notas de Cármen Lúcia sobre suposta espionagem de Temer e ABIN mostram que alguém não está contando a verdade


O cenário caótico de Brasília ficou pior após a revista Veja denunciar que o presidente Michel Temer (ou o seu gabinete) havia ordenado que a Agência Brasileira de Inteligência espionasse o ministro Edison Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. Embora a reportagem de Veja fosse fraca, o caso rendeu uma reação dura por parte da presidente do STF Cármen Lúcia. Até o ministro Gilmar Mendes (que pertence a uma facção rival a de Fachin) reagiu com indignação. O presidente Temer então entrou em campo telefonando para Cármen Lúcia asseverando que não houve nenhum pedido de espionagem, motivando a presidente do STF a emitir uma segunda nota afirmando que "não há o que questionar na fala de Temer sobre Fachin". 

Como assim, não há o que questionar? 

Temer está no epicentro da guerra política desde que o ministro Edson Fachin e o procurador-geral da República Rodrigo Janot negociaram aquele perdão aos irmãos criminosos Wesley e Joesley Batista. No meio da guerra, Janot chegou a preparar uma denúncia em que afirma que Temer é o chefe maior do esquema criminoso que operava no governo brasileiro. Isso mesmo, não é Lula. É Temer. Temer também é o monstro que ousa obter provas que possam constranger o ministro relator da Lava Jato. É óbvio que há o que ser questionado.

Segundo a revista, o objetivo da espionagem era obter indícios de que o ministro foi beneficiado pela JBS para chegar ao cargo. Seria a confirmação da delação do executivo da JBS Ricardo Saud, que contou que ele e o ministro (a época advogado do MST) visitaram gabinetes de senadores para convencê-los a aprovar o questionado esquerdista para  o STF. Sim, todos ainda devem lembrar que o ministro indicado por Dilma no começo da crise política foi duramente questionado por ser um radical de esquerda, inclusive por vídeos onde ele insinua ter praticado crimes durante o regime militar. O senador Alváro Dias foi enxovalhado em suas redes sociais por apoiar Fachin. Está tudo nos arquivos imortais da internet, para quem não se lembra. 

Pois bem, Fachin teria usado jatinho da JBS - além de ter contado com o "apoio" da corporação criminosa. Cármen Lúcia foi dura no primeiro momento e amaciou após uma simples conversa com o presidente. Está errado: deveria ter seguido com as investigações. Afinal de contas, ela própria afirmou que isso não é próprio de democracias. Esse recuou deixa algumas suposições incomodas em evidência, como por exemplo: 

  • Será que a revista mentiu e o STF (na pessoa de Cármen) se precipitaram em sua resposta?
  • Será que o presidente mentiu e Cármen se precipitou em seu recuo?
  • Será que a espionagem de fato aconteceu? Se aconteceu, descobriram algo incomodo que possa ser usado contra o ministro?
  • Será que a acusação de espionagem vazada para a revista não partiu do próprio STF?


São questões incomodas. O melhor seria que fosse instaurado um inquérito, para que a sociedade não fique a impressão de que tudo isso não passa de uma guerra entre facções onde a facção do presidente descobriu alguns podres que enfraquecem a posição do adversário. 




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