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A lição do quase fiasco de Theresa May: A extrema-esquerda leva vantagem justamente por fazer falsas promessas


Os conservadores quase entregaram de bandeja o governo do Reino Unidos aos trabalhista em uma eleição que não deveria nem ter acontecido. Ainda assim não conseguiram formar maioria, e terão que seduzir os liberais-democratas ou mesmo o UKIP para formar maioria. Quem imaginaria isso após as recentes eleições regionais, onde os conservadores simplesmente esmagaram a extrema-esquerda local? 

O caos começou depois que a primeira-ministra Theresa May teve a brilhante idéia de blefar: pediu antecipação das eleições. Theresa substituiu David Cameron em eleições internas após a vitória do Brexit no ano passado. Por alguma razão obscura, a senhora que parecia tão centrada e pragmática achou que deveria passar pelo teste das urnas - exatamente como queriam os trabalhistas (comentamos aqui, a extrema-esquerda britânica dizia que ela não tinha legitimidade para conduzir o Brexit por não ter sido eleita pelo voto. Tenho certeza que todos aqui já ouviram este blefe antes). Para facilitar a saída do Reino Unido da União Européia, quis dar um passo maior que a perna. 

A aventura de May quase custou o fim do recente ciclo conservador iniciado por Cameron após a renúncia do trabalhista Gordon Brown em maio de 2010. May apostou na correção de suas medidas, como a saída do Reino Unido do bloco europeu e a a estabilização da economia. Pautas corretas, mas que não movem os corações. Do outro lado estava Jeremy Corbyn: é o primeiro líder do Partido Trabalhista a se declarar socialista, o primeiro a dizer com todas as letras que defende governos totalitários como Venezuela, Cuba e até a defunta União Soviética. Sob seu comando os trabalhistas deram a guinada a esquerda, inclusive condenando o impeachment de Dilma Rousseff no Parlamento britânico afirmando que "houve um golpe contra a democracia". O sujeito que lembra nosso Ivan Valente sonha com uma ditadura do proletariado no lugar da monarquia, e acabou seduzindo vários cidadãos (em especial os jovens) com suas promessas de um amanhecer dourado em um Reino Unido socialista.

E não foi só na questão econômica que May falhou: por mais bizarro que possa parecer, a extrema-esquerda conseguiu acusar o governo conservador de ser responsável pela recente onda de terrorismo por ter praticado cortes no orçamento público (incluindo no orçamento da polícia). Mas se analisarmos os casos de terrorismo, em especial os dois últimos, veremos que se tratam de cidadãos suspeitos de terrorismo monitorados pela polícia. May falhou ao não fazer como Trump, atacando o politicamente correto como causa da impunidade. Sabem qual era o argumento de Corbyn, o defensor de terroristas? "A Guerra ao terror fracassou da mesma forma que a guerra as drogas". Por aí se tira uma noção de como o sujeito é asqueroso. Qualquer um sabe que não era o orçamento público paquidérmico (desejo de corporativistas e sindicalistas) que salvaria o país do terror, mas sim a prisão para os radicais islâmicos (o que a camarilha de Corbyn rejeita). 

Mas afinal de contas, não era só dizer que o socialismo não funciona? 

Não é este o caso. Os radicais da extrema-esquerda não têm qualquer compromisso com a realidade ou com a reparação das desigualdades, mas criam discursos fáceis que sugerem que todas as medidas econômicas adotadas pelos "neoliberais" não passam de maldade perpetradas pelos amigos dos capitalistas. Ao povo eles pregam a existência de uma fonte inesgotável de dinheiro que irá sanar todos os problemas, que o povo só precisa de ter fé. Diante disso, quem quer saber de uma primeira-ministra que promete conduzir o Brexit de forma mais fácil ou que garante o controle da inflação em sua plataforma? Corbyn é um rato como todo socialista: ele promete esperança enquanto planeja exercer controle social. Promete prosperidade enquanto maquina meios de arrancar a carne do povo com o argumento da justiça social (ele prometeu até estatizar bancos). Em resumo, eles prometem vida em abundância enquanto planejam entregar morte e sofrimento. 

Parafraseando Bilac, “Ora (direis) que os britânicos perderam o senso! E eu vos direi, no entanto": é típico do homem escolher a saída mais fácil, a via menos dolorosa. Quem lida com política deve saber disso: se lidamos com monstros, temos de combatê-los com vigor. Theresa May não fez a lição de casa e quase jogou as ilhas no colo do bolchevismo. Agora ela terá que correr atrás do prejuízo, enquanto Corbyn (aquele que não planejava entregar nada do que prometeu) irá sorrir pelo caos instalado no campo adversário.

Apesar de tudo, May é uma mulher forte. Thatcher também sofreu com sobressaltos em seu primeiro mandato, este perto de ser derrotada de forma acachapante. Mas soube entender os meandros da política e só saiu de Downing Street após seus colegas conservadores iniciarem uma conspiração contra ela. Quem talvez não aprenda nunca é a direita brasileira, aquela que acredita que Lula já está morto e que a extrema-esquerda não oferece mais perigo algum. Alguns dos nossos querem eleições diretas agora, outros acreditam que devemos apoiar cegamente a dupla golpista Fachin e Janot. Ainda há os mais loucos que acreditam que "todos os corruptos são iguais", esquecendo que alguns corruptos querem apenas levar uma boa vida ao passo que outros (justamente os mais corruptos) querem governar com o chicote nas mãos e o coturno em nossas gargantas - e que é para isso que eles roubaram o país de forma tão articulada. Já temos até ditos conservadores apoiando Joaquim Barbosa para 2018. Vejam Lula mentindo ao povo dizendo que o PT sabe como resolver a economia. Nós que nos interessamos pelo assunto sabemos que aquela prosperidade era falsa, fabricada, mentirosa e encenada. Mas será que os trabalhadores que consumiam por meio do crédito fácil fomentado pelo petismo sabem? Melhorem, senhores. Melhorem. 




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