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Se os togados do STF querem mesmo evitar "convulsão social", terão de garantir que Lula pague por todos os seus crimes


Há muito corre o boato de que ministros do Supremo Tribunal Federal temem uma "convulsão social" por conta da eventual (e iminente) prisão de Luís Inácio Lula da Silva. Para evitar atos de fúria de uma população indignada com a prisão do carismático líder, teria sido acertado que Lula será declarado inelegível - mas que será poupado da prisão. 

Nós que acompanhamos o processo do impeachment estamos bem vacinados com este tipo de suposição. Também se dizia muito que a deposição da grande líder Dilma Rousseff traria o caos, que a cassação da presidente legitimamente eleita com 54 milhões de votos seria o ato final que traria o apocalipse. Não houve nada mais do que alguns extremistas de esquerda queimando carros e depredando o que viam pela frente, algo para qual nossas tropas de choque estão devidamente preparadas. É preciso lembrar que a movimentação teve vida curta. Estávamos próximos das eleições municipais, o que fez com que os extremistas esvaziassem seus atos por necessidades mais práticas: afinal de contas, eles tinham que se empenhar nas campanhas municipais. Foi quando os extremistas que gritavam Fora Temer enquanto lançavam coquetéis molotov pararam com os atos violentos para pedir votos para Marcelo Freixo e Fernando Haddad enquanto forçavam sorrisos e frases de amor e esperança. Que felizmente foram ignoradas pelo povo. 

Agora não será muito diferente. É verdade, se Lula for preso pode ser que alguns extremistas voltem às ruas com suas amostras grátis de fascismo tupiniquim. A julgar pelos que o acompanharam em Curitiba, já temos a certeza de que não serão muitos. Julgando pela desidratação recente da máquina petista, certeza de que só os crentes do culto vermelho irão para o ataque. Mas nós superamos, já que boa parte de nós irá às ruas para comemorar a concretização de um fato novo em nossa história: finalmente o responsável por uma tentativa de golpe de Estado irá para a cadeia.

Sendo assim, os ministros não devem ficar muito preocupados com os ânimos das ruas. Eles são favoráveis ao avanço da justiça e ao império da lei. O que o povo não deseja e não quer é que se faça naquela corte desacreditada uma reedição do espetáculo sórdido protagonizado por Ricardo Lewandowski no julgamento de Dilma no Senado Federal, quando o ministro liderou uma camarilha que manteve os direitos políticos da criminosa por meio de uma rasteira legal. Se os togados querem mesmo evitar a tal "convulsão social", deverão se portar com mais decoro para garantir que o chefe da organização criminosa pague por seus crimes na justiça. Já passamos por episódios lamentáveis, pelo calvário da crise fabricada pelo fantoche búlgaro e por um processo de depuração da política que expôs as podres entranhas do poder. E convenhamos, não é nada agradável ser o país do maior escândalo de corrupção da história do Ocidente. 

Nós legalistas desejamos que tudo corra bem. Que Lula continue contando com as garantias democráticas que ele próprio nega aos seus opositores, com os chamados "excessos de democracia". Exatamente como tem sido feito até agora. Mas que nenhum ministro se meta em conciliábulos para obstruir a justiça de dentro do STF. Mas há por aqui indivíduos impacientes que munidos de uma indignação legítima podem até perder a paciência com as instituições. Que a nossa corte historicamente acovardada se comporte com decência ao menos uma vez na vida, afim de que o país não mergulhe no caos e na desordem.


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