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Piada do dia: De maneira cínica, associações de imprensa reivindicam para si o monopólio da mentira



Hoje é dia da Liberdade de Imprensa. Em um país onde a atividade jornalística é alvo do autoritarismo dos coronéis, da sanha bolivariana, do ativismo judicial e do fascismo cultural (que se apresenta publicamente como "politicamente correto"), esperava-se que as associações de imprensa aproveitassem a ocasião para defender a liberdade de imprensa, que afinal de contas é um dos direitos humanos garantidos pela nossa Constituição de 1988. Mas não foi bem isso que fizeram. Preferiram atacar as redes sociais e a mídia alternativa usando o espantalho das fake news. 

No vídeo cômico postado hoje, afirmaram que "Nunca se precisou tanto da imprensa quanto agora". 

Essa é para acabar. 

Quem for muito inocente pode até comprar o embuste do vídeo, de que antes das redes sociais e da internet não haviam boatos contaminando o debate público. Ou que antes da democratização da mídia não havia divergências acirradas e polarização. Quem for muito inocente pode até acreditar que não há lado nesta grande mídia venal que se apresenta com pele de cordeiro. 

Diante de tudo o que temos visto nos últimos anos, enquanto nossos vizinhos da Venezuela amargam a escalada totalitária de um regime tirano, nossos jornalistas se preocupam mais em condenar a liberdade de quem dissemina conteúdo nas redes do que em refletir sobre o perigo de governos censores. É tudo muito vergonhoso. E imoral. 

O problema para o debate público não são as mentiras que o blog X comenta. A falsa notícia de intervenção militar, o falso laudo de Dona Marisa, a notícia histérica sobre o terror islâmico no Brasil - tudo isso fica longe da superfície. Outras notícias incorretas que tomam mais vulto também podem ser checadas, refutadas, corrigidas. Temos agências de checagens, grupos dedicados ao media watch. Mas isso de maneira alguma atrapalha a liberdade de expressão. Quem atrapalha a liberdade de expressão e o exercício da atividade jornalística são justamente estas corporações que criminalizam o jornalismo independente. São elas que desejam emplacar uma única versão, para como dizem, evitar a polarização. A armadilha é clara: uma vez que não exista o contraditório, qualquer mentira terá oficial. 

Repito sempre o episódio do BuzzFeed Brasil listando uma notícia verídica do Sul Connection como uma das fake news mais compartilhadas sobre a Operação Lava Jato. Também não esqueço do senhor Gilberto Dimesntein listando sites de Direita como veículos ligados a uma suposta rede de comandados pelo Movimento Brasil Livre. Qualquer um que verificasse, veria que nenhum dos veículos mencionados era baseado em boatos. Pois não se trata da defesa da verdade, mas sim do monopólio da mentira e da informação. 

O que ABERT, ANER e ANJ querem é garantir o direito que a grande mídia arroga para si, que é mentir o máximo possível de forma impune. Vimos isso nos Estados Unidos, com falsas acusações de que o candidato republicano venceu por conta da atuação das fake news. Como se não fosse a grande imprensa pró-Hillary que mentiu o tempo todo - inclusive sobre a falsa vantagem da democrata na disputa presidencial. Continuaram mentindo até a véspera da posse, quando o presidente eleito deu o pito mais que merecido na CNN e BuzzFeed. "You are fake news". 

O caso é que quem atrapalha o debate com suas mentiras é a grande imprensa. Quando falam que "um caminhão atropelou pessoas" em Berlim ou Nice para disfarçar a ação de terroristas acolhidos como refugiados, quando dizem que "ação da PM provoca confronto em morro" para omitir a ação de traficantes, quando disseram que "cerca de mil marcharam por intervenção militar na Avenida Paulista" ou que "a manifestação seguia pacífica até a ação de alguns poucos vândalos". São eles que mentem. O tempo todo. Ali a mentira é método e razão de existência. Essa preocupação com as notícias falsas nas redes sociais não é nem um pouco legítima, a menos que se considere a possibilidade da grande imprensa estar com medo da concorrência.

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