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O ministro Friboi e o procurador seletivo: algo de errado não está certo


Tempos estranhos em Brasília: um ministro do Supremo Tribunal Federal tira o sigilo de conversas entre uma ré acusada de corrupção (que é irmã de um senador acusado de corrupção). Mas não apenas sobre as gravações que apontam conteúdo criminoso. Ele retira o sigilo de tudo. 

Daí que em uma conversa irrelevante um jornalista conhecido por todos por inclinações partidárias é exposto e jogado aos leões. Não, não concordo com o Reinaldo Azevedo. Pontuo apenas que não houve nada nas conversas que já não fosse de conhecimento geral. Chama a atenção a sincronia entre este fato e a vergonha delação concedida aos irmãos criminosos Wesley&Joesley: praticamente um perdão judicial. É quando parte dos brasileiros começam a pensar: "Algo de errado não está certo".

A sociedade então se divide, dando mais razão os justiceiros de ocasião do que aos fatos que gritam de maneira ensurdecedora. As tais 2000 gravações deveriam ter sido destruídas pela equipe do procurador-geral da República que planeja um terceiro mandato. Já o juiz está um pouco mais enrolado: segundo o delator Ricardo Saud, o ministro Edison Fachin foi apontado para o cargo graças aos açougueiros criminosos da JBS, que "convenceram" alguns senadores a votarem no sujeito. "Convenceram". 

Recapitulando a história, veremos que Edison Fachin foi a nomeação mais contestada da história do STF. Nem Dias Toffoli passou por aquele purgatório, mesmo tendo sido advogado do Partido dos Trabalhadores. Fachin foi advogado do MST, e em tempos de internet se tornou alvo de uma campanha contrária sem precedentes. Acabou nomeado. Com o tempo o povo se esqueceu que ele foi nomeado por Dilma por meio de um processo polêmico. Assim como Rodrigo Janot, o PGR que só vê crimes na oposição ao petismo. Pesquisem no Google como este sujeito se comportou durante os anos de petismo. Nem falo do fato de ter sido nomeado por Dilma Rousseff, mas por não ter investigado Aloysio Mercadante quando este ameaçou Delcídio Amaral ou por ter ignorado qualquer possibilidade de denúncia contra Dilma Rousseff nos dois episódios em que a presidente cassada tentou obstruir a Justiça: o caso Cerveró e o caso Bessias. Por acaso Janot também arquivou o processo contra Lindbergh Farias, que pouco depois seria implicado na mesma operação pelos mesmos crimes que Janot disse que não aconteceram. A falha aqui não é apenas legal e política, mas sobretudo moral: ambos usam a Lava Jato como cortina de fumaça para suas manobras. Um finge que combate e o outro finge que julga com correção. Janot comete seus crimes e usa a honra da força-tarefa de Curitiba para se apropriar de créditos que não são seus (vide o exemplo das penas dos delatores lá e em Brasília). Enquanto isso Fachin se coloca como o insuspeito juiz que é o guardião da Lava Jato. Isso enquanto concede um perdão branco aos delatores da JBS.

Agora que sabemos que o ministro do STF foi produto de um conchavo entre a JBS e a classe política, reforçamos a tese de que o crime contra o sigilo de fonte praticado contra Reinaldo Azevedo não foi um acaso do destino, mas sim uma elaborada trama entre dois velhos serviçais do petismo. Ou alguém ainda será bovino o suficiente para acreditar que um ministro com selo Friboi de rapinagem não foi seletivo ao homologar uma delação esdruxula que basicamente livra os maiores corruptos do país em uma negociação longe de qualquer parâmetro já praticado na Operação Lava Jato? E Janot, porque não deixou que Sérgio Moro chegasse até os irmãos Batista? É fácil compreender suas razões. Se assim fosse, eles seriam presos, julgados e condenados. A delação poderia ou não vir, mas seria uma colaboração de fato. Não um desses projetos que escolhem a dedo seus alvos. Cabe a pergunta: Fachin continuará com a relatoria da Operação Lava Jato após sabermos que ela incluí exatamente os seus benfeitores? 

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