Ads Top

Lula sai de Curitiba muito menor do que entrou


Após a divulgação dos vídeos do depoimento de Lula ao juiz federal Sérgio Moro, o saldo positivo fica evidente. Mas não para o ex-presidente criminoso, e sim para a justiça e para a democracia brasileira.

Em primeiro lugar, ressalte-se o fracasso das mobilizações que deveriam levar os cinquenta mil sicários para Curitiba. Não passaram de 4 mil. Alguns lacaios disseram que a direita fracassou ao não levar números semelhantes para as ruas, mas é mentira: a esmagadora maioria dos que apoiam o trabalhado da Justiça estavam trabalhando.

Antes do depoimento, muito foi dito sobre o embate entre Moro e Lula. Narrativa que só interessa ao Partido dos Trabalhadores e suas linhas auxiliares. Sérgio Moro não é herói, embora Lula seja o vilão da história. Foi exemplar a serenidade do juiz. Tanto antes do julgamento quanto agora, evitou entrar em divididas desnecessárias com o réu. Porque é disso que se trata: Lula é o réu, Moro é o juiz. Só quem tenta politizar o processo são os que querem ver a perpetuação da injustiça e o provável retorno do plano autoritário.

Lula é covarde, mas não chegou a fazer feio no começo. Até que viu que Moro não se vergaria. Como é sempre repetido por aqui, Lula é um sujeito sagaz dono de uma mente brilhante (o que foi indispensável para o sucesso de seu empreendimento bolivariano até certo momento). Ele testou Moro de várias formas possíveis. Felizmente, errou em todas.

O untuoso advogado Cristiano Zanin Martins estava lá, fazendo as vezes de membro de torcida organizada. Em regimes democráticos, se reconhece o papel do advogado e o direito que todos os cidadãos têm a legítima defesa. Por óbvio, isso inclui Lula. Ocorre que Zanin não quer defender o seu cliente dentro da norma jurídica, mas sim vencer o caso no tapetão. Lembra em sua atuação colérica a a colega Ana Lúcia Assad, que defendeu o assassino Lindemberg Alves Fernandes (que matou a jovem Eloá Pimentel em 2008, praticamente diante das câmeras). Já faz algum tempo que Zanin deixou a militância no Direito para fazer militância política, opção que provavelmente está relacionada a falta de argumentos úteis para o réu Luis Inácio. O caso é que Lula poderia ter um destino melhor se encontrasse em sua frente um juiz desequilibrado ou alguém mais suscetível ao que ele e seus aliados táticos plantam na imprensa. Não foi o que se viu. Por mais que Lula tenha rugido, a própria movimentação de sua defesa na véspera mostrou o quanto ele queria evitar este encontro com a Justiça. As bravatas e ameaças contra os investigadores e o juiz poderiam ter resultado em uma postura tímida, tal como ele havia se conduzido em seu depoimento ao juiz Ricardo Leite, da 10° Vara Federal de Brasília. Ali ele deitou e rolou, fez graça e saiu cantando vitória. Hoje não.

Provavelmente seus defensores estão quebrando a cabeça para fabricar narrativas favoráveis. Moro enquadrou Lula de todas as formas possíveis, seja apresentando provas e depoimentos contundentes, seja situando o chefe da organização criminosa sobre qual é o papel desempenhado por cada um dos dois neste espetáculo. Se os lacaios esperavam ver o triunfo da impunidade, é quase certo que suas certezas sobre Lula diminuíram depois do dia de hoje. O chefe da organização criminosa saiu de Curitiba muito menor do que entrou. Sai menor politicamente, por conta da baixa adesão aos atos convocados pela extrema-esquerda e pela perda na capacidade de mobilização de militantes pagos. Sai também menor em suas narrativas e sua capacidade de influenciar o processo por meio da imprensa. E saiu menor também no processo que pode lhe custar a liberdade. Realmente se trata de um dia para ser esquecido.

Tecnologia do Blogger.