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Caso Wander Wildner: como a covardia valida o fascismo cultural


Polêmica durante uma apresentação do cantor Wander Wildner na Fatiado Discos. O texto é da Vice.

No último sábado (27), o show do gaúcho Wander Wildner na Fatiado Discos e Cervejas Especiais, localizada na cidade de São Paulo, acabou mal. De acordo com uma publicação da casa nas redes sociais, o músico teria feito declarações machistas e racistas, e teve seu microfone e amplificador desligados antes mesmo do término da apresentação.
Segundo a Fatiado, o cantor teria dito ao microfone a frase: "Já que nenhuma vadia me traz uma cerveja...". A postagem acabou sendo deletada, mas cravou que ele não seria bem-vindo ali novamente. "Nosso recado foi dado e repercutiu rapidamente. Além disso, nossa intenção era mais dar uma satisfação para as pessoas que não entenderam o ocorrido do que promover um linchamento virtual", respondeu a organização da Fatiado Discos para o Noisey. A tal declaração racista teria sido direcionada a uma pessoa específica que não estava presente na casa. "Portanto, consideramos uma exposição desnecessária", informaram.

Uma frase que é apenas irreverente foi classificada como algo monstruoso (a Vice ainda trata de carregar nas tintas para defenestrar ainda mais o sujeito). Para completar, ainda acusaram o sujeito de racismo. Vejam só o padrão: não basta acusar o cara de ser machista. Para retratá-lo como um renegado indigno de qualquer pena ou condescendência, atribuem junto o rótulo de racista. Curiosamente ninguém menciona a tal frase racista, o que torna real a possibilidade dela nunca ter sido proferida. A intenção de rotulagem é clara e o objetivo de transformar o sujeito em um leproso moral é alcançada com sucesso.

Daí vem a reação do artista:


Em sua página oficial, Wander Wildner, que ficou conhecido ainda na década de 80 com a banda punk Os Replicantes, chamou o ocorrido de "mal entendido". "É inegável que não sou racista nem machista. Quem me conhece sabe. Sinto muito se o que falei foi mal interpretado", publicou. E ainda fez um voto de silêncio para as próximas apresentações. "De agora em diante, nos shows, vou apenas cantar as músicas."



Sim, o valente punk dos Replicantes se acovardou diante de uma militância composta majoritariamente por adolescentes crescidos, hipster sustentados pelos pais e moças de cabelos coloridos. Diz que errou e que fará voto de silêncio. Uma covardia sem precedentes, sobretudo porque as acusações contra ele eram tão vazias quanto um saco de batatas Ruffles.


Em primeiro lugar, é bom pontuar que o politicamente correto se trata na verdade de fascismo cultural. Em segundo, que seus militantes trabalham por meio do ilusionismo, transformando pequenos fatos em quimeras fantasmagóricas. E praticam o gaslight, uma forma de assédio psicológico no qual informações são distorcidos, inventados ou omitidos para favorecer o abusador segundo definição do Oxford Dictionary. Como não poderia deixar de ser, é utilizada por sociopatas e narcisistas. E também muito empregada na política, como aponta o Bryant Welch no livro State of Confusion: Political Manipulation and the Assault on the American Mind. A intenção é fazer a vítima duvidar de sua própria memória, percepção e sanidade. A prática é recorrente. Recentemente vimos a Academia do Oscar se curvar ao fascismo cultural dos que acusaram a entidade de ser racista, mesmo sendo de conhecimento público que a própria presidente da entidade era negra (trata-se de Cheryl Boone Isaacs). Também aconteceu o mesmo com a cantora Mallu Magalhães, acusada de racismo por colocar negros em um clipe. Também vemos isso quando militantes e porta-vozes do petismo acusam a Operação Lava jato de não ter provas, quando acusam a força-tarefa de praticar perseguição política ou quando determinam que de agora em diante tudo favorece o petismo. A pantomima costuma ser tão elaborada que alguns acabam se curvando aos caprichos dos fascistas, validando suas teses mentirosas. 

No caso de Wander Wildner, a decepção não é tanta por se tratar de um sujeito de esquerda que declarou voto em Dilma Rousseff. Ele está acostumado a condescender com a truculência, com a corrupção e com o autoritarismo. O que fez ao divulgar sua nota não é diferente do que faz com sua cidadania. O problema aqui é que Wander Wildner não valida apenas o poder de uma patota sobre si mesmo. O que ele faz é validar o poder de uma seita sobre toda a sociedade ao contribuir com mais uma vitória do fascismo cultural.

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