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As vantagens do pessimismo



Por Renato Battista

No livro As vantagens do pessimismo e o perigo da falsa esperança o filósofo inglês Roger Scruton, defende que as maiores ameaças a sociedade vieram de pensamentos otimistas e contumazes idealistas, seja de direita ou de esquerda. Scruton acredita que o ser humano não é perfeito, e partindo deste pressuposto óbvio que os idealistas costumam fechar os olhos, o filósofo acredita que o otimismo irresponsável deve ser substituído por um pessimismo responsável para examinar as questões que afetam a sociedade atual.

Scruton crítica o “cientificismo” que pousava de “dono da verdade”, e que assim o fazia em nome da razão. Esse é um dos pressupostos dos otimistas para convencer a opinião pública: a falsa especialização. Sempre haverá algum especialista apoiado por todo o aparato de pesquisa e erudição, cheios de conceitos e agendas tornando impossível refutar suas pseudoteorias. Veja alguns exemplos citados por Scruton:

A “liquidação dos kulaks” foi justificada pela “ciência marxista”, as doutrinas racistas dos nazistas foram propostas como eugenia científica, e “O Grande Salto para o Futuro” de Mao Tsé-Tung foi considerado a simples aplicação de leis comprovadas da história. Naturalmente, a ciência era falsa. ¹

Após essa dose de otimismo inescrupuloso, muitos autores da nova esquerda, como Jean Paul Sartre, diziam que o comunismo deveria ser julgado por suas intenções e não por suas ações. Sartre disse isso após “descobrir” documentos irrefutáveis sobre os campos de concentração na URSS, essa era uma verdade de conhecimento comum há mais de 20 anos. Ora, nada mais tacanho do que, após acreditar no otimismo inescrupuloso, justificar a sua falha creditando as suas ações e não as suas intenções.

Desta maneira, a esperança não se torna mais uma virtude pessoal e sim um mecanismo que cria soluções e tristeza em exaltação. A natureza humana nos mostra que o único aperfeiçoamento sob nosso controle é o aperfeiçoamento de nós mesmos. Tal como na distopia de Aldous Huxley (Admirável Mundo Novo), os otimistas acreditam que surgiria um ser humano que transformaria toda a imperfeição humana no que há de mais perfeito. Contudo, Huxley nos deixa uma grande lição: Que a fonte mais importante do valor humano e que justifica nossa existência, é a capacidade de amar.

Roger Scruton faz considerações acerca da sociedade civil e a relação com o pessimismo, separando a atitude do “eu” e do “nós”. O “eu” busca aperfeiçoamento, enquanto o “nós” busca a acomodação. O “nós” reconhece os limites e as restrições, reconhece o que não conseguimos progredir e cria a estrutura que concede significado ás nossas esperanças. Scuton acredita que uma das funções da religião seja neutralizar o otimismo.

Ao abordar a falácia da soma zero e do planejamento, Scruton baseia suas críticas nas refutações sobre planejamento central teorizadas pelos economistas austríacos. Liberdade e moralidade são dois lados da mesma moeda.

Se duas frases fossem capazes de resumir esta obra de Roger Scruton, a primeira seria de Eric Voegelin: “Não tente construir o Céu na Terra”. A segunda seria do historiador Robert Conquest e as “três leis da política”, dentre elas, a primeira declara que “todos são de direita com relação àquilo que conhecem melhor”.

 ¹ SCRUTON, Roger. As vantagens do pessimismo e o perigo da falsa esperança, p.9

Renato Battista é bacharel em Relações Internacionais, ativista político e assessor parlamentar.


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