Ads Top

Ao vazar conversas privadas para perseguir críticos, Janot emporcalha a PGR e dá razão aos que o acusam de golpista


Hoje Rodrigo Janot avançou contra um dos pilares da democracia, que é a liberdade de imprensa. Cito nominalmente o sujeito pois é ele o Procurador-Geral da República. A essa altura todos sabem que o aspirante a tirano anexou uma gravação contendo uma conversa privada entre Reinaldo Azevedo e Andreia Neves aos inquéritos que move contra Aécio Neves. A conversa vazada tratava de amenidades, mas incluía uma crítica de Reinaldo a Veja. Diante do vazamento, o jornalista pediu demissão da revista na qual mantinha seu blog há doze anos. Consta também que deixou a rádio Jovem Pan. 

Certas coisas devem ser desenhadas para melhor compreensão dos tolos: não é preciso ser fã do Reinaldo para compreender a gravidade desta ação arbitrária praticada pela PGR. Não é preciso concordar com alguns absurdos ditos por ele em relação a força-tarefa da Operação Lava Jato para entender que ele é a vítima da história. Nem é necessário ter simpatias pela elite tucana para entender a jogada suja de Janot: o Procurador-Geral da República enlouqueceu. 

Este tipo de comportamento não deve ser celebrado, seja contra quem for. O autor deste blog, por acaso, é amigo de políticos. De lideranças de movimentos sociais, de autores e agentes do mundo político. Uma sujeira dessas pode ser feita contra mim. Quem lembra da perseguição movida por Gilberto Dimenstein contra este e outros blogs de Direita há de se lembrar do possível estrago causado pela ação de um fascista com delírios de grandeza. Agora imaginem se este fascista tem em suas mãos o poder do Estado.

É o caso de Janot, que tem sido retratado por alguns como um justiceiro. Não é o caso de Janot pois se supõe que justiceiro é aquele que pratica qualquer tipo de arbitrariedade em nome da justiça (o que acaba invalidando a natureza final de suas intenções). Janot é muito mais sórdido: ele pratica injustiças para perpetuar injustiças e acobertar a barbárie. 

Vejam o caso de Reinaldo: é verdade, o ex-blogueiro da Veja se tornou um inimigo não declarado da Lava Jato. Janot foi o contrário: próximo do petismo e alçado ao cargo por Dilma Rousseff, viu no êxito da turma de Curitiba uma excelente oportunidade. Foi quando passou a usar o cargo para fustigar os inimigos do Partido dos Trabalhadores. Virou jagunço do petismo. Primeiro foi Eduardo Cunha: bastou o presidente da Câmara se estranhar com Dilma para ver os dentes de Janot cravados em seu calcanhar. Janot montou uma verdadeira operação de caça ao Cunha, que resultou em três inquéritos formulados em escala industrial. Cunha era corrupto, todos sabemos. Mas Dilma também era. Janot não pediu inquérito nenhum contra ela. 

Motivos não faltaram: conspiração para soltar Nestór Cerveró, conspiração para nomear Lula ministro da Casa Civil e tirá-lo das mãos de Sérgio Moro, caso Pasadena, pedaladas... Dilma se tornou um teflon aos olhos de Janot. Depois veio Michel Temer. O procurador passou a exigir que se aplicasse ao vice as regras que ele nunca aplicou a titular da chapa. 

Reinaldo retrucou. Mas o blogueiro errou ao não interpretar corretamente os fenômenos: disse que eram os meninos de Curitiba que estavam em uma empreitada fascista. Não, Reinaldo: o chefe era o mandante. Pior: usando o saldo positivo da força-tarefa de Curitiba para camuflar suas intenções. Se valendo de fontes no jornalismo, Janot se guiou exclusivamente por sua ambição e por sua loucura. Se antes era só oblíquo, cínico e dissimulado, passou a perder a sutileza e partir para o descaramento pornográfico. Antes meticuloso, deixou de rodeios para admitir coisas como gravações ilegais em inquéritos, prisão de senador que possuí foro privilegiado, prisão de um presidente da República e agora o vazamento premeditado de gravações para retaliar seus críticos. Notem: ele só faz isso com adversários do partido. Nesta versão dantesca, a Capitu trai o Bentinho e faz questão que todos saibam. Janot agora incluí em inquérito uma conversa que não acrescenta nada aos autos do processo. Apenas por sadismo.

Janot conseguiu o impossível, que era ultrapassar seus próprios padrões de imoralidade. Figura andrajosa, ainda teve o cinismo de dizer mais cedo que "temos que ceder em troca dos ganhos que teremos" com suas empreitadas golpistas. Foi em um artigo no UOL em que ousou debochar de nossa inteligência e dignidade para defender aquele acordão com os criminosos Wesley & Joesley Batista. Talvez Janot estivesse se referindo aos seus parceiros petistas ao falar "que temos que ceder em troca dos ganhos que teremos". Pois só eles estão ganhando com essa aventura golpista. 

Voltando aos áudios de Reinaldo, não há outra escolha que não a defesa da liberdade e da democracia. Goste ou não dele, é inadmissível ter uma conversa pessoal vazada por ter exercido a liberdade de expressão. Apontar o tucanismo de Reinaldo não é admissível aqui: isso não é crime. Reinaldo tampouco foi vítima por ser tucano. Se Reinaldo feriu a ética? Não. Uma coisa que ele nunca fez foi esconder suas inclinações políticas, motivo pelo qual o autor deste texto não o lia nem o ouvia há algum tempo. Para ficar ainda mais claro, esta conversa é totalmente diferente do grampo entre Lula e Mino Carta. Quem se lembra há de rememorar o infame Luis Inácio ditando o que o ancião da Carta Capital deveria escrever sobre a Lava Jato e manifestações anti-PT. Também é diferente porque Reinaldo não recebeu nenhum tostão de quem ele defendia. O caso é que Janot quis assassinar a reputação de Reinaldo, indicando a suposta sombra de um crime que não houve. 

Janot conseguiu o que parecia impossível, que é fazer muitos críticos darem razão ao mais inflamado crítico não-petista da Lava Jato. Agindo com a truculência de um coronel, Janot reforçou na prática o que foi dito no artigo no UOL: no fim das contas, é ele quem manda. Não é verdade, canalha. Existe tanto uma Constituição quanto um código de ética que deve ser seguido pelos procuradores da República e pelo chefe da PGR. Janot emporcalha a instituição com sua presença asquerosa e com seu fascismo inescrupuloso, talvez inebriado por paixões políticas ou apenas querendo o tão sonhado terceiro mandato. Não importa. O fato é que se fosse homem teria renunciado ao cargo por muito menos. Como é um golpista agindo em prol da agenda petista, provavelmente irá mais uma vez defender seu suposto direito de cometer ilegalidades. 

Antes que digam que este artigo é uma ofensa ao golpista travestido de procurador, lembrem-se: dias atrás Lula afirmou que poderia prender críticos e investigadores caso fosse reconduzido a presidência. Hoje no UOL foi a vez de Janot: afirmou que ele pode rasgar a lei de acordo com suas interpretações casuísticas. Ou seja: quando ele quiser. Este cabo Bruno vitaminado não é diferente de Nicolas Maduro, Fidel Castro ou qualquer outro monstro totalitário. 

No que diz respeito a este blogueiro,
#ForaJanot
Tecnologia do Blogger.