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A estupidez fascista: cineastas retiram seus filmes do mostra pernambucana em protesto contra documentário sobre Olavo de Carvalho


Um amigo pernambucano me mandou uma notícia que se não chega a ser exótica, mostra como se dá o pensamento totalitário da extrema-esquerda. Está no Jornal do Commércio.

Cineastas retiram seus filmes do Cine PE como forma de protesto

A presença do documentário sobre Olavo de Carvalho, filósofo conservador, foi estopim para a saída

Mais bizarro foi a explicação dos radicais que deixaram a mostra:

Decidimos tornar pública a decisão, conjunta, de retirar nossas obras da seleção do XXI Cine PE Festival Audiovisual, a ser realizado entre os dia 23 e 29 de maio de 2017, na cidade de Recife. Apenas no dia 08 de maio, através de veículos de imprensa, tomamos conhecimento da grade completa dos filmes que foram selecionados para o festival.Constatamos que a escolha de alguns filmes para esta edição favorece um discurso partidário alinhado à direita conservadora e grupos que compactuaram e financiaram o golpe ao Estado democrático de direito ocorrido no Brasil em 2016. Para nós, isso deixa claro o posicionamento desta edição, ao qual não queremos estar atrelados.Reconhecemos a importância do Cine PE Festival Audiovisual, do qual muitos de nós já participaram em edições anteriores. Esperamos poder participar de edições futuras e mais conscientes, condizentes com sua grandeza histórica e relevância para a formação de público do cinema brasileiro.


Agora segurem esta: olhem os articuladores do boicote: entre eles está um tal Sávio Leite. Olhem o filme dele na mostra:


Cintia Domit Pittar/“A Menina Só” – Santa Catarina
Arthur Leite/“Abissal” - Ceará
Leo Tabosa/“Baunilha” – Pernambuco
Gabi Saegesser/“Iluminadas” - Pernambuco
Eva Randolph/“Não me Prometa Nada” - Rio de Janeiro
Petrônio Lorena/“O silêncio da Noite é que tem sido testemunha das minhas amarguras”


 Pernambuco
Sávio Leite/“Vênus – Filó a fadinha lésbica” 


Vamos por partes: em primeiro lugar, este autor é eterno defensor da estratégia do boicote. É um método pacífico, não há que se condenar esta forma de protesto. Até porque ele funciona da seguinte forma: se há mérito, são grandes as chances da causa ter adesão. Do contrário, cairá no ridículo. Que parece ser o caso desta intifada engendrada na mostra pernambucana. 

Os cineastas argumentam que "a escolha de alguns filmes para esta edição favorece um discurso partidário alinhado à direita conservadora e grupos que compactuaram e financiaram o golpe ao Estado democrático de direito ocorrido no Brasil em 2016". Mas vejam só: o único filme que esbarrava em um discurso próximo do conservadorismo é justamente o documentário sobre Olavo de Carvalho. Portanto não há escolha de alguns filmes para favorecer visão alguma. O que há é um filme escolhido com base nos méritos técnicos ou artísticos da obra, ou no debate que ele suscita. E do outro lado alguns extremistas que não aceitam a existência de outras visões de mundo. 

Sim, não se pode falar em favorecimento de visão ideológica ou partidária. Do contrário não haveriam dez diretores de esquerda contra um único documentário alinhado com a direita. Além da matemática básica, temos a questão de que não houve golpe algum. Quem de fato conhece Olavo de Carvalho sabe que o autor sempre defendeu a tese de que o impeachment não era a solução para o país (o fato despertou grande debate e divergência entre as direitas). Sendo assim, os tais cineastas devem ser criaturas muito burras que abandonaram um festival atoa e aumentaram as chances do tal documentário que eles chamam de reacionário vencer pela diminuição do número de concorrentes. Ou então são vigaristas que criaram um auê para promoverem seus filmes por meio da polêmica. Podem também ser fascistas que não aceitam conviver em um mundo com visões contraditórias. Como se trata de mais de um sujeito na equação, aposto as duas últimas alternativas. 

Sugiro a quem tiver tempo livre que pesquise mais sobre os diretores que articularam o tal boicote. Todos fazem parte da beautiful people. São os que vivem falando em amor, tolerância e democracia - mas que defendem ditadores carniceiros e corruptos com pretensões autoritárias. São os que defendem a ideologia do genocídio e o diálogo na ponta do fuzil. São os fascistas que pedem mais amor. Não há nada de novo aqui, apenas a velha esquerda que se finge de nova mostrando que cultua o mesmo ódio dos antigos. 

Em tempo, parabéns aos diretores Josias Teófilo e Daniel Aragão. Fizeram um filme sem dinheiro público, contrariando a ordem vigente no meio artístico brasileiro - de que arte deve ser fomentada por dinheiro do contribuinte. Mais ainda: fizeram alguns fascistas mostrarem sua cara. Em que se pese as divergências deste blogueiro com o personagem do documentário, não se pode negar suas contribuições para o debate político. Principalmente despertando tamanha atenção por parte da extrema-esquerda.

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