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"Por que o povo não saiu as ruas depois da divulgação da lista do Fachin?" é o mais novo golpe na praça


Um novo golpe retórico começa a tomar corpo no debate político brasileiro. Atingidos em cheio tanto pela lista de Edson Fachin quanto pelos inquéritos de Sérgio Moro e revelações da delação da Odebrecht, os agentes da extrema-esquerda rapidamente se recuperaram da pancada emplacando seu novo golpe, que provavelmente será o hit desta estação. Reside em uma pergunta aparentemente ingênua, que é tão ordinária quanto imbecil: "Por que o povo não sai às ruas depois da divulgação da lista do Fachin?"

De acordo com minhas lembranças, a primeira vez que esta pergunta cretina foi formulada no Estadão pelas mãos do jornalista Igor Gadelha. Sabe-se lá por qual motivo, o articulista pariu a seguinte manchete: "Ligado ao DEM, MBL não pretende protestar contra políticos da lista de Fachin". Nas poucas linhas, o escriba adota um tom bocó ao mencionar os nomes de políticos do DEM atingidos pelas investigações. Arremata afirmando que o movimento é ligado ao partido, razão que pesou pela não mobilização.

É claro, os jornas do  Brasil devem ser os piores do mundo. De início, um jornalista do mesmo Estadão publicou que o MBL e demais movimentos haviam marchado na Paulista pedindo "Intervenção Militar". Seu nome era Ricardo Chapola. O texto que ele publicou no Estadão era exatamente igual ao publicado pelo jornalista Gustavo Oribe, da Folha de São Paulo (e seu amigo pessoal). Ambos militantes de extrema-esquerda conseguiram a proeza de entrevistarem o mesmo sujeito, um intervencionista. Por pouco não repetiram as mesmas vírgulas. Depois disseram que o movimento era financiado pelos irmãos Koch. Os bilionários financiavam os movimentos via Estudantes pela Liberdade. Mais tarde, o consórcio golpista Folha/UOL "revelou" que MBL e Vem Pra Rua estavam trabalhando com parlamentares pró-impeachment, incluindo um valor de impressão de panfletos. O problema é que a notícia havia sido divulgada uma semana antes pelos próprios movimentos. Seja como for, a narrativa mudou: MBL era PMDB. Depois virou PSDB, para se tornar DEM na pena do grande Igor Gadelha. O gênio descobriu que o MBL é uma quimera.

Seja como for, as sementes lançadas ali surtiram efeito. Logo começou a correr a pergunta: por que o povo não vai as ruas protestar contra os políticos da lista de Fachin? Por que os movimentos não convocam atos? É a deixa para que sociólogos, jornalistas e analistas de extrema-esquerda espalhem a desinformação. O Jornal da Cultura exibiu uma matéria com este teor na segunda-feira, enquanto o Estado de Minas, Istoé e Brasil 247 repetiram a narrativa engendrada por Igor Gadelha. Uns apostam na desmobilização das ruas, outros investem na tese de que as pessoas estão arrependidas por terem constatado que a corrupção não acabou após a queda de Dilma Rousseff (alguns ainda douram a pílula afirmando que a percepção é de que hoje tudo está pior). Há até os que se empolgam com a mentira afirmando que o povo perdeu a esperança. A pergunta principal não foi feita ainda: Por que diabos alguém vai protestar contra a corrupção quando as investigações da Operação Lava Jato caminham em pleno vapor? 

Cazzo! Seremos todos imbecis monopolizados como os eleitores de Gleisi Hoffmann? Não é possível que nos ofendam com questões tão imbecis. Aliás, é bom que se diga: em nenhum país do mundo os cidadãos protestaram após a divulgação de uma lista que resultará na abertura de inquéritos. Qual é o sentido disso? Os petistas sim, estão protestando. Para eles, a Lava Jato é golpe. Mas isso não parece chamar a atenção dos analistas que nos tomam por bovinos. Nenhum deles se pergunta porque o Partido dos Trabalhadores ainda tem ardorosos simpatizantes mesmo após tantas revelações. Ao contrário, preferem chamar de idiota quem não banca o palhaço. 

A intenção aqui é clara. Querem não só deslegitimar as manifestações pelo impeachment acusando a maioria da população de praticar indignação seletiva, como querem investir da tese de que vivemos o caos. Ao contrário, o Brasil vive uma lenta retomada da democracia e da funcionalidade das instituições. Para que marcar protestos? Eles sabem disso, mas tentam usar nossos próprios valores contra nós, tal qual o lutador que usa o peso do oponente contra o adversário. Mas há como frustrar estes canalhas com algumas perguntas bem objetivas: 


  • Por que os petistas continuam falando em golpe e perseguição política após as revelações dos crimes de Dilma e Lula na Operação Lava Jato? 
  • Por que a extrema-esquerda insiste em atacar os membros da força tarefa da Operação Lava Jato? 
  • Por que a imprensa não questiona o discurso raivoso da extrema-esquerda contra a Lava Jato? 
  • Se o caso é para indignação e o MBL não possui monopólio das ruas, por que a extrema-esquerda não toma a frente e convoca manifestações contra os políticos da lista do Fachin? 
  • Por que não se cobra dos militantes da extrema-esquerda o mesmo que se cobram de cidadãos brasileiros comuns, como o apoio as investigações e manifestações contra a corrupção de todos os partidos? 
São perguntas simples, que jamais serão respondidas pela extrema-esquerda. Eles apoiam a corrupção, abominam a justiça e a democracia. No que dependesse deles, Moro já estaria preso ou morto. Quando eles perguntam da ausência da corrupção, estão repetindo o manjado jogo do "Mas e o Cunha?". É bom deixar claro para estes canalhas: golpistas apoiadores de criminosos e admiradores de ditaduras, não passarão!


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