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Os mesmos que dias atrás defenderam Maduro estão reclamando da repressão policial aos protestos violentos do dia 28

Nacho Doce/Reuters

Nos protestos da extrema-esquerda, baixa adesão popular apesar dos transtornos causados nas grandes cidades. Boa parte dos que não foram trabalhar ficaram em casa após a sabotagem aos transportes públicos, aos piquetes e ameaças dos radicais contra os cidadãos. Eles já sabiam de antemão que sua demonstração fascistoide não contava com nenhum apoio do governo, por isso partiram para a barbárie.

Ocorre que os atos vêm sempre acompanhados de duas reações: os radicais espalham o terror assim que colocam os pés no asfalto. Se as autoridades reagem empregando a força necessária, eles se fazem de vítimas por meses. Caso a PM permita que a escória circule com liberdade, eles irão quebrar mais ainda. Partirão para a agressão, depredação e até morte (Santiago de Andrade ainda não foi esquecido, nem o coronel Reynaldo Simões. Menos ainda todos os outros policiais militares feridos quando enfrentam os vândalos). 

Quem conhece o The Clash sabe qual é a lógica dessa gente, "Should I stay or should I go". Quando os extremistas saem as ruas, não querem ponderar ou reivindicar o que quer que seja pacificamente (até porque se fosse este o caso, não seriam extremistas). A mensagem está expressa na máxima "Devo ir ou devo ficar?/Se eu for haverá problemas/E se eu ficar será em dobro". 


Ocorre que neste caso em particular, há o fato de que estes radicais apóiam outros radicais mundo afora. Radicais que ao contrário deles, estão no poder. Fazendo com os opositores coisas piores do que o próprio regime militar brasileiro já ousou. Olhem para a Venezuela. Não são meras balas de borracha ou bombas de efeito moral em quem está saqueando lojas contra medidas necessárias de um governo democrático. É o contrário. É um regime autoritário lançando granadas contra manifestantes desarmados, jogando tanques sobre civis indefesos. São tropas truculentas obrigando cidadãos a se jogarem em um rio poluído. São estupros de jovens de ambos os sexos pela Guarda Bolivariana, prisões arbitrárias, multidões dispersas com balas de verdade. É o povo revirando o lixo em busca de comida, são miseráveis cruzando a fronteira com o estado de Roraima. São mães e pais que já não sabem como será o futuro de seus filhos em um país mergulhado na miséria e no caos institucionalizados pelo Partido Socialista Unido da Venezuela. 

Por lá, grupos marginais semelhantes aos que queimam pneus e atacam policiais e jornalistas também atuam de maneira contundente. Também atacam jornais, emissoras de tv, empresas privadas e comércios. Mas estão ao lado do governo, defendendo o totalitarismo em caráter oficial. Também atacam a população, mas não com paus e pedras e sim com fuzis e pistolas gentilmente cedidos pelo governo. Ao contrário do que disse certa vez o jornalista Reinaldo Azevedo, o desarmamento civil é uma realidade na Venezuela. Talvez o analista tenha confundido as milícias chavistas com o povo, já que eles recebem concessões especiais para cumprirem a inglória missão de tratar seus compatriotas como gado.

Um dos que apóiam o regime de Nicolas Maduro é o deputado Glauber Braga, do PSOL. Na semana passada ele gravou um vídeo junto com parlamentares do PSOL, PT e PCdoB em solidariedade ao carniceiro de Caracas. No dia 28 reclamou junto com seus sicários por ter sido atingido por uma bala de borracha em um ato violento no Rio. Luciana Genro, Gleisi Hoffmann, Jandira Feghali, todos estes defendem Maduro. Todos eles reclamam de algumas biribinhas que a PM lança sobre os adolescentes criados a leite com pera que abraçam o socialismo por estarem acostumados com uma vida fácil.

É claro, polianas dirão que se trata da mesma coisa. É uma mentira deslavada, que só pode ser encarada como visão de realidade alternativa ou fraude intelectual. Os venezuelanos que protestam reivindicam democracia. Os que destroem as cidades no Brasil desejam o autoritarismo. Traçar qualquer semelhança entre um e outro é uma ofensa não só a nossa inteligência, como um ato desumano para quem é fustigado pelo chicote de Maduro. Ali são trabalhadores, estudantes, empresários, ativistas de amplo espectro político que vai da social-democracia até partidos conservadores de inspiração religiosa, todos pela democracia. São ricos e pobres, libertários e conservadores, ativistas gays e cristãos conservadores. Por aqui não, só uma massa de inspiração quase maoísta que inveja o sucesso de Hugo Chavez em transformar um país livre em sucursal de Havana.

Seja como for, quem defende as cores vermelhas por aqui também apóia este e outros tantos regimes cujo poder se baseia no sangue inocente derramado, no coturno no pescoço do manifestante e no diálogo na ponta do fuzil. Como disse o professor Mauro Iazi quando parafraseou Bertold Brecht em um congresso da Conlutas, os bons cidadãos merecem "bom paredão, uma boa espingarda, uma boa bala, uma boa pá e uma boa cova". Suplente do PSOL na Câmara de São Paulo e também apoiadora dos diversos regimes ditatoriais de esquerda, a feminista Isa Penna já resumiu: " É o ódio enquanto sentimento revolucionário que nos move. Sonhamos com um mundo onde eles não existam, onde movimentos como os deles não existam." Se há algo que eu aprendi com a extrema-esquerda é a estratégia política eficaz. De Saul Alinsky tiro a lição mais preciosa expressa em sua quarta regra: submeta o seu inimigo ao seu próprio livro de regras. Sendo assim, podemos concluir que quem apóia os regimes vigentes em Cuba, Venezuela e Coreia do Norte (sim, teve gente no dia 28 que desfilou com bandeira do país mais fechado do mundo), não é coerente reclamar de repressão. Até porque o que há por aqui não é repressão policial, posto que vivemos em um regime democrático. Tão democrático que é combatido por quem marcha ostentando os símbolos da ideologia que produziu cem milhões de mortos. 

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