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O petismo esperava nivelar todos os crimes para se sair bem da lista da Odebrecht. Mas parece que não combinaram com Moro


Desde que as delações da Odebrecht se tornaram uma realidade, os agentes do petismo passaram a trabalhar uma elaborada narrativa que consistia em nivelar todos os partidos como igualmente sujos. Feito isso, o PT e seus simpatizantes passaram a repetir por aí que o PT não poderia ser demonizado por não ter feito nada que outros não fizeram. Ontem mesmo era o ex-jornalista Gilberto Dimenstein que repetia essa história. Pois bem, para variar é mentira. 

Ainda ontem, comentei que neste caso o PT era o dono do morro, sendo que os demais eram apenas aviõezinhos e vapores do tráfico. Ambas as práticas são criminosas, mas uma se qualifica como hegemônica. Era o PT quem liderava o esquema por meio da mão rígida de Lula. Era o PT que aliciava parlamentares e partidos, era o PT quem detinha o controle sobre os cofres públicos. Foi o PT o maior beneficiado, tendo vencido ao menos três eleições presidenciais com recursos ilícitos. Não se pode igualar isso ao parlamentar ambicioso que abraçou a corrupção. O PT fez pior, já que pretendeu estabelecer uma espécie de Reich de Mil anos com base no aparelhamento de Estado. O PT não traiu apenas a ética: o PT traiu a democracia. 

Daí é que entra Sérgio Moro. Enquanto os storytellers do petismo tentavam usar a cabeça de outros envolvidos para aliviar para o partido do plano criminoso de poder, o juiz da Lava Jato derrubou o sigilo sobre as delações de Marcelo Odebrecht e Alexandrino Alencar. Vimos pela primeira vez tudo o que foi dito sobre Lula, Dilma Rousseff, Antonio Palocci, Guido Mantega e até Fernando Haddad. 

Não ficou pedra sobre pedra. Lula já havia se habituado a correr pelo Brasil repetindo a frase que Deltan Dallagnol nunca disse: "Não temos provas, mas temos convicção". Para o azar dele e de seus subalternos, há uma enorme quantidade de provas obtidas pela investigação. Desde o enriquecimento ilícito de filhos e do sobrinho até negociações criminosas envolvendo a ditadura de Angola e repasses do BNDES, vendas de medidas provisórias e planos de fraudar o processo eleitoral por meio da entrega do dinheiro público aos interesses do oligopólio da construção civil. 

Agora não há como repetir que não há provas contra Lula, ou que os outros roubaram tanto quanto o chefe da organização criminosa e seu partido. A título de comparação, o PT tem 21 parlamentares indiciados. O PMDB tem, enquanto o terceiro tem 13. Enquanto os petistas e linhas auxiliares trabalhavam com a tese de que a maioria faz parte da base do governo, Moro jogou na mesa de que esta base atual é majoritariamente oriunda do antigo governo. Sobre Lula, ficou claro seu papel de liderança. E quem contou foi o próprio Marcelo. 

Durou muito pouco a festa dos petistas, que até então fingiam que não haviam feito nada demais. Tanto que o clima de generalização cedeu espaço para as velhas acusações de golpe e perseguição política. Significa que a tese inicial de generalização não colou. Só quem ganhou é a sociedade, que poderá julgar tanto os corruptos mercenários quanto os golpistas que quiseram se perpetuar no poder por meio de suas articulações criminosas.

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