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Atingidos pela pressão da sociedade, nomes do PSOL começam a retirar o apoio ao ditador Maduro


Um fenômeno curioso (mas previsível) começa a tomar corpo no seio da extrema-esquerda brasileira: como o golpe bolivariano não repercutiu bem no Brasil, os radicais que antes davam sustentação ao discurso de Nicolas Maduro por estas bandas começaram a recuar. O senador Randolfe Rodrigues (hoje na Rede) e o deputado federal Jean Wyllys já publicaram textos condenando o golpe, enquanto Luciana Genro veio a público para dizer que "Maduro está expressando a desfiguração e até a degeneração do processo revolucionário venezuelano". A direção do PSOL foi ainda mais longe: apagou de seu site um texto elogioso ao ditador recém oficializado pela corte bolivariana. Puro cinismo. PT e PCdoB, por sua vez, estão mais reticentes em se pronunciar. 


É bom ir além das intenções alegadas, destacando as ideias defendidas. No caso do PSOL, observem a sutileza: o partido que prega censura, revisionismo, espoliação estatal e o sonho bolivariano se manifesta por meio de sua principal liderança para falar em "degeneração do processo revolucionário", o que não passa da velha máxima da suposta "deturpação do socialismo". No mesmo texto, Luciana diz o seguinte:
Assim são as revoluções: ou seguem ou congelam. O congelamento é sua morte. O congelamento foi a marca de Maduro. Mesmo com críticas, apoiei o processo revolucionário, do qual o povo foi o principal protagonista, e que conquistou uma das Constituições mais democráticas da América Latina. Com a morte de Chávez e a eleição de Maduro, os traços autoritários de um governo com excessivo peso das Forças Armadas se aprofundaram.
Notem o embuste: os traços autoritários de um governo com excessivo peso das Forças Armadas que Luciana aponta estão presentes desde os tempos de Cháves, que na verdade era Coronel Hugo Chavés Frías. Foi ele quem desenhou as feições truculentas do regime bolivariano. Maduro não. É só um motorista de ônibus e sindicalista ligado ao Partido Comunista da Venezuela, que mais tarde ingressou no MBR-200 (Movimiento Bolivariano Revolucionario 200), onde se juntou a Chavés. Luciana Genro sabe bem disso, tanto que a própria confessa ter apoiado o regime desde seu surgimento. Ela só está mentindo de maneira descarada pois se vê obrigada a prestar esclarecimentos aos brasileiros antes de 2018. Para quem não se lembra, a associação de Luciana com Maduro custou ao partido uma amarga derrota em Porto Alegre. De favorita, Luciana passou para o quarto lugar atrás do petista Raul Pont. Provavelmente o partido não quer repetir o feito. 

Randolfe Rodrigues também anda mentindo muito mal ao fingir surpresa com a virada de mesa na Venezuela, quando esta sempre foi a marca do bolivarianismo. Ele também estava no PSOL quando aqueles radicais apoiavam o regime. Jean Wyllys idem. Talvez a maior prova da mentira do PSOL em sua justificativa seja mesmo a exclusão do texto em apoio a Maduro do site do partido. A tática lembra Stalin, que mandava apagar as vítimas de expurgos das fotografias oficiais. Esse comportamento parece infantil, mas revela sociopatia. George Orwell já havia descrito o mesmo na Revolução dos Bichos. 


Não há saída possível para o PSOL, ainda que persistam neste teatro por meses. Não há nenhum democrata que apoie o socialismo, já que é de conhecimento público que todas as experiências socialistas conduzem necessariamente ao autoritarismo e miséria. Não há ingênuos por aqui. Durante as eleições de 2016, a suplente de vereadora do PSOL de São Paulo fazia um ato na PUC-SP quando alguns membros do Viralivre passaram pelo local filmando. Histérica, a psolista declarou para quem quisesse ouvir: o ódio era um elemento fundamental para o partido, já que eles sonhavam com um mundo onde movimentos como aquele não iram mais existir. A extremista finalizou com uma declaração bizarra: "Viva o ódio enquanto sentimento revolucionário". O vídeo está aqui, para quem tem alguma dúvida. Fato é que Ivan Valente estava lá, e parece ter concordado. 



Desde o princípio do governo Cháves, a Venezuela caminha para o autoritarismo. O ditador defunto conseguiu êxito em simular a existência de um processo democrático enquanto investia contra as instituições, contra a liberdade de imprensa e contra seus opositores. Deu tudo certo. Cháves não precisou fechar o parlamento pois estava com a bola do jogo nas mãos enquanto foi escalado para o ataque. Com Maduro, a oposição usou desta brecha ocupando a Assembléia Nacional de forma democrática. Maduro havia recebido a bola de Cháves, que é o estado aparelhado. O jogo não estava como ele queria, então ele levou a bola para casa. Quem é de fato democrata jamais irá tolerar o aparelhamento do estado sob qualquer nome que isso se apresente. O PSOL elogiou este aparelhamento alegando que era a revolução que avançava.

Para usar um exemplo chulo, o PSOL fez o seguinte: ao saber que um notório traficante de crack estava frequentando uma escola, seus dirigentes se publicamente em defesa do marginal, mesmo cientes que crianças e jovens da escola estariam sujeitos ao assédio do criminoso. Quando uma criança foi morta por conta do vício, o PSOL correu para dizer que era contra a venda de crack para menores. Mas eles bem sabiam que o traficante não iria frequentar aquele local sem nenhuma perspectiva de retorno. Eles foram coniventes com a escalada do autoritarismo, mas agora fingem discordar para continuarem com o estelionato do socialismo e liberdade. 


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