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Ao contar sobre "intervenção militar" proposta por petistas, General Villas Bôas confirma apenas o óbvio: PT queria repetir fórmulas bolivarianas no Brasil



No feriado de Tiradentes, o que mais se comentou no Brasil foi a entrevista do general Villas Boas nas Páginas Amarelas da revista Veja. O barulho se deu porque o comandante das Forças Armadas revelou que políticos de esquerda teriam feito consultas sobre um possível decreto de estado de defesa nos dias que antecederam o impeachment de Dilma Rousseff. Está na Veja:

O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, revela em entrevista a VEJA que a instituição foi sondada e rechaçou a hipótese de apoiar a decretação de estado de defesa nos dias tensos que antecederam o impeachment de Dilma. Villas Bôas não diz quais foram os políticos que fizeram a consulta, mas reconhece que as Forças Armadas ficaram “alarmadas” com a perspectiva de serem empregadas para “conter as manifestações que ocorriam contra o governo”. “Nós temos uma assessoria parlamentar no Congresso que defende nossos interesses, nossos projetos. Esse nosso pessoal foi sondado por políticos de esquerda sobre como nós receberíamos uma decretação do estado de defesa”, afirmou Villas Bôas. Na entrevista a VEJA, o comandante do Exército também manifesta também preocupação com o “perigo” de surgir no país líderes populistas com discursos “politicamente incorretíssimos, mas que correspondem ao inconformismo das pessoas”.

A informação não é exatamente nova. Pesquisando na internet, vemos que o jornalista Reinaldo Azevedo havia comentado o fato em seu blog. O jornalista havia adiantado não só que os rumores eram verdadeiros, como também de que os petistas não encontrariam respaldo entre os militares.



Fato é que agora temos a palavra do próprio General Villas Bôas confirmando que o PT tinha a pretensão de decretar o estado de defesa. O que ganhariam com isso? A possibilidade de restringir os direitos de manifestação, sigilo de correspondência e comunicação telefônica e a possibilidade de prender cidadãos por "crimes contra o estado". Seria algo semelhante ao autogolpe de Nicolas Maduro, que cassou as atribuições da Assembleia Nacional por meio da bizarra acusação de que o legislativo estava conspirando contra o governo. 

As conclusões são óbvias, tem lastro em afirmações da própria cúpula do Partido dos Trabalhadores. No dia 17 de maio de 2016, a Executiva Nacional do PT publicou uma resolução de conjuntura em que suas lideranças lamentavam o impeachment inevitável (o Senado já havia decidido pelo afastamento da presidente por 55 votos). No mesmo documento, as lideranças lamentam de forma explícita que a presidente não pode contar com as Forças Armadas para manter seu mandato na marra. Deixam claro que faltou alterar o currículo de formação dos militares, que seriam decisivos para vencer os opositores. Fizeram até um paralelo com os bolivarianos, que só se mantém no poder graças a lealdade dos cães de guarda que vestem verde-oliva. 

Fomos igualmente descuidados com a necessidade de reformar o Estado, o que implicaria impedir a sabotagem conservadora nas estruturas de mando da Polícia Federal e do Ministério Público Federal; modificar os currículos das academias militares; promover oficiais com compromisso democrático e nacionalista; fortalecer a ala mais avançada do Itamaraty e redimensionar sensivelmente a distribuição de verbas publicitárias para os monopólios da informação. 

Não, não há nada de novo nas declarações do general. Apenas confirma a denúncia feita por parte da Direita de que o PT sempre se empenhou na construção de um governo autoritário nos moldes do regime vigente na Venezuela. A obviedade é evidenciada pelo próprio partido, que elogia o modelo idealizado por Hugo Chaves como exemplo de democracia. O proselitismo é evidente: se o PT não admirasse o modelo que mistura elementos soviéticos com populismo latino, certamente não se associariam aos bolivarianos. Seria o mesmo que missionários mórmons aqui no Brasil afirmando que fazem pregação da Igreja dos Santos dos Últimos Dias, mas que não pretendem ganhar almas para esta denominação. O problema com o PT querer estabelecer algo que seja ao menos próximo do bolivarianismo vai além de qualquer alinhamento ideológico: neste caso, a obviedade deixa claro que o partido também pretende confiscar propriedades, perseguir opositores, prender dissidentes, assassinar manifestantes e jogar tanques nas ruas contra civis. Isso é que é grave. Aos que pensam que podemos respirar aliviados por termos desalojado Dilma, lembro do texto de ontem: mesmo após procedimentos cirúrgicos complexos, o câncer pode voltar. Requer sempre cuidado, já que a tendência é que volte de maneira muito mais agressiva. Convêm não se esquecer de que o preço da liberdade é a eterna vigilância. 

PS: Fica a dica para alguns supostos conservadores que "clamam por interferência militar nos assuntos políticos" para resolver as mazelas criadas pela negligência dos próprios cidadãos. Era justamente a solução que Dilma e o PT queriam, a mesma solução que Chaves e Maduro usaram na Venezuela. Não há nada de nobre nisso, muito menos de desejável. 


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