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O fim do do sigilo das delações da Odebrecht trará consigo o apocalipse da política brasileira

Os últimos dias de Pompéia, Karl Briullov (1833)


De Brasília, a imprensa já começa a noticiar que o tão aguardado fim do sigilo das delações da Odebrecht virá a qualquer momento. Para alguns membros da classe política, isso representa um grande problema: tal qual o meteoro que alguns apontam como causa da extinção dos dinossauros, as delações dos executivos da Odebrecht irão desnudar de uma vez por todas o modus operandi da política brasileira. Não por acaso, o conjunto de acordos foi denominado de "delação do fim do mundo". Só para se ter uma noção do tamanho do tsunami, a assessoria de comunicação do STF pediu para que jornalistas interessados na nova lista de Janot entreguem um HD externo com 1 terabyte. Isso mesmo, 1 terabyte. Já há políticos considerando a construção de uma hecatombe para sobreviver ao dilúvio que virá. 

Nos próximos dias, veremos o clima de barata voa, o pânico, o desespero e agonia de quem irá ser imolado pelas revelações ácidas do setor de propinas da maior empreiteira do Brasil. Oportunistas surgirão como salvadores de pátria, velhos estelionatários que se beneficiaram deste mesmo esquema irão sugerir fórmulas mágicas para resolver a crise. Haverá até quem clame por pactos entre a classe política, aproveitando a conveniência de que todos os partidos terão membros envolvidos no escândalo. 

Isso não significa dizer que é o fim do Brasil, como dirão alguns papagaios do plano criminoso de poder (inclua Ciro Gomes, Eugênio Aragão e Paulo Henrique Amorim). São os que afirmam sem ruborizar, de que a corrupção era um mal necessário para garantir o desenvolvimento, e que essa oportunidade se perdeu após a Operação Lava Jato expor as entranhas do poder. Não é verdade. Assim como em todas as mitologias, esta realidade apresenta um fim de um ciclo que abre perspectivas para um recomeço. Dos escombros deixados pela delação do fim do mundo, o Brasil poderá reerguer o Estado de modo que a transparência e ética se tornem obrigatórias na vida pública. Será a oportunidade de estabelecermos a redução do Estado, a rejeição do populismo e o exercício da cidadania. É bom lembrar que este cenário caótico veio justamente de um estado inchado e interventor, que favorecia corporações com dinheiro público em troca de dinheiro para permanecer no poder. O resultado foi justamente o desgaste da democracia. 

Estamos diante do fim? Sim. Do fim de uma classe política corrupta e fisiológica a ponto de flertar com a escória totalitária em troca de favores. O domínio petista não seria possível sem essas condições tão favoráveis na estrutura do Estado. Agora está provado que a redução do Estado garante não só a diminuição da corrupção, mas também a consolidação da democracia. Só resta agora levar adiante este aprendizado, para que o Brasil não seja vítima de estelionato semelhante no futuro. 

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