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Não pensem que os petistas ficaram surpresos com a condenação de Cunha. Desde o começo eles sabiam que não era golpe


O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha foi condenado a quinze anos de cadeia pelo juiz federal Sérgio Moro, no âmbito da Operação Lava Jato. Cunha foi cassado no dia 12 de setembro de 2016 por quebra de decoro parlamentar. Em 19 de outubro de 2016 foi preso preventivamente pela Polícia Federal na Lava Jato, e hoje pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Desde que as ruas começaram a engrossar o coro pelo impeachment de Dilma Rousseff, o Congresso passou a ser pressionado pela sociedade para que a presidente fosse destronada. Aliado do Partido dos Trabalhadores, Cunha teve suas relações estremecidas com Dilma após o Planalto tentar colocar Arlindo Chinaglia na presidência da Câmara. Cunha venceu a disputa, pregando a independência da casa (que antes era um mero despachante do Legislativo). Acuados pela Operação Lava Jato, Dilma e Cunha passaram a travar uma disputa na lama. O PT colocou suas tropas nas ruas e nas redações contra o deputado, enquanto Cunha prometia responder com a aceitação do impeachment. Lula e alguns parlamentares chegaram a propor uma reconciliação, mais o namoro já havia acabado. 

Todos sabiam naquele momento que tanto Dilma quanto Cunha estavam implicados no Petrolão. No entanto o PT foi mais hábil, já que viu em Cunha a possibilidade de personalizar o processo reduzindo o clamor da sociedade a uma mera vendetta política. Passaram a vender a narrativa de que Cunha era um golpista (assim como eram golpistas os investigadores da Polícia Federal, o Ministério Público, o juiz Moro, os movimentos nas ruas, o empresariado e os poucos jornalistas que criticavam o Planalto).

Foi nesta ocasião que disseram que Cunha era um conservador reacionário, um inimigo dos trabalhadores, das mulheres, dos indígenas, dos golfinhos e da paz mundial. Cunha virou Geni, antecipando um processo que satanizaria também seu partido. Nem parecia que era o mesmo homem que se arrastou pelas igrejas pentecostais Brasil afora pedindo votos para Dilma, que comemorou as vitórias da presidente no Twitter e que se esforçava pessoalmente para coordenar as tropas no Congresso para garantir as vitórias do governo. Em uma ocasião, Cunha havia passado por um transplante capilar e tinha uma votação importante naquele mesmo dia. De boina, foi com a cabeça quase sangrando aprovar os projetos do governo. 

Quando a Operação Lava Jato pegou o PT, deteriorando a base do governo e colocando Dilma na fogueira, a extrema-esquerda lulopetista sabia que a única saída para eles seria a via da impunidade. Todos ali sabiam dos crimes cometidos, inclusive de que Cunha era um mero mercenário do governo. Mas preferiram simular um golpe, enquanto acusavam a operação de ser uma ação política. Os petistas sabiam que não havia nada daquilo. Quando falavam "E o Cunha?", pretendiam apenas pedir a cabeça do aviãozinho do tráfico enquanto poupavam o dono do morro. Não por acaso, usaram uma foto de Eduardo Cunha e representantes de movimentos democráticos para satanizar a oposição. Disseram que eram aliados sabendo que quem se aliou com Cunha foi Dilma Rousseff e Lula. Era tudo encenação. Hoje irão fingir que comemoram a condenação de Cunha, enquanto preparam o terreno para a mesma narrativa já lançada no dia de sua prisão: Cunha é vítima de Moro, que pretende usar uma condenação pesada contra o ex-deputado para justificar sua perseguição implacável a Lula. Os ingênuos que acreditam que os petistas estão "bugados" com a condenação de Cunha certamente também acreditam que o Papai Noel existe, mas que não dá presentes para as criancinhas africanas porque suas renas não se dão com o clima do continente. 

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