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Foi muito fácil para Doria humilhar a Amazon: bastou entender mais da realidade que os moderninhos progressistas


Pois não é que a Amazon BR quis fazer o que há de mais velho na publicidade moderna, que é justamente fazer propagandas "lacradoras" para agradar a pequena bolha progressista? Resolveram se meter com João Doria, afirmando que "se eles cobriram a cidade de cinza, nos vamos cobrir o cinza de histórias". O que esqueceram é que o prefeito é também um publicitário. Não demorou para que João Doria desafiasse a empresa a demonstrar seu "amor por São Paulo" doando para os alunos da rede municipal (não sem antes chamar a empresa de oportunista). Foi quando começou a jornada da Amazon no purgatório. 



Desde que Doria desafiou a Amazon, Microsoft, Saraiva e Kabum anunciaram publicamente que pretendem fazer doações para a rede municipal. Enquanto isso, a Amazon ficou apenas com um lugar nos trending topics com as tags #kindleprascrianças. O MBL também ajudou ao lançar a campanha #DoaAmazon. Seja lá o que eles tenham pensado, não deu certo. 

O caso é que a Amazon escolheu seguir os tortuosos ensinamentos da chamada "Escola do Lacre", linha de pensamento contemporânea muito em voga sobretudo entre a extrema-esquerda que se esconde no rótulo de "progressistas". Consiste em defender qualquer tipo de absurdo e responder a qualquer questionamento com respostas toscas, superficiais e sem qualquer substância - por vezes carregadas de toques de CSF (Crítica Social Foda). Quem navega nas águas turvas e poluídas da esgotosfera progressista (incluí Huffington Post BR, BuzzFeed, Catraca Livre e UOL), verá muito disso. Matérias como "Menina de 4 anos dá a melhor resposta a dono de loja que dividiu brinquedos entre meninos e meninas" ou "Primeiro-ministro do Canadá rebate Trump e lacra: Diversidade é nossa força". Foi dessas águas podres que os publicitários da Amazon beberam. A disenteria retórica foi o caminho natural. 

Não avisaram para a Amazon que 97% dos paulistanos apoiam as medidas de Doria contra o vandalismo. Não devem ter contado também que o lacre tem funcionado mais como âncora do que como propulsor. O presidente da Starbucks quis "lacrar" em cima de Donald Trump, anunciando a contratação de 10 mil refugiados nos próximos dois anos. Além da pergunta óbvia feita por americanos sobre a razão de não terem contratado veteranos de guerra ou mesmo os americanos que ainda estão desempregados, ouve também a debandada de investidores na bolsa. Como um CEO toma uma decisão tão destrambelhada apenas para implicar com um presidente? A Starbucks precisa mesmo dessa mão-de-obra ou ele abrirá vagas inúteis para cumprir a promessa? Os fraqueados serão obrigados a cumprir com uma cota de funcionários? Esses questionamentos fizeram as ações da empresa despencarem no mercado. 

No caso de São Paulo, o que houve foi a aposta burra de que a maioria da população é contrária as medidas adotadas pela gestão municipal. Doria não só conta com uma aprovação de 45%, como é apoiado até por alguns críticos menos radicais na questão do vandalismo. Além disso, Doria é publicitário. E um sujeito que conhece mais da realidade do que os moderninhos pretensiosos da esquerda.

A Amazon deu tiro no pé. Deve ter sido. Deve ter sido humilhante para aqueles progressistas criados a leite com pêra que se têm como "pós-modernos" serem derrotados por um senhor de quase 60 anos famoso por seus suéteres. A Amazon poderia ter aprendido que o "lacre" é o caminho mais curto para o fracasso com a Skol, que resolveu dar uma estranha guinada ao feminismo. Ou mesmo com alguns políticos derrotados que apostaram nessa gente para vencer eleições importantes (foi o que houve com Fernando Haddad e Hillary Clinton). Resta aos gestores da Amazon trabalharem em torno de uma escolha: bancarem a propaganda infeliz e desagradarem seus próprios consumidores que estão reclamando do apoio velado ao vandalismo, ou desembolsarem alguns milhares de reais com doações para a prefeitura. "Lacradores" e "progressistas" não passarão.

Ps: A Amazon arregou. Em comunicado no Facebook, anunciaram que irão disponibilizar um e-book gratuito para o público. Só falto dizer se irão ou não doar para a Prefeitura. 

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