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Doria está ensinando aos políticos frouxos que homem público não deve ter medo de briga


Mais uma vez, João Doria entrou em uma briga pública. Desta vez foi com um petista que apareceu em uma cerimônia de entrega de habitações populares para chamar Geraldo Alckmin, Gilberto Kassab e o próprio prefeito de São Paulo de golpistas. Como era de se esperar, foi rechaçado. Doria triturou o petista. 

Vou dizer para você que veio aqui tentar estragar a festa destas famílias que aqui estão… Que estas famílias não estão de acordo com você, não. Golpista é aquele que rouba o dinheiro público. Golpista é quem rouba o povo. Pergunta para o povo o que eles acham. Vai embora procurar a sua turma. Vai embora procurar a sua turma lá em Curitiba!

Doria causa espanto. Não é frouxo como a maioria dos homens públicos.

Fez diferente de Michel Temer, que decidiu procurar uma mulher para seu ministério após ser acusado de machista pelos partidários do antigo regime. O mesmo Temer foi extremamente covarde quando foi pressionado por certa gente diferenciada a recriar o Ministério da Cultura, até então transformado em Secretaria. Contrariando países como França e Estados Unidos, nosso presidente arregou para alguns encardidos que ocupavam prédios públicos. Era o sinal de que seu governo seria uma pinguela. Ganhou até o apelido de "Michel Treme". Mais adiante, quase caiu da presidência por acusações feitas pelo Ministro da Cultura. 

Outro famoso por seus recuos é Geraldo Alckmin. Acusado de privatista por Lula na campanha de 2006, apareceu com macacão e boné repleto de logotipos de estatais brasileiras repudiando o rótulo. O papelão não só fez passar vergonha, como também fez o tucano ganhar menos votos no segundo turno do que no primeiro. 

A "treta" com Ciro Gomes também é notável. Ciro é famoso por bancar o coroné contra os que se colocam entre ele e seus conchavos. Tentou chamar Doria de fraude por temer enfrentar o prefeito nas eleições de 2018. Doria recomendou que se preocupasse mais com sua saúde mental. Deve ter doído em Ciro, que já foi acusado até de consumir drogas. Serviu para ver que ali não encontrará um saco de pancadas. 

Já ia esquecendo de Aécio Neves, que foi acusado por Dilma Rousseff de dirigir sob efeito de álcool e drogas em um dos debates mais sujos da história política brasileira. Aécio tinha todas as oportunidades de demolir Dilma, chamando a presidente de criminosa, sócia de corruptos e delinquente política. Preferiu dizer que iria responder "cada ataque com uma proposta", seguindo a fórmula covarde adotada por Marina Silva no primeiro turno. O mesmo Aécio não quis se engajar na campanha pelo impeachment da petista, se recolhendo nas sombras da vergonha. A omissão pode ter influenciado diretamente a derrota de seu candidato a prefeitura de Belo Horizonte em 2016.

No futebol a regra é clara: time que entra em campo com medo de tomar gols e joga recuado costuma perder feio, já que dá espaço para o adversário. Quem quer ganhar entra em campo com raça, com um posicionamento bom que garante uma defesa competente e ataque efetivo. Em política a regra é a mesma. Como ninguém quer torcer para time perdedor, o político frouxo fica sempre em segundo. 

Doria não se verga. Dizem que essa postura é calculada, o que é motivo de mais créditos ao político. Precisamos de estrategistas dirigindo o estado brasileiro, de quem saiba como derrotar a extrema-esquerda. Não bastam as boas intenções e a honestidade (que são requisitos básicos). É preciso fibra, coragem e altivez. O eleitor comum que não se pauta por razões ideológicas tem o costume de procurar gente operosa, firme e carismática. Se encontram um candidato com todas as condições, tanto melhor. Aos que não conseguem compreender as razões de Doria ter despontado como possível candidato à presidência com menos de três meses de mandato, comparem a postura dele com os demais citados. Não é só o planejamento, gestão eficiente e boas intenções: a coragem e cálculo político fazem do prefeito a maior promessa para 2018. Coisa que alguns dinossauros políticos, sobretudo do PSDB, morrerão sem aprender. 


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