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A irritação dos fãs de Karnal com sua amizade com Moro diz muito sobre a extrema-esquerda


O filósofo e professor Leandro Karnal se mostrou uma grande decepção para seus seguidores. Em sua página no Facebook, ele postou uma foto de um jantar com amigos. Seria mais um dia comum, se um dos amigos não fosse o juiz Sérgio Moro. Na legenda, Karnal escreveu:

Dia intenso em Curitiba. Encerro com um jantar com dois bons amigos: juiz Furlan e juiz Sergio Moro. Talvez não faça sentido para alguns. O mundo não é linear . A noite e os vinhos foram ótimos. Amo ouvir gente inteligente. Discutimos possibilidades de projetos em comum.



A extrema-esquerda que segue Karnal logo se manifestou. O dia não havia clareado e os radicais já haviam promovido o assunto ao trending topics do Twitter. "Como assim, manter relações minimamente civilizadas com quem julga corruptos, e que por acaso se deparou com vários dos meus ídolos no banco dos réus?" No fundo, queriam dizer: "onde já se viu, aplicar a lei contra os nossos corruptos?" Isso ao dito ao mesmo tempo em que acusam o juiz da Lava Jato de ser tucano por ter livrado Aécio Neves (que sequer está na jurisdição de Moro por ter foro privilegiado). Aliás, como um esquerdista tira foto com um juiz sem estar na condição de réu?




Vários motivos foram apresentados pelos raivosos para que Karnal não se relacionasse com Moro. Acusações de imparcialidade, fascismo, ativismo judicial, ilegalidade, fraude processual, violação dos direitos humanos... absolutamente as mesmas narrativas fraudulentas já emitidas pelos ideólogos. Famoso por defender que elaborar o maior escândalo de corrupção da história é tão banal quanto furar uma fila ou dar uma carteirada, Karnal decepcionou aqueles que viam nele um espantalho sofisticado para justificar os crimes praticados pela organização criminosa que atuou sob a fachada de Partido dos Trabalhadores. 

Este episódio entra para os anais da política brasileira não pela relevância de Karnal, mas pelo que suas teses representaram para a extrema-esquerda ao longo do processo de declínio e queda do PT. Sempre celebrado por Catraca Livre, Pragmatismo Político, Quebrando o Tabu e similares, Karnal pode ter praticado suicídio político ao se deixar levar justamente pela tolerância e pluralidade que a escória sempre fingiu defender. O acusam de traidor por se comportar de maneira sóbria em seus relacionamentos. Não deixa de ser uma ironia ver um sujeito famoso por seus estelionatos retóricos ser satanizado justamente por fazer a coisa certa. 

O amigo Luciano Ayan costuma comparar os extremistas de esquerda com vampiros, que se revelam quando são expostos a luz do Sol. Eu, particularmente, prefiro os lobisomens de Hemlock Grove: são monstros que se ocultam sob fachadas humanas esteticamente dóceis e belas. Há também os Anjos Lamentadores de Doctor Who, monstros sanguinários que se escondem por trás de aparência inocente. Os justiceiros sociais, os que vociferam aos quatro cantos que defendem a democracia, os dizem defender a diversidade, pluralidade e liberdade de expressão estão agora revoltados com Karnal. Esse episódio para eles é pior do que o psolista Chico Alencar beijando a mão de Aécio Neves, uma vez que no íntimo eles sabem que o tucano não é autor do impeachment coisa alguma. No caso de Karnal e Moro, o que agrediu os fundamentalistas foi o espírito democrático. Daí ficaram irados e mostraram sua verdadeira face. Um até confessou que achava Karnal apenas um "filósofo midiático", mas que o seguia por considerá-lo "um poço de lucidez". Ou seja, quando ele defendia o relativismo moral estava tudo bem. 

Eu confesso que não me surpreendi, uma amizade assim é algo indiferente. Este blog é muito inspirado no trabalho de Andrew Breitbart, fundador do portal que revelou ao mundo Ben Shapiro, Milos Yannopoulos e Steve Bannon. Muitos não sabem, mas Andrew Breitbart era um grande amigo de Ariana Huffington, aquela radical fundadora do nefasto Huffington Post. Não só isso, ele chegou a colaborar com ela durante o lançamento do portal até sua consolidação no mercado. Lord John Maynard Keynes foi amigo de Friedrich von Hayek. O católico conservador G.K Chesterton foi grande amigo do ateu socialista George Bernard Shaw, enquanto o fervoroso protestante C.S. Lewis era amigo do ultracatólico J. R. R. Tolkien. Este tipo de coisa é corriqueira, faz parte da natureza humana. Eu, que tanto me divirto com comentários ácidos sobre quem defende o contraditório, tenho vários amigos canhotos (Sim, espero que um dia seja descoberta uma cura. Mas até lá, paciência). Quem se insurge contra essas relações são os que já perderam sua essência humana, são os fascistas que já venderam sua alma ao diabo do totalitarismo. 


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