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Sobre turbantes e a farsa da apropriação cultural




Escrevo tardiamente sobre a questão da moça com câncer que teria sido vítima de tentativa de coerção por parte de uma ativista negra por usar turbante. A moça que é branca teria sido acusada de racismo pela militante, e ainda de apropriação cultural. A história moralizadora que gerou em polêmicas e justificativas patéticas por parte dos defensores do africanismo racialista acabou por jogar nas sombras um ponto muito relevante desta discussão: a tese da apropriação cultural parte de uma premissa falsa, e portanto é uma farsa. 

Sim, trata-se de uma farsa. Tratando do termo literal, trata-se tão somente do uso ou adoção de elementos culturais e religiosos de determinado povo por um grupo diferente. É bom contextualizar: não há nada de racista, imperialista ou supremacista aqui. Esse tipo de fenômeno existe desde as primeiras civilizações, e é fruto justamente das interações entre os diversos grupos étnicos, tribais e nacionais. Mesmo antes das grandes navegações, já havia intensa troca cultural entre os povos. Na ordem espontânea da humanidade, a apropriação cultural é traço corriqueiro da própria humanidade. 

Mas isso não explica a suposta polêmica. Para os ideólogos de várias correntes do movimento negro, há um processo racista que pretende se apropriar de símbolos e de legados afro. Roubo puro e simples de algo que deveria pertencer a nós (falo aqui como negro). Outros tratam o caso como desrespeito, já que os antepassados negros sofreram os horrores do colonialismo e escravidão, e que isso é esquecido pelos negros. Há alguns que vão ainda mais longe: o processo de apropriação cultural teria a finalidade de "resignificar" símbolos de acordo com uma ótica privilegiada, além de calar as minorias ao usar os símbolos sem mencioná-las? Não entendeu? Não é para entender, já que isso não tem qualquer lastro na realidade. 

Em resumo, pessoas não deveriam se apropriar de bens produzidos por outras culturas. Brancos não devem utilizar dreadloks, tranças, turbantes e estampas africanas. É aí que o fascismo toma os primeiros contornos: as publicações militantes (principalmente as que são ligadas ao feminismo negro), passam a espalhar um discurso de ódio contra quem comete esta infração. Aos poucos, os que bebem nestas fontes de água podre começam a agir como justiceiros. O caso da moça do turbante não é o único. Dos mais rumorosos, lembro deste jovem acossado por dois justiceiros sociais na Universidade Estadual de San Francisco, Califórnia. Ele reage de maneira firme diante do absurdo, deixando perplexos os fascistas. 



Para entender mais a farsa, observem o padrão: 

  1. Quando se fala em apropriação, ela só existe quando o branco se apropria de algo. Negros podem ternos, dirigir automóveis, poltronas, couro, cardigãs e o que quiserem. Até mesmo pintar os cabelos de loiro. Só é apropriação quando o "opressor" se rende aos gostos dos "oprimidos". 
  2. A suposta apropriação indevida serve para que fascistas apontem o dedo, espreitem pessoas e façam ameaças veladas. Seja contra um jovem americano ou uma moça com câncer. 
  3. O uso de símbolos culturais não é prova de que o racismo está em declínio ou que avançamos nas questões de igualdade racial (anos atrás, jamais um branco iria querer adotar costumes de negros). Pelo contrário, os justiceiros negros apontam isso como evidência do aprofundamento do racismo. O que não passa de desculpa para pregar justamente o racismo. 


Agora, voltemos ao turbante em questão. É uma história riquíssima. Segundo relatos, a palavra turbante tem origem no persa dulband, que foi "afrancesado" como "turbant". Para os lusófonos, a própria palavra é uma apropriação cultural de franceses e persas. Mas, peraí: o turbante não era africano? Não, isso é mais uma patuscada do movimento negro. O turbante é persa, de acordo com praticamente todos os registros mais antigos. Possivelmente chegou a África por meio de mercadores, assim como se espalhou pela Ásia. Quem pesquisa sobre os turbantes vê que existe uma profusão de variações em lugares distintos como Grécia (Ilha de Creta), Índia, Oriente Médio, Indonésia e Paquistão. Para os africanistas que defendem "as razões religiosas do turbante", seu uso é registrado entre judeus, cristãos ortodoxos de Somália, Etiópia e Eritréia, sikhs da Índia, clérigos islâmicos, sacerdotes de Fiji, tuaregues... os africanos são os que menos utilizam a indumentária em ritos religiosos. Ao que parece, as feminazis africanistas estão se apropriando de um legado persa. 

Vale aprofundar a polêmica: quem fala de "apropriação cultural" geralmente a pratica contra os próprios africanos. Qualquer um que conhece a história da África de fato sabe são povos muito distintos entre si. São mais de cinquenta países e mais de trezentas tribos. Muitas que são rivais históricas. Com o processo de escravidão, a logística do tráfico fez com que negros fossem comercializados de acordo com a geografia: para a região nordeste, iorubas (o Nordeste está mais próximo de Nigéria e Benim geograficamente), enquanto o Sudeste recebeu mais negros de origem banto (estamos mais próximos de Angola e da antiga possessão de Cabinda). Por isso os negros paulistas e mineiros tendem a ter traços diferentes de baianos e maranhenses, por exemplo. Corre o risco de uma feminista africanista estar se apropriando de elementos afro que não correspondem a sua etnia. 

Depois de tudo o que foi dito, fica claro que a intenção dos adeptos desta tese é o simples estelionato intelectual para justificar reivindicações políticas e a imposição de uma espécie de ditadura do oprimido, partindo da premissa de que há uma divida da sociedade para com determinados grupos. Não temos que nos curvar a estes sociopatas. Primeiro, porque eles não conseguem ser unanimidade nem entre os negros. A maioria de nós não comunga destas teses racistas e totalitárias, e vemos a apropriação como sinal de que o racismo vai perdendo espaço (certamente um neonazista não irá usar dreads ou praticar capoeira). Em segundo lugar, destaco que estes justiceiros sociais usam botas, tênis, roupas industrializadas (produtos de origem européia), além de óculos, lençóis, chinelos e sombrinhas (de origens asiáticas e do norte da África). Ah, também devem consumir chá (chinês), comer pizza (tradicionalmente italiana), beber cerveja (origem incerta, há dúvidas entre Egito ou China). Pensando bem, é quase impossível para um cidadão do século XXI não consumir nada que tenha sido pensado por uma outra cultura. Só mesmo as mentes deformadas dos cretinos embusteiros do movimento negro podem conceber algo assim.

*P.S: Alguns argumentam que é fanfic. Pode até ser, mas há casos reais de violência e coerção por parte dos ditos movimentos negros. E se o assunto for fanfic política, meus caros, a extrema-esquerda é pródiga na produção de mentiras. Não tentem nos acusar daquilo que vocês tanto praticam. 

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