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Quando se trata de pesquisas eleitorais, toda desconfiança se faz necessária




Nas redes sociais, há uma festa por parte da extrema-esquerda e um cenário de certa amargura por parte dos demais brasileiros. 

Como assim Lula aparece como favorito em 2018, com 30,5% em todos os cenários? A pesquisa da CNT/MDA também mostra uma situação de quase empate entre Jair Bolsonaro e Aécio Neves, com todos derrotados por Lula no segundo turno. Uma perspectiva praticamente apocalíptica. 

Mas convém pontuar alguns fatos. 

A pesquisa foi espontânea, onde o entrevistado dizia o nome de seu candidato quando perguntado genericamente em quem votaria em 2018. Não se sabe ainda quem será candidato ou não. Aécio, Lula, Geraldo Alckmin e Marina Silva podem ser implicados na Operação Lava Jato, talvez não estejam vivos politicamente. Jair Bolsonaro iria ser candidato pelo PSC, mas rompeu com os social-cristãos e negocia com o PR. O PR é conhecido por gostar do governismo, é difícil prever que irá abrir mão de apoio a outra candidatura para dar chances ao novo correligionário. Ainda há outros nomes que surgem de vez em quando, como Ronaldo Caiado, Ana Amélia e até João Doria. Sinceramente, ninguém sabe o que irá acontecer em 2018. 

Tratando especificamente destes 30% de Lula, é possível projetar que o número pode ser reduzido após uma eventual condenação na justiça. O homem é penta-réu, e dificilmente se livrará dos tribunais. O desfecho pode derreter ainda mais a posição do chefe de quadrilha, reduzindo seu quinhão aos diminutos simpatizantes da extrema-esquerda. 

Há que se levar em consideração que a rejeição também faz candidatos. Qualquer nome que conte com expressiva rejeição pode desconsiderar a vitória. Isso vale para todos: Lula, Alckmin, Bolsonaro, Marina e quem mais estiver no páreo. O cenário está aberto para um outsider, que poderá exibir um curriculum sem máculas políticas. Em se tratando de Lula, é como tentar correr uma maratona carregando uma bigorna. Será que ele dá conta?

Também é bom lembrar que pesquisas não são mais um fator tão preponderante, já que falam mais do cenário atual do que do futuro propriamente dito. No caso de Lula, ele se esforçou para se apresentar como pré-candidato para construir a narrativa de que a Operação Lava Jato pratica perseguição política. Uma vez condenado, dirá que a intenção era a sabotagem. Mas esta vantagem de se apresentar como pré-candidato não diz muito por si. Vamos lembrar dois exemplos: 

Quando o mandato do presidente Barack Obama se aproximou dos dois anos finais, o nome de Hillary Clinton foi apresentado como sucessão natural. Todos cravavam Hillary, enquanto pesquisas projetavam sua vitória por já ser candidata. Ora, a razão daquela popularidade nas pesquisas era justamente o fato de não ter outros candidatos no páreo. Quem corre sozinho em uma competição, fatalmente será vitorioso. No entanto, quando a democrata teve que enfrentar as urnas, foi a nocaute. Mas não estava eleita mesmo antes do pleito? Pois é. É claro que a canalhice da grande mídia também conta, estabelecendo miragens para iludir os incautos estabelecendo aos opositores a sensação de que "resistir é inútil". 

Não direi que é o caso da CNT/MDA justamente por acompanhar o histórico favorável dos responsáveis. Não costumam apresentar grandes distorções, como é o caso de Datafolha e Vox Populi. Tudo indica que os números se devem mais ao cenário de incerteza sobre 2018 do que a ação dos pesquisadores. 

O que acontece hoje com Lula também lembra o cenário apocalíptico descrito por vários institutos para Porto Alegre. De 2015 em diante, vários "analistas" previam que a extremista Luciana Genro seria eleita para a prefeitura em 2016. Quem pesquisar na internet, verá várias pesquisas falando a respeito. Um resumo interessante está registrado no site do PSOL. Reproduzo abaixo:

Os ventos da mudança estão querendo chegar a Porto Alegre. No que depender do esforço e empenho do PSOL certamente chegarão. Pesquisa divulgada nesta sexta-feira (15) pelo jornal Correio do Povo, realizada pelo Instituto Methodus, aponta a pré-candidata do partido à prefeitura da capital gaúcha, Luciana Genro, na dianteira nas intenções de votos dos eleitores.
No primeiro cenário estimulado para o primeiro turno, Luciana Genro aparece com 20,8% das intenções de voto. Em seguida vem Raul Pont, do PT, com 14,5%; e Sebastião Melo, do PMDB, com 13,7%. Vieira da Cunha, do PDT, tem 11,0%; Nelson Marchezan Jr, do PSDB, aparece em quinto com 6,5% e Maurício Dziedricki, do PTB, em sexto, com 1,7%.

Todos sabem o que aconteceu em seguida. Luciana e o petista Raul Pont perderam feio, ficando de fora do segundo turno. Hoje a comemoração do PSOL parece algo ainda mais patético, já que Nelson Marchezan (um dos últimos na pesquisa), venceu Sebastião Melo no segundo turno por 60,5%. 

Este texto também fala brevemente sobre São Paulo. Vejam: 

Na maior cidade do país, o PSOL também está entre os primeiros colocados na intenção de votos, segundo pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada nesta sexta-feira (15) no jornal Folha de São Paulo. A pré-candidata do partido à prefeitura da capital paulista, deputada Luiza Erundina (SP), na chapa junto com o deputado Ivan Valente (SP) como pré-candidato a vice, aparece em terceiro lugar, com 10%, ficando atrás somente de Celso Russomanno, do PRB (25%) e de Marta Suplicy, do PMDB (16%).
Pesquisa Sâo Paulo Com um crescimento bastante considerável em relação à última pesquisa divulgada publicamente, Erundina está na frente do atual prefeito da cidade, Fernando Haddad, do PT, que aparece com 8%. O tucano João Doria também vem atrás da pré-candidata do PSOL, com 6%.
Quando a simulação é feita sem Celso Russomanno, cuja candidatura corre o risco de ser impugnada pelo Supremo Tribunal Federal por suposto crime de peculato (desvio de dinheiro público), Luiza Erundina sobe para o segundo lugar, com 13% das intenções de votos. Nesse caso, Marta Suplicy ficaria com 21%, Haddad com 11% e Doria com 7%.
Numa simulação para o segundo turno, em que Erundina concorreria com o atual prefeito de São Paulo, a pré-candidata do PSOL venceria as eleições, com 42% dos votos, contra 25% do petista. O mesmo aconteceria, caso a disputa fosse com o tucano João Doria. A pré-candidata do PSOL sairia vitoriosa com 44%, contra 24% do pré-candidato do PSDB.

Olhem a reação do PSOL à época, se não é parecida com a reação que os fascistas tiveram após a divulgação da pesquisa CNT/MDA:

Demonstração de resistência

Em artigo divulgado hoje, o presidente nacional do PSOL, Luiz Araújo, avalia que o resultado das pesquisas aponta que existe uma parcela do eleitorado que continua preferindo uma alternativa eleitoral de esquerda e que o PSOL, cada vez mais, ocupa este espaço. “As primeiras pesquisas são um alento para esses tempos de golpe e crescimento do conservadorismo no país. É uma demonstração que existe resistência, luta por direitos e vontade de mudar. Fico feliz que parte dos que lutam enxerguem no PSOL um porto seguro. Não nos colocamos como farol da humanidade ou como único espaço de esquerda. Somos um partido pequeno, mas somos coerentes no que acreditamos, aguerridos na defesa de nossas propostas e possuímos uma militância jovem e atuante. Em tempos de reconstrução de um imaginário de esquerda no Brasil, ter candidatos socialistas tão bem colocados é animador”.

Para concluir, vamos ter cautela com projeções sobre coisas tão incertas quanto uma eleição presidencial pós-Lava Jato. Dificilmente alguém ligado a classe política tradicional terá chances após o cenário de terra arrasada que já se apresenta. Também é imprudente atribuir a vantagem da extrema-esquerda após seus partidos terem sido humilhados nas urnas em 2016. Vejam o PT, que só foi vitorioso no Acre. Ou o PSOL, que imaginou que fosse levar Belém, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Sorocaba - para terminar as eleições de mãos vazias. Há também o caso da Rede, que não conquistou nenhuma prefeitura. Conquistou míseras sete prefeituras. Estamos falando das poderosas forças da extrema-esquerda, que iriam demolir os golpistas nas urnas. Só para lembrar aos leitores, Lula não conseguiu sequer eleger seu filho como vereador em São Bernardo. Posto isso, apostar em vitória de Lula em 2018 é tão grave como saltar no abismo para fugir de um cão raivoso. 
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