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Qual é a razão da extrema-esquerda gritar tanto contra a privatização de uma simples empresa de saneamento e água?



No portal da revista Época, Fernando Schurler trata da aprovação da venda da CEDAE (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro) pela Alerj apontando uma suposta "miséria no debate sobre a privatização. Para o colunista, é incompreensível que o assunto renda tanto debate no Rio de Janeiro ao mesmo tempo em que o prefeito João Doria opera o que já é considerado um dos maiores pacotes de privatização do Brasil. Em termos gerais, Schurler está correto. Em termos objetivos, ele não compreendeu ainda qual é o verdadeiro debate travado dentro e fora da Assembléia Legislativa do Rio. 

A extrema-esquerda e outros grupos contrários que não se enquadram nesta descrição ideológica alegam mil motivos para demonizar o projeto. Desde a entrega de bens públicos ao capital financeiro até a bizarra afirmação de que a privatização não deveria acontecer por se tratar de uma concessão ao governador Luiz Fernando Pezão. Há também os que alegam que a empresa é superavitária, que é um setor essencial e que sua privatização entrega um cheque em branco ao PMDB do Rio. O que ninguém fala é do macabro estado do saneamento público concedido a cidadãos que deveriam ser assistidos pela companhia. Todos os argumentos em favor da manutenção da empresa nas mãos do estado foram de ordem corporativista ou política. Neste ponto Fernando Schurler está coberto de razão ao tratar do assunto como "miséria", mas a miséria é proposital.

Quem acompanha o assunto, soube do quebra-quebra, dos protestos, do improvável voto contrário dado por parlamentares do PSDB e PSC aos já esperados do PT, PSOL, PCdoB e Rede. A privatização da CEDAE seria uma garantia do governo do estado para os credores. Com a venda da empresa, o estado se enquadra nas exigências do governo federal descritas no pacote de resgate (que prevê também medidas de ajustes econômicos e administrativos). Não é unanimidade, mas é o melhor caminho para o Rio sair do atoleiro. A despeito do que foi dito até por ditos conservadores e liberais (que argumentam que este meio de privatização é ruim por dar uma sobrevida ao governador Pezão, co-autor da calamidade fluminense), há uma premissa maior e fundamental para o debate: o governo Pezão passará. 

Olhem quantos sindicatos para uma única estatal
Sim, Pezão não governará o Rio para sempre. A extrema-esquerda que hoje monta barricadas e ameaça a integridade física de cidadãos com rojões e slogans fascistas sabe bem disso. Aliás, toda esta pantomima radical tem um único propósito: tomar para si o Palácio Guanabara, a Alerj e a prefeitura, e tudo o mais que for possível. Mas não querem tomar um estado enxuto, que apenas administra o que é essencial. Quanto mais empresas, intendências, secretarias e autarquias o estado possui, mas estes grupos terão como fincar seus tentáculos na máquina pública. Uma vez estabelecido por ali, a extrema-esquerda governará por anos. Ao contrário de outros grupos, há uma agenda totalitária, um plano criminoso de poder que precisa dos recursos públicos para se manter. 

Há também as necessidades de curto prazo. Estes mesmos grupos também pretendem manter as atuais bases políticas, que incluem os sindicatos. As categorias mais fortes normalmente agregam trabalhadores do setor público. Se a CEDAE for privatizada, serão milhares de trabalhadores que sairão das garras dos sindicatos. Mais um motivo para desmantelar esta estrutura perversa. 

Vale lembrar do mito de Anteu. Citei aqui no blog quando Rodrigo Maia tentou levar adiante o projeto da lista fechada, que também já foi defendido por Ronaldo Caiado. O PT também apoiou a ideia, com destaque para Tereza Cruvinel elogiando Maia no Brasil 247. 

Alguns se perguntam: porque o PT vai defender algo que pode fortalecer o grupo que está no poder? Para isso, temos que retornar ao mito de Anteu. Filho de Poseidon (o Deus do Mar) e de Gaia (a Deusa da Terra), ele tinha um poder muito peculiar: ele tirava sua força da terra, o que o tornava imbatível. Como não poderia ser derrotado enquanto estivesse em contato com a terra (sua mãe), Anteu desafiava todos os viajantes que passavam pelo deserto da Líbia para lutarem com ele. Os desafiantes invariavelmente morriam, e seus ossos eram utilizados para a construção de um templo em honra a Poseidon. No entanto, Hércules descobriu o ponto fraco de Anteu. Suspendendo-o no ar, Hércules o derrotou suspendendo seu fornecimento de energia. É mais ou menos o que se passa com o PT agora.

É isso. Quem está preocupado com o povo fluminense defenderá a privatização da CEDAE, já que não existe esta coisa de "Estado". O que existe são grupos políticos no controle de governos. Se estes governos são paquidérmicos, seu peso pode nos esmagar, dependendo de quem for o grupo dirigente.

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