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O racismo ainda é recorrente no Brasil, e ao que parece, continuará sendo



Por Gregório Porto 

É inegável que ainda em 2017 o racismo esteja presente no cotidiano de muitas pessoas mundo afora, assim como é impossível dizer que há chance real de ser extinto à medida que cada vez mais têm-se considerado características individuais como sinal de algo bom ou ruim. Felizmente o mundo mudou ao passo de que todos são livres e não possuem proibições, mas infelizmente muitas pessoas continuam agindo e discursando como se fosse a mesma situação.

Raramente é possível passar um dia sem ler alguma notícia que traga em sua manchete um texto que não evidencie a cor de pele de uma pessoa que teve êxito ou foi vítima de algo, como se em todos os casos a cor de pele fosse a responsável ou tivesse relação de fato com o acontecimento. Tratando as pessoas como pessoas brancas ou negras ao invés de simplesmente, pessoas, o racismo perde a chance de ser reduzido. Na verdade, o efeito é exatamente o contrário: quanto mais tratam os assuntos com base na cor/raça, mais diferença entre elas é observada. Cada vez mais indivíduos deixam de ser únicos como são para integrar um grupo específico e se transformarem em dados estatísticos a fim de identificar problemas que não são exclusivos – na maioria das vezes – e não serão resolvidos com leis ou medidas exclusivas.

A questão é que não se pode lutar contra “zona para pessoas brancas” criando “espaço seguro para pessoas negras” em outro lugar, é apenas uma inversão de raça privilegiada em detrimento de outra, assim como não há justiça em forçar um indivíduo – que não cometeu injúria – a ressarcir outro que, por sua vez, não sofreu. Todas estas e outras medidas observadas claramente no cotidiano só contribuem para a manutenção do racismo, pois ao tratar uma pessoa como negra, branca, amarela ou laranja você acaba ignorando seus méritos e/ou deméritos em nome de uma característica genética individual e incontrolável, baseando sua opinião em rótulos ao invés de conhecer o produto. Afinal, o racista é sempre o primeiro a afirmar que algo aconteceu por motivos de raça, ignorando qualquer outra possibilidade. Há também aqueles que se dizem anti-racistas, mas que ao se depararem com uma posição contrária à sua, praticam o chamado “preconceito do bem”, utilizando a raça do próximo para atacá-lo ou defender-se – atitude esta que em qualquer ocasião seria tratada e rechaçada como preconceituosa pela patrulha do politicamente correto.

Se há um caminho para extinguir ou ao menos diminuir o racismo é parar de identificar pessoas como grupos de pessoas, deixar de lado todo e qualquer atributo físico para considerar uma situação singular. Qual o problema se não há nenhum negro no corpo do governo que você não gosta? O que tem de errado em não haver um negro no top 10 da Forbes 400? Negros não são objetos de decoração, muito menos incapazes de qualquer coisa por causa de cor. São pessoas com os mesmos direitos das outras que não merecem olhares de pena por serem geneticamente diferentes. Lembrem-se que o sonho de Martin Luther King era que seus filhos fossem julgados não pela cor, mas pela personalidade; e não existe personalidade branca ou negra.






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