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O Oscar para Mahershala Ali frustrou a extrema-esquerda



Na edição do Oscar, muito pouco se destacou além do já esperado proselitismo político, do diretor iraniano dando lições de democracia aos Estados Unidos (nenhuma palavra sobre os aiatolás) e aquele mico protagonizado por Warren Beatty e Faye Dunaye. O destaque mesmo ficou para Mahershala Ali. Foi premiado como melhor ator coadjuvante pela atuação em Moonlight. 

São vários pontos peculiares. Esperava-se de um ator negro e muçulmano um discurso "lacrador", que produzisse orgasmos em forma de textos nas redações do BuzzFedd, Huffington Post, Catraca Livre, NYT e afins. Mas não teve. Limitou-se a agradecer amigos e a família,mesmo ciente de que era o primeiro muçulmano da história a ser premiado com um Oscar. 

Para terminar a melancolia, Mahershala não pagou o tributo de seus falsos libertadores. Ao Holywood Reporter, o ator declarou: "Espero não ter sido nomeado por ser negro. Isso não tem relevância." É, não tem mesmo. A resposta não foi antipática ou arrogante, como alguns já estão sugerindo nas redes sociais. O ator só quis colocar fim em algumas especulações de que as indicações e a própria premiação dele e de Viola Davis por "Fences" tenham sido frutos tardios da mobilização da extrema-esquerda no ano passado com a campanha #OscarSoWhite

Mahershala atuou com distinção como Remy Danton em House of Cards, foi o Cornell Stokes "Cottonmouth" em Luke Cage. Quem vê alguns minutos entende que ele não tem que pagar tributo a ninguém. É disso que se trata o Oscar (ou é disso que deveria se tratar a premiação): talento, o que há de sobra em Mahershala, em Viola Davis e nos indicados Naomi Harris, Denzel Washington e Octavia Spencer. Muito provavelmente, Mahershala não é fã de Donald Trump ou do Partido Republicano. Mas teve classe, sabendo que o reconhecimento de seu trabalho não deveria servir de palanque para ninguém.

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