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Lição para os capixabas: como Reagan desmantelou uma greve ilegal na maior derrota sindical da história dos Estados Unidos



Ronald Reagan assumiu o mandato de presidente dos Estados Unidos em 20 de Janeiro de 1981, e logo em agosto daquele ano teve que enfrentar um dos maiores desafios internos de sua primeira gestão: a greve de controladores de tráfego aéreo. Convocada pelo sindicato da categoria, contou com a adesão de cerca de onze mil trabalhadores. Os servidores reivindicavam aumento salariais, melhoras das condições de trabalho e a redução da jornada de trabalho para 32 horas semanais.


Em um país das dimensões dos Estados Unidos, a crise se tornou uma pedra no sapato do presidente. Logo de início já se sabia que aquele movimento sem qualquer amparo legal iria afetar a economia do país, que enfrentava dificuldades após o governo do democrata Jimmy Carter. Cientes disso, os sindicalistas afirmavam que a única negociação possível era o tudo ou nada. 

Reagan agiu de maneira firme, denunciando ao povo americano que a greve era ilegal e que representava uma ameaça à segurança nacional. O republicano deu um prazo de 48 horas para que retornassem ao trabalho. O sindicato ignorou as ordens do presidente e insistiu na greve ilegal. O resultado da desobediência foi a demissão dos cerca de onze mil grevistas no que é considerado a maior derrota sindical da história dos Estados Unidos. Reagan não só demitiu os grevistas como emitiu um decreto proibindo a admissão dos amotinados no serviço público. A rapidez de Reagan não foi um salto no abismo, mas sim uma aposta calculada: o presidente sabia que os controladores já haviam feito outras paralisações, e que a categoria havia se especializado na chantagem pública. O republicano não quis ficar contra a parede, e determinou que militares fossem treinados em segredo para substituir controladores de tráfico em caso de emergência. Os chantagistas que se achavam insubstituíveis não contavam com essa. 




Reagan passou como rolo compressor sobre o sindicato dos controladores de tráfico aéreo, causando graves traumas no movimento sindical. O fato histórico marcou para sempre a memória, sendo relembrado em um dos episódios de Everybody Hates Chris. O personagem Golpe Baixo é o maluco que mora nas ruas da Bed Stuy, mas Chris descobre que ele vem de família abastada. Ao conversar com a mãe do morador de rua, Chris descobre que o motivo de sua loucura tem nome: Reagan. A mãe do maluco relata que seu filho enlouqueceu após ser demitido do serviço público. Ele era um dos grevistas derrotados pelo republicano.



Aqui no Brasil, greves no setor público ocorrem com data e hora marcada. Lideranças que já contam com salários e benefícios acima da média da população reivindicam benefícios e correções cada vez maiores. Verdade seja dita, policiais militares são uma exceção no serviço público. Além do baixo soldo, contam ainda com os riscos da profissão - com base no cenário de violência cotidiana, é certo dizer que é um dos países mais difíceis para o exercício da profissão. Mas isso não muda um fato importante: cada policial militar que se inscreveu no concurso e passou no treinamento oferecido pelas instituições estaduais se comprometeu a prestar seus serviços a sociedade de maneira voluntária, ciente de todas as carências da profissão. Absolutamente tudo é de conhecimento público. Sendo assim, fica a pergunta: que diabos levou aqueles amotinados a ingressarem nas forças de segurança? 

Isso é vergonhoso, é imoral e rasteiro. Mancha também a honra dos PMs que dão as vidas pela sociedade, que serão vilipendiados por conta dos corporativistas de farda. A traição também vem coroada de covardia, já que os PMs grevistas adotaram a covardia como método, usando mulheres como escudo humano para simular o bloqueio dos quartéis. Por que a indignidade nunca é suficiente. 

O que é importante destacar nesta greve é que exigir um aumento de 100% e anistia geral e irrestrita para os grevistas enquanto se usa o sofrimento da população desarmada como moeda de troca é um tapa na cara do cidadão. Também destaco um ponto observado pelo capixaba Marco Aurélio Lannes, que lembra que a greve começou exatamente após o afastamento do governador Hartung, que havia deixado o estado para tratar de um câncer em São Paulo. Houve uma clara aposta na fragilidade do governo para exigir um aumento impossível. É bom lembrar que as PMs de maneira quase geral se posicionam institucionalmente pelo desarmamento da população civil, escolhendo justamente o lado daqueles canalhas que pregam a criminalização da própria corporação. Igualam o Brasil a Saramandaia de Dias Gomes, onde todo absurdo e macabro é coisa corriqueira. 

Apesar de negar as reivindicações dos grevistas, ou melhor, chantagistas, o governo Hartung vacilou em alguns momentos fundamentais. O secretário da Casa Civil saiu anunciando que as mulheres chantagistas estavam de parabéns pela mobilização, e que já estavam na história do estado por seu exemplo de coragem. Só não comentou que o mal também exige certa coragem para sua execução, e que se entra na história também pela porta dos fundos. No caso dessas mulheres, todas tem as mãos sujas de sangue dos mais de cem mortos desde o início do movimento. Outro que errou de maneira rude foi o secretário de Direitos Humanos, com declarações imbecis que praticamente criminalizavam as tentativas de desmobilizar o bloqueio e desmantelar a pantomima dos chantagistas fardados. Em suma, o erro do governo capixaba foi fazer concessões pontuais aos chantagistas. Vale a máxima de Jack Bauer de não negociar com terroristas. Reagan não negociou, e garantiu seu lugar na história. Ainda há tempo do governo capixaba virar esta página lamentável e honrar uma das funções fundamentais do estado, que é garantir a segurança do cidadão. 
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