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De gente burra, só quero as vaias



Publiquei um texto sobre a crise de Segurança Pública no Espírito Santo, fruto da ação ilegal de Policiais Militares covardes que se amotinaram em quarteis usando mulheres como escudo para a mais vergonhosa pantomima já protagonizada por uma corporação policial na história do Brasil. Querem aumento de 100% no salário, e prometem perpetuar a negligência enquanto o governo não se agachar aos seus desejos. Já morreram mais de cem pessoas, além de casos de estupros nas ruas, saques, agressões e invasões de domicílios. Virou faroeste, com a diferença de que no faroeste os mocinhos tinham armas e os xerifes não eram covardes. No faroeste capixaba, alguns PMs emporcalham a farda em troca de vil metal, enquanto os criminosos resgatam a nefasta tradição do cangaço. Alguns cidadãos de valores menos sólidos aproveitam o caos para se renderem ao crime, participando de saques.

Mas há quem aplauda este cenário, acreditando que estão defendendo a sofrida polícia militar. Será? É óbvio que não. Quem defende este tipo de postura defende o banditismo ao deixar claro que policiais militares podem utilizar as mesmas táticas de banditismo adotadas por movimentos como UNE, UBES, Fora do Eixo e CUT. Isso é tão verdade que no Espírito Santo já há uma mobilização de sindicatos de extrema-esquerda que desejam cooperar com os PMs. Mas a farda é suprema e sacrossanta para quem tem fetiche por coturno, certo? Errado. Pai do bolivarianismo, Hugo Chávez era coronel do Exército. Ao chegar ao poder, unificou a polícia e proporcionou grandes regalias para forças armadas e de segurança pública. Conseguiu o apoio destas categorias, e isso é um dos principais fatores para o sucesso da repressão comunista. Mesmo abalado, o bolivarianismo ruge contra os defensores da liberdade. Os corporativistas de farda (que se tornaram maioria), estão ao lado daquele regime carniceiro.

O texto que publiquei despertou reações violentas e desproporcionais. Na página do blog, foi dito que o autor recebia dinheiro e que era petista (reductio ad petista, como se os petistas defendessem a lei). O mais curioso foi na página do MBL. Quem leu o texto por lá se revoltou a ponto de acusar o movimento de ter se vendido ao PMDB.

Quem faz este tipo de comentário só tem duas alternativas: ou é muito estúpido ou é muito canalha. Se considerarmos que o caos gerara mortes e facilitará os argumentos de quem defende a desmilitarização da PM (por mais ilógico que isso possa parecer), além do enfraquecimento da instituição (que passará a ser objeto de desconfiança por parte da direita). Não vou me alongar no absurdo das reivindicações ou sobre a complexidade do caso, isso já foi feito no texto anterior. O que é importante saber é que é muito fácil para burros e canalhas oferecerem soluções simples para problemas complexos como "os salários dos policiais devem ser iguais aos dos políticos", "há dinheiro sobrando para aumentar os salários, mas os corruptos roubam" ou ainda "quem ataca os grevistas é inimigo da PM".

Gritem, zurrem, façam o que bem entender. Mas o melhor a fazer é não seguir esta página. Como é sabido, o blog deve o nome a obra de Nelson Rodrigues. Frasista genial, ele sintetizou a máxima do "Sou reacionário, minha reação é contra tudo o que não presta". Era anticomunista convicto, abominava a Teologia da Libertação e esquerda que se fingia de democrata. Mas também criticou a ditadura militar brasileira, regime que surgiu da traição aos conservadores brasileiros. Sim, Castelo Branco deveria ter sido o único presidente militar, sucedido por um presidente eleito. O próprio Castelo queria isso, mas acabou morrendo em um acidente aéreo e o resto é história. O fato é que Nelson não se curvava, assim como o grande Carlos Lacerda. Era defensor da legalidade e da democracia. Não se importava nem com as críticas da extrema-esquerda e nem com a direita burra. A propósito, é autor de uma frase genial: "De gente burra, só quero as vaias".

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