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Carta de um cidadão (que por acaso é negro) para Eliane Brum




Fiquei feliz em ter lido a "carta" que Eliane Brum escreveu para a curitibana Thauane Cordeiro ontem após o jantar. A felicidade, que fique bem claro, veio pelo fato de que aquele conteúdo venenoso e podre não me faria mal a ponto de perder o apetite. Dos males, o menor. 

A missiva da colunista do El País é repleta de inconsistências históricas, superlativos e fábulas, tudo com o intuito de enquadrar a moça de Curitiba por não ter aceitado a patrulha do fascismo cultural. Eliane apela então para a raça, vejam só vocês, para patrulhar Thauane. Quem sabe assim ela não ouve? Na mente cavernosa de Eliane, Thauane não desafiou a patrulha por preferir a liberdade. Para Eliane, talvez Thauane seja racista em seu íntimo, o que levou a jornalista a servir de emissária voluntária. 

Eliane sugere em seu texto que há um processo histórico que vitimou os negros, que criou desigualdades, que é o responsável pela violência, segregação e por alguns abismos sociais que ainda não foram superados. É verdade, todos sabemos que isso é real. Mas no meio disso tudo, Eliane Brum lança mão de algumas mentiras históricas que ela simplesmente não pode provar. Dentre elas, a tese de que a imigração européia foi uma mera tentativa de "branquear o Brasil". Isso é história de botequim, ou simplesmente uma "pós-verdade", como os modernos jornalistas classificam o antigo conceito da mentira. 

Eliana também sugere que Thauane deve pesar na balança se é correto contrariar a maioria das mulheres negras que se ofendem com a apropriação cultural. Aí é que é dita a mentira mais ousada do texto. Com base em que a jornalista faz esta afirmação? Sim, se a maioria das mulheres negras fossem justiceiras sociais, estaríamos diante de um cenário apocalíptico. Se essas militantes falassem pela maioria, significaria então que a maioria dos negros havia renunciado a liberdade conquistada com sangue e luta para voltar aos calabouços da extrema-esquerda, que meu amigo filósofo Paulo Cruz chama de senzala ideológica. Felizmente é uma mentira da jornalista, que tentou criar uma miragem para confundir os incautos. 

Depois de ter lido tanto, vejo que Eliane gastou todo aquele latim apenas para defender o Tribunal do Santo Ofício que estes extremistas pretendem implantar no Brasil e no mundo. Resolveu culpar a vítima. Isso me fez querer escrever uma carta também, mas esta endereçada a jornalista do El País. Seria mais ou menos assim:

Cara Eliane,
Acompanho o seu trabalho há algum tempo, não por gosto pessoal, mas porque você consegue espalhar sua pregação além das fronteiras do radicalismo vermelho. Sempre leio com atenção, já que gosto de identificar os padrões utilizados por militantes de redação. Você é realmente boa no que faz, que é transformar absurdos em eufemismos palatáveis para a burguesia de esquerda. Já travei discussões acaloradas com pessoas que citaram teu nome em patéticas tentativas de apelo a autoridade. A única coisa que eu desconhecia era a sua sensibilidade, que é digna de um cadáver.
Mas não é disso que se trata, não vim aqui para elogiar. Vim para demonstrar minha preocupação, uma vez que você se deu ao trabalho de escrever uma carta consideravelmente grande apenas para defender militantes radicais que arrogam para si o direito de coagirem pessoas nas ruas por suposto roubo de identidade. Isso é grave.
Saiba, Eliane, que o Direito brasileiro está ao lado da moça que você criticou. Os Direitos Humanos que também fundamentam nossa Constituição, (aqueles que você por vezes finge defender) também. A letra fria da lei deixa claro que ninguém tem este direito subjetivo. Não precisa escrever cartas usando sua autoridade ou privilégio de mulher branca, isso não muda esta realidade.
Você deve saber que disse algumas mentiras em seu texto, na vã tentativa de justificar as várias mentiras do movimento de radicais que você usa como espantalho de uma suposta maioria. Isso não é verdade, Eliane. Eu sou negro, com certa ascendência quilombola. Conheço profundamente este movimento de uma forma que você jamais conhecerá. Aliás, tenho duas irmãs feministas que comungam de algumas teses destes grupos. Como ninguém é perfeito, amo as duas como são. Mas deixando claro que parte de seu ideário não passa de ilusionismo criado por falsários.
Eu consigo entender sua preocupação, Eliane. Você não está preocupada com as mulheres negras, que são de fato as vítimas maiores do racismo e desigualdade. Também não há qualquer preocupação com a Thauane, a moça que você quis criticar com essas palavras venenosas. Sua preocupação maior é com uma sociedade onde os movimentos extremistas de esquerda são contextualizados, questionados e desconstruídos. Você percebe que se alguém se sente "empoderado" para desafiar uma patrulheira africanista, outros poderão desafiar feministas, black blocs, sindicalistas, agentes do fascismo cultural... As perdas serão enormes. Por isso entendo que vocês estão corretos quando chamam as pautas liberais e conservadoras de "retrocesso. É um retrocesso para a agenda criminosa da extrema-esquerda.
Como homem que por acaso é negro, que já foi vítima de racismo, que tem duas irmãs feministas negras, que conhece a realidade da periferia, o que me enoja é te ver usando truques verbais tão rasteiros para atacar aquela moça. Não por ter pena dela, que se mostrou bastante altiva para desafiar tanto a doença quando os agentes do totalitarismo. Mas por ver que a torpeza do homem parece nunca ter limites. Vocês da extrema-esquerda estão sempre mostrando que podem ir além. Se você não fosse uma militante de extrema-esquerda, eu sugeriria que se envergonhasse de ser tão sórdida. Sei, é claro, que esta sua ideologia costuma desumanizar o indivíduo envenenando sua alma. Vocês agem como vampiros membros de seita, sempre sugando cidadãos para alimentar sua sanha. Aos negros, dizem que tem a obrigação de comungarem de suas ideias por serem "oprimidos". Já aos brancos, a única alternativa que estes grupelhos oferecem é a crença na mentira e na fraude caso não queiram ser rotulados como reacionários.
O que eu espero, Eliane, é que seu sonho nunca se realize. A humanidade já passou por experiências dolorosas de milícias patrulhando indivíduos na União Soviética, na Itália Fascista e na Alemanha de Hitler. Não precisamos passar por isso novamente. Esta carta aqui não é para desejar mal ou qualquer coisa neste sentido. Quero apenas avisar para a senhora que estes golpes retóricos já são conhecidos na praça. Mais uma coisa: quando for escrever suas linhas cheias de veneno, de ódio e cinismo, não o faça em nome da maioria de negros ou negras, ou de quem quer que seja. Escreva em seu próprio nome, deixando claro que é você que deseja ver o triunfo da barbárie. Extremistas como você deveriam higienizar a boca com soda cáustica antes de falar em nome destes ou daqueles.
Atenciosamente,
Eric.
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