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Acreditem: a Carta Capital problematizou o negrão do whatsapp



Dois amigos foram a um baile de Carnaval do Recife fantasiados de Negrão do Whatsapp (aquele personagem folclórico que a esmagadora maioria já teve a infelicidade de receber das mais diferentes formas). Todos conhecem. Aqui em baixo selecionei três vídeos sobre o assunto: um do Porta dos Fundos, um vídeo colombiano mostrando a suposta reação de Hitler com a imagem, um grupo de humoristas do Panamá. Todos dão risada e o assunto morre aí. 








Mas adivinhem quem resolveu problematizar o caso? A revista Carta Capital, por meio da pena da feminista Djamila Ribeiro. Ela escreveu o seguinte:

Pau grande, mas subjugado: vai ter preto humilhado sim

Escrevi diversas vezes sobre o modo pelo qual a população negra é desumanizada. Desde representações que a colocam como inferior, violenta e objetificada até a violência que extermina um jovem negro a cada 23 minutos. Julgo importante discutir representação, pois a imposição dessas imagens justifica inclusive a morte. Não à toa homens negros são os principais suspeitos e alvos da polícia. Debater racismo é mais amplo do que se pode imaginar, pois as violências se dão das mais variadas formas.Vamos analisar casos recentes. A produtora Padrão Carvalheira, do Recife, realiza um concurso de fantasias todos os anos. A “fantasia” vencedora foi a de homens brancos fazendo blackface e com pênis enormes, personificando o estereótipo racista de que homens negros são "bem dotados", ou melhor, reduzindo seres humanos a seus órgãos genitais. Além de ser ofensivo por ser blackface, desumaniza o homem negro o animalizando.
Pessoas brancas nunca são representadas em grupo. Uma pessoa se fantasia de Hugh Jackman ou Luciano Huck, por exemplo. Os indivíduos são representados. No caso das pessoas negras, julgam que podem reduzir todo um grupo a somente um tipo de representação como se a diversidade fosse monopólio da branquitude.
Assim como pessoas brancas, somos altos, baixos, gordos, magros, pessoas com pênis de variados tamanhos. Mas esse é um dos cernes da desumanização: homogeneizar. Lembrando que homens negros eram utilizados como reprodutores no período colonial para “fornecer” mão de obra escravizada e manter lucrativa a exploração. Um absurdo que pessoas ainda se sintam autorizadas a cometer esse tipo de violência.
Os responsáveis pela produtora vão se esquivar dizendo que os vencedores foram eleitos pelo público, mas eles sequer deveriam ter autorizado a entrada na competição porque trata-se de um caso de racismo. Não há justificativa possível, pois além de autorizar, premiaram com uma viagem a Fernando de Noronha e postaram a foto em um blog recifense.

Pois é. Problematizaram o negrão da piroca. 

Vejam só: a moça não reconheceu a piada. Resolveu problematizar achando que os dois recifenses haviam criado uma caricatura racista. Isso é terrível. Por isso não é bom se guiar por tudo o que a extrema-esquerda, de gente que acha que Inês Brasil é meme. Até o senso de humor deles é distorcido pelas suas convicções ideológicas. 

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