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A Temer não falta coragem, falta vergonha



Quando Michel Temer recuou da extinção do Ministério da Cultura, escrevi que o presidente era frouxo, que não tinha coragem de fazer o necessário. Da mesma forma, interpretei como sinal de fraqueza a tímida redução no número de ministérios. Estava errado, muito errado. 

Hoje Temer criou mais dois ministérios: deu o status de ministro para Moreira Franco, que ocupava a Secretaria de Governo. E recriou o ministério dos Direitos Humanos, que vai para a juíza Luislinda Valois. Luislinda tem bom currículo e uma trajetória ilibada, mas não precisávamos de um ministério de Direitos Humanos quando já temos o Ministério da Justiça. Isso não passa de um devaneio terceiro mundista, típico de repúblicas das bananas. É o mesmo que os estados que possuem termos como "república popular" ou república democrática" em seus nomes oficiais. Nenhum deles é de primeiro mundo. E nenhum deles é democrático. Por trás da propalada defesa desses valores, restam apenas nações controladas por tiranetes de quinta categoria. 

Ah, e tem Moreira Franco. Foi citado na Operação Lava Jato, e agora é agraciado com um salvo-conduto de última hora, que é o status de Ministro (para quem não sabe, agora ele conta com foro privilegiado). Uma vergonha, que deixa claro a intenção de proteger o peemedebista em tempos de retomada da operação e de delação da Odebrecht. 

Não, Temer não fez isso por falta de coragem. A coragem de se meter em conchavos ele sempre teve, tanto que foi vice de Dilma Rousseff em dois mandatos, sócio do esquema criminoso de poder e usufrutuário do Petrolão. O que falta a Temer é vergonha, e respeito pelos brasileiros. Ele sabe que não pode ser impichado pelos seus crimes no Petrolão, e por isso usa a caneta para nos insultar com seus devaneios. É bom ele não esquecer da possibilidade de casacão no TSE. Quando acontecer, ninguém sentirá estima por este homem pequeno e fraco, que precisa de acordos no submundo para manter seu mandato. 


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