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A asquerosa piada do Sensacionalista contra negros e a PM


Uma amiga indignada me enviou a seguinte gracinha, postada por Marcelo Zorzanelli no Sensacionalista:



Áudios e mensagens por redes sociais  confirmadas recentemente na imprensa  afirmam que haverá no Rio de Janeiro uma paralisação dos Policiais Militares nos moldes do que acontece no Espírito Santo desde sábado. A ação deve acontecer na próxima sexta-feira.  
Esposas dos soldados, cabos, sargentos e outras patentes que deveriam estar nas ruas impedirão que as viaturas saiam dos quartéis.  Legalmente,  a greve dos policiais militares é punível com dois anos de reclusão. Mas não é o caso,  até disposição ao contrário.  
Jovens negros comemoraram a possibilidade de a policia do Rio de Janeiro não marchar para fora dos quartéis. 
“Finalmente eu que não tenho nada a ver com isso não serei confundido com um traficante e tomarei uma dura indo para a faculdade”, comemorou  o estudante de medicina João da Silva, morador da favela de Vigário Geral.  
“Eu até tentei passar limão na pele e tomar sol para não fazer parte das estatísticas, mas continuo preto”. 
“Eu vou me sentir mais seguro, mas não sei a quem reclamar se um malandro da minha rua me assaltar enquanto vou para o trabalho numa franquia de hambúrgueres”, disse o jovem negro William Pereira. “Seria bom se a gente tivesse um policial para nos proteger” 
O que dizer deste texto expelido por Marcelo Zorzaneli? Poucas vezes se viu alguém ser tão asqueroso em tão poucas linhas. 

  1. Ele rotula a corporação de racista
  2. Ele ignora que 60% da tropa da PM do Rio é composta por negros (dados de um estudo feito pelo pesquisador Carlos Nobre no livro "O Negro na PM: Crime, Cor e Carreira no Rio de Janeiro"). 
  3. Considerando que quem tem medo do trabalho da PM são os criminosos, fica evidente que o autor quis insinuar que os jovens negros são criminosos, ou ainda que a função da PM é caçar negros nas ruas.


Só para ilustrar o caso, vou citar um trecho de um texto publicado pelo portal O Tempo. Na ocasião, Carlos Nobre relatou que a PM é a entidade estatal que mais emprega negros no Rio.

"Quando eu era repórter, cobria muito a área criminal, então tinha muito contato com policiais, de praças a coronéis. Conversando, alguns deles me diziam que o número de negros na corporação era muito grande", diz, acrescentando que, em 2001, 60% do quadro da PM carioca (17 mil servidores) era formado por negros. Ele aponta que procurou uma abordagem diferenciada para sua pesquisa.
"Normalmente, os estudos que vêm à luz se interessam pela violência policial. Quis ouvir o outro lado. Me interessou ver a representatividade dos negros dentro do aparato policial. A principal constatação é de que eles ascendem mais facilmente do que em outras atividades, chegam a major, coronel, e não parece haver uma tensão racial nisso", observa.
Ele destaca que, durante as entrevistas, a maioria dos policiais negros que ouviu disse não haver racismo na PM. Entretanto, 25% dos ouvidos apontaram um racismo velado. Carlos ressalta, ainda, a facilidade de ingresso na corporação. "Cada seleção que fazem tem de 3.000 a 5.000 vagas, facilitando muito a entrada de candidatos com baixo nível cultural. É a instituição que mais emprega negros no Rio", aponta, acrescentando que negros ocupando postos de comando também colocam a PM como objeto de desejo de boa parte dos afrodescendentes.

Vejam que interessante: o pesquisador diz que a PM é uma organização inclusiva, mas o militante panaca do Sensacionalista diz o contrário. O pesquisador tem dados, enquanto o militante tem sua convicção. Eu não sou politicamente correto, e abomino com todas as forças o fascismo cultural exercido por militantes travestidos de defensores dos Direitos Humanos. Mas também abomino esse discurso de ódio que se manifesta em latrinas como o Sensacionalista. O humor enviesado deste site é famoso por pegar leve com a extrema-esquerda, enquanto se permite até ao racismo quando se trata da Direita (vide a ocasião em que chamaram o vereador Fernando Holiday de capitão do mato). 

Não custa lembrar que Marcelo Zorzanelli tem em sua ficha corrida uma longa passagem pelo Diário do Centro do Mundo, aquele veículo conduzido por Paulo Nogueira. Talvez Zorzanelli tenha aprendido a pregar o ódio e a imundície por lá. 

Como sou favorável a liberdade de expressão, acho que os pseudo-humoristas do Sensacionalista tem o direito de publicar seus textos abomináveis. Não só eles, mas quaisquer outros boçais em atividade. Assim como creio que nós, jovens negros, temos o direito de recorrer a justiça e denunciar essas publicações ao Facebook, já que nos retratam como criminosos em potencial. Assim como os policiais, que foram retratados como uma espécie de Ku Klux Klan tupiniquim. Racismo é um assunto sério, fazer acusações de racismo de forma leviana diminui a dor das vítimas por meio da banalização. Sim, é possível que haja racistas na PM, mas isso não é política da corporação. O único que adotou um viés racista nesta história foi o tal Zorzanelli, que insinua que negros devem ter medo da polícia. Por acaso é o mesmo que acha que negros que fogem da senzala ideológica da esquerda não merecem ser respeitados, como fez com Holiday ano passado. 

É bom lembrar da incoerência do senhor Marcelo Zorzanelli pois ilustra exatamente o que a extrema-esquerda quer para o negro: ela não quer um cidadão negro altivo, independente e senhor das próprias convicções, que pode optar pela esquerda ou direita. Ela quer um escravo de joelhos, que aceite ser alvo de insinuações sórdidas de quem tira sua moral do esgoto. Não é exagero dizer que Marcelo Zorzanelli é uma das criaturas mais asquerosas da internet brasileira. 

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