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Se Hillary vencer, o mérito será da Direita americana



Amanhã se decide quem será o próximo presidente dos Estados Unidos da América, e não é exagero dizer que também se decidirá o futuro do país que durante anos desempenhou o papel de farol da democracia. De um lado, uma sociopata criminosa. Do outro, um bufão. 

A escolha entre Hillary Clinton e Donald Trump não parece ser difícil, considerando o histórico de crimes da ex-secretária de Estado e primeira-dama. Não deveria, se a direita americana não houvesse se esforçado tanto em sabotar o que deveria ser uma eleição ganha. Afinal de contas, estamos falando de um governo que sucederá Barack Obama. O homem já foi considerado o pior presidente da história, e vai conseguir fazer a sucessão. 

Os republicanos tinham vários nomes para concorrer ao posto. Os senadores Ted Cruz e Marco Rubio, Jeb Bush, a CEO da HP Carly Fiorina, o neurocirurgião Ben Carson e até o improvável bilionário Peter Thiel, do PayPal. Todos melhores que Trump. Mas por algum motivo, começou a se consolidar o conceito de que o único contraponto possível ao politicamente correto era a bizarrice. Trump viu que fazia sucesso com a plateia já convertida, e começou a exagerar. Além de atacar a família Bush e ofender Carly Fiorina como se estivesse em um boteco, ele resolveu praticar coisas monstruosas como debochar da deficiência do jornalista Serge Kovaleski. Isso nunca havia acontecido antes. Dali em diante ficou tudo pior: ironizou o herói de guerra John Mccain afirmando que “se fosse herói não teria sido capturado no Vietnã”, desferindo uma cusparada nos serviços prestados pelo republicano durante a guerra. Pior: as consequências das torturas sofridas por McCain são sentidas até hoje. Foi torturado para entregar as posições americanas, mas aceitou a morte honrosa em troca de proteger os companheiros. Ao final, foi resgatado como herói. E Trump debochou dele. 

Depois ainda sobrariam ofensas para Condolezza Rice, baixarias contra Ted Cruz e bravatas cada vez mais delirantes. Trump se comportava como aquele garoto que faz gracinhas em casa e é aplaudido por pais imbecis, e que depois mata a família de vergonha ao repetir a malcriação em público. Muitos se impressionavam com a história de “obrigar o México a construir um murro para impedir que estupradores invadissem o país”. Outros acreditaram na obsessão pela China. Isso foi a cortina de fumaça perfeita para um cidadão medíocre que durante anos militou no Partido Democrata. O showman conseguiu evitar pontos importantes como o controle de armas (aka desarmamento), a qual ele foi favorável durante boa parte da vida. Evitou temas como o aborto (ele tem uma irmã que trabalha na obscura Planned Parenthood). Conseguiu até evitar que ele se mostrasse como o grande corporativista que é. Como efeito colaterou, forneceu grandes oportunidades de discurso para Hillary Clinton. E não, não estamos falando daquele imprevisível vídeo de onze anos atrás. Falamos de atacar um juiz filho de mexicanos, de desabonar um soldado morto por ser mulçumano (ninguém nunca saberá por que diabos ele foi tocar neste assunto). Foi perfeito para Hillary, que pode demonizar a ideia sensata de controle migratório e não aceitação daqueles milhares de refugiados sírios que a democrata pretende levar para dentro dos Estados Unidos. 

O problema é que a eleição não seria feita entre os republicanos, mas sim dentro da complexa sociedade americana. Se é verdade que a maioria dos cidadãos não é progressista, é bom lembrar que o voto não é obrigatório. Enquanto Trump entrou desgastado nas eleições, Hillary veio escudada pela mídia mainstream, pela classe artística, pelos banqueiros e especuladores de Wall Street e pelos diversos lobbys e movimentos sociais que formam a matilha democrata. E de quebra, com aliados inesperados: republicanos traidores que decidiram apoiar a concorrente criminosa. 
Trump esteve quase que em uma cruzada pessoal. Sua soberba não permitiu que ele tivesse clareza da batalha que estava enfrentando. Ao invés de adotar um tom de unificação, preferiu a vitória de Piro nas primárias. Fez inimigos que poderiam ser úteis agora. Há no partido gente que não quis se sujar apoiando Hillary, mas que não endossa Trump. Em uma eventual vitória, o magnata governaria com dificuldades. Problemas de quem joga para a plateia. 

Muitos trabalham com a tese do establishment contra Trump, mas isso não explica toda a situação. O próprio candidato queimou pontes em sua trajetória. O fez por acreditar que teria na sociedade a mesma recepção que teve no quintal republicano. Por outro lado, o quintal republicano foi tomado por aquilo que alguns chamam de “alt-right”, que é a direita estúpida que parece ter saído das cavernas. São aqueles que tanto lá como aqui, conseguem achar virtude no tosco e idealizar a boçalidade. Este populismo busca sempre resoluções fáceis que não traduzem os fatos. É o equivalente aos que por aqui dizer que vão “oprimir”. Oprimir o que? 

A lição deve ser entendida assim: o fato de um círculo de convertidos apreciar um eventual pré-candidato não significa que ele será aceito. Vejam Bernie Sanders, que seria derrotado mesmo sem a rasteira de Hillary e Wendy Schultz. Mas era muito popular entre universitários brancos de classe média alta. Ou Marcelo Freixo, muito popular entre a esquerda chic da zona Sul do Rio. Trump era unanimidade entre o segmento desiludido com a economia. É provável que não vá colar nas urnas. Infelizmente. A Direita americana fez o mesmo que alguns setores de nossa frágil versão tupiniquim. Repetem o erro da jornalista americana (e democrata) Pauline Kael, que de tão surpresa com a vitória de Richard Nixon em 1968, respondeu: “Não acredito que Nixon venceu. Eu não conheço ninguém que votou nele”. Outra coisa importante é que política não se resume a gracinhas ou festival de piadas. Para isso já existe o stand-up. O humor ácido pode até se fazer presente no discurso, mas use com moderação caso queira ser um político respeitado por adultos. 

A falta de senso crítico e civilidade colocou Hillary no caminho da Casa Branca. É verdade que Trump foi alvo de uma campanha odiosa, feita na lama. Mas é justamente esse o padrão dos democratas, assim como de toda a extrema-esquerda internacional. Eles mentem, eles manipulam, eles não têm escrúpulos. Graças a essa aposta errada em um falastrão, a América pode viver seus últimos dias de democracia. Tudo porque a direita preferiu escolher um sujeito cujo único predicado é não ser Hillary Clinton.  

Como disse aquele ex-deputado, “Que Deus tenha misericórdia desta Nação”.

* A eleição por lá não se dá por maioria de votos, mas por número de delegados no Colégio Eleitoral. Para vencer, basta que o candidato obtenha mais de 270 delegados. As pesquisas podem representar miragens, tanto lá como aqui.
**A torcida aqui é para Trump, já que é melhor um fanfarão por quatro anos do que uma sociopata seguidora de Saul Alinsky por um dia.
***Um dos principais ganhos da vitória de Trump seria ver a derrota da imprensa americana e estrangeira, que durante tanto tempo torceram ao invés de reportar os fatos. E é claro, ver qual seria a reação dos artistas cretinos que ameaçaram se mudar para o Canadá caso ele vencesse. Acreditem, ninguém mais gostaria de ver essa escória derrotada do que o autor deste texto. 

                                                                                                                                          
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