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Passada a turbulência, podemos concluir que o vexame da invasão dos intervencionistas serviu para alguma coisa



Aquele episódio grotesco na Câmara dos Deputados foi mesmo dantesco. Em pleno 2016, alguns sujeitos invadem o plenário “clamando por Intervenção Militar”. Como se o mote da trupe não fosse tosco o suficiente, eles ainda protagonizaram cenas lamentáveis. Um até cuspiu em um segurança da casa. Não fosse pelas cores e pelas palavras de ordem, poderíamos supor com facilidade que se tratava de mais uma investida da extrema-esquerda. 

Passado a turbulência, esse freak show nos mostrou algumas questões que até então estavam ocultas. Por exemplo, a abordagem da imprensa. Durante os primeiros minutos, muitos falaram que eram os grupos ligados ao PT, PCdoB e PSOL. Só sabiam que não era a UNE por conta da idade dos invasores. Podia ser algum sindicato, ou coisa que o valha. Ficou confuso quando os parlamentares vermelhos não abraçaram os manifestantes, mesmo com algumas palavras de ordem contra a PEC 241. A certeza de que aquela gente não era chegada do plano criminoso de poder veio quando exaltaram Sérgio Moro. E depois quando gritaram histéricos por um general. 

O que a mídia mainstream fez foi expor as incoerências do grupo, ressaltar os aspectos mais medonhos das viúvas de 64. Até a semântica mudou. Reparem: quando se trata de movimentos de extrema-esquerda, há OCUPAÇÃO. Quando se trata de malucos sem noção aparentemente sem partido e sem financiamento, aí há INVASÃO. Quando as mocinhas bem nutridas da UNE e UBES protagonizam cenas de selvageria, são idealistas lutando por um sonho. Quando são as senhoras e senhores desmiolados passando vergonha, aí há uma ameaça real à democracia e ao estado democrático de direito. Observem o que foi dito hoje na grande imprensa, aquela mesma que fez torcida por Dilma, contra o impeachment, contra o Brexit, que chama criminosos de “manifestantes”. Nenhum deles disse que a manifestação dos pamonhas “começou pacífica, até que uns poucos vândalos desvirtuaram o movimento”.

Por outro lado, tivemos a grata surpresa de ver que os grandes formadores de opinião da Direita não abraçaram aquela atitude que em nada se relaciona com o pensamento conservador. Leiam Edmund Burke, Russel Kirk, Roger Scruton, Coutinho e tantos outros. Não veremos ninguém falando que temos que protagonizar barracos, cusparadas e quebra-quebra. Isso é descer no esgoto, igual Jean Wyllys, Guilherme Boulos e companhia. Não somos desses. 

Essa ação não poderia ser mais inoportuna. Os que desejam ver o presidente Michel Temer extraído a força da cadeira presidencial não querem que o Congresso Nacional aprove uma lei que impede o presidente de gastar como bem entende. Quando é um petista, isso até faz sentido. Eles já se organizam para voltar ao poder. Agora, pergunte aos black blocs verde-oliva se há algum plano que não viver se humilhando aos comandantes das Forças Armadas? Não, não há. A ação deles tem um fim em si mesma, só serve para falar que são corajosos, destemidos e que estão enfrentando o poder. Do outro lado, o Clube Militar os repudia, os Generais os repudiam, e a população sequer lhes dá atenção. Um amigo disse que em alguns pontos eles até pensam como nós, mas que ainda usam tacape e habitam em cavernas. É diferente da extrema-esquerda, composta por psicopatas e estelionatários da pior espécie. 

É bom aproveitar a ocasião para traçar um paralelo: nós defendemos democracia. Para nos defendermos da eventualidade de um governo totalitário, aspiramos por instituições sólidas e por um governo de poderes limitados baseado em pesos e contrapesos. E acima de tudo, somos homens livres. Tanto que ninguém clama por cabresto. Por isso somos favoráveis à aprovação da PEC 241. Não queremos tiranos com poderes limitados, como a extrema-esquerda. Esses manifestantes estão mais próximos da extrema-esquerda, já que desprezam a democracia (a mesma que os permite falar tantas bobagens). O que sobrou para a Direita foi a traição dos generais, que cassaram Carlos Lacerda, fecharam o Congresso e mancharam para sempre o nosso nome. Também pariram estatais e nomes que mais tarde se aliariam ao governo petista, como José Sarney, Ciro Gomes, Paulo Maluf e Delfim Neto. O tal legado dos militares não passa de entulho. Como afirmou o grande Paulo Eduardo Martins em seu Facebook, 1964 precisa acabar. 

Não, não estamos juntos com eles. O coletivo trotskista “Liberdade e Luta” (a LIBELU) gritava contra os stalinistas do Partidão que “Se estamos todos juntos, contra quem lutamos?”. Isso faz todo o sentido para nós neste particular. Se combatemos PT, PSOL e PCdoB por fazerem da barbárie sua bandeira, que virtude há em imita-los? Vou ainda mais longe: se apontamos o dedo para Venezuela e Cuba denunciando as graves violações aos direitos humanos, que coerência haveria em defender um regime de exceção por aqui? Ou será que alguém acha possível sustentar uma ditadura com flores, bondade e boas intenções?

Reforço mais uma vez: quando um radical de esquerda nos acusar de defender medidas desumanas e autoritárias, é bom lembrar quem é que está ao lado dos que pedem ditaduras. São eles. E que ao contrário deles, nós não comungamos da tese de que vandalismo é arma política. Se você não é um ucraniano acuado por russos e por um governo entreguista que pretende vender seu país a um algoz histórico, não há nenhum motivo para promover invasões. 


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