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O dia de hoje provou que as instituições podem funcionar



O titulo parece um contrassenso, sobretudo depois das manobras golpistas de parlamentares dos mais diversos partidos contra o relatório do deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Como alguém tem a coragem de dizer que as instituições funcionam depois disso? 

É muito simples. Para além do papel legal das instituições, está o papel fiscalizador da sociedade. Para além do equilíbrio dos poderes, está o cidadão. Se só observarmos todas as investidas, em breve estaríamos em uma ditadura ou em uma república de caudilhos. Se por outro lado, tomamos para nós o protagonismo e as rédeas da democracia, frustramos os conchavos e disciplinamos o jogo. 

Vejam a cara de desapontado que fez o presidente da Câmara Rodrigo Maia. Apesar das bravatas e da ameaça de retomar a votação de acordo com o desejo do plenário (e o desejo do plenário nós sabemos qual é), ele não pode deixar de admitir o óbvio: teve que arregar, pois não suportou a pressão vinda das redes sociais. Notem: não estamos falando de ruas lotadas. Apenas de cidadãos enfurecidos pressionando os parlamentares. 

Não é atoa que Carlos Marun (PMDB-MS) havia reclamado da pressão, junto com figuras Maia, Beto Mansur, Agnaldo Ribeiro e tantos outros. Os únicos que pretendiam apoiar o golpe e que não relataram pressão por parte dos eleitores foram Jandira Feghali, Maria do Rosário, José Guimarães... Estes controlam um exército de zumbis. Ali a ordem que prevalece é oposta a democracia. São eles que mandam nos eleitores de acordo com as conveniências da agenda política, e não o contrário. 

Ao longo do dia, alguns conservadores metidos a jacobinos chegaram a elogiar aqueles que na semana passada invadiram o Congresso. Mas quem foi mais efetivo? O mutirão que jogou água no chope dos golpistas hoje ou aqueles que subiram na mesa da Câmara para serem fichados pela Polícia Federal logo depois? O que eles conseguiram após aquele episódio? Quais troféus podem exibir daquela empreitada? 

Nada. Democracia não se faz com tacapes, paus e pedras. Se faz com mobilização, com pressão. Com o voto. Hoje a sociedade fez aqueles covardes colocarem o rabo entre as pernas, recuarem de seu estelionato. Prova de que as instituições ainda funcionam, já que uma das forças por trás dessa engrenagem é a democracia. As instituições por si são apenas prédios. Abandonadas, ficam expostas às intempéries do tempo, à era, ao mofo, à invasores e animais como ratos, baratas, aranhas e cobras. Se não é a manutenção, esses prédios se deterioram em questão de meses. 

Da mesma forma, se não há vigilância por parte da sociedade, aquilo vira apenas uma bolsa de interesses. Durante boa parte da era petista, as coisas funcionavam dessa forma. Quando os vinte do Masp se reuniram, ninguém se importava com coisa alguma. Foi a pouca atenção que permitiu que parte dos mensaleiros saísse ilesa. Foi o que permitiu que o PSDB fizesse um acordão para evitar o impeachment de Lula. Se lembrarmos de 2015, veremos que alguns tucanos tentaram fazer o mesmo. Foi quando as ruas se levantaram. O mesmo pode ser dito agora. Estamos aos poucos aprendendo que políticos são como crianças. Mesmo aqueles com quem simpatizamos devem ser mantidos sob vigilância, para que não aprontem ou façam sujeita. Ronald Reagan afirmou que o governo era como um bebê, cheio de fome de um lado, mas sem nenhum senso de responsabilidade do outro. Pois é. Vamos então exercer nosso papel. Podemos sim, ter instituições decentes. Basta termos o mesmo empenho e senso crítico demonstrados hoje. 

                                                                                                                                          
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