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Negação da política, ameaça fascista e qualidade do voto: as novas narrativas da extrema-esquerda derrotada




Uma das teses adotadas para explicar os recentes resultados do processo democrático no Brasil e no mundo tem sido “a negação da política”. Os seus vocalizadores argumentam que isso pode levar a sociedade rumo ao fascismo, lembrando do fenômeno dos candidatos oriundos de fora do meio político que angariaram vitórias ou popularidade. O número de votos nulos, brancos e as abstenções também seriam indicativos da negação da política. O que é contraditório é que os mesmos costumam criticar a “polarização”, mas essa é outra conversa. Esta tese por si não vale. Por isso inventaram uma tese complementar, ainda que contraditória ao que foi dito acima. 

Correndo os olhos pelo portal Folha de São Paulo de hoje, se lê uma entrevista com Jason Brennan. O professor da Universidade de Georgetown é famoso por sua tese de que só as pessoas bem instruídas deveriam participar do processo democrático. Ele aponta motivos fortes para essa conclusão excludente: posições equivocadas (segundo ele) que obtiveram êxito popular, como o Brexit e a rejeição ao acorde de paz entre o governo colombiano e as Farcs. Para se justificar seu modelo de oligarquia (ou epistocracia, como o próprio batizou), Brennan diz que não quer impor uma ditadura. Quer apenas “melhorar a democracia”. E cita Churchill: “A democracia é a pior de todas as formas de governo, excetuando-se as demais”. O sujeito é bem inteligente, mas já ouvimos muito a tese da “radicalização da democracia” ao longo dos séculos XX e XI. Chega. 

Essa tese elitista é asquerosa, além de representar simplesmente a morte da democracia. Quem seriam os luminares da sociedade que tomariam as decisões? Lembrando o tirano de Siracusa, quem garante que isso traria paz, justiça e prosperidade? Essa pergunta é pertinente quanto temos uma realidade em que a extrema-esquerda busca deslegitimar o voto mundo afora com o argumento de que os ignorantes não conseguem romper seus grilhões. Figuras infames como “o voto do velho provinciano que votou pelo Brexit”, do branco sem diploma universitário que prefere Trump ou do pobre de direita que elegeu Doria e Crivella são as novas exódias de quem é derrotado pela maioria da população. 

Em dado momento, o jornalista menciona a rejeição popular contra a PEC 241. Brennan acolhe a informação como exemplo de sua própria tese. Mas veja bem: de acordo com pesquisa Ibope, a população apoia a PEC. Isso foi expresso também nas urnas. E quando a Folha fala de rejeição, fala daqueles militantes fascistas que queimam carros e invadem escolas. Não é o “povo”. 

Colocando em pratos limpos, não há nenhuma rejeição da política ou dos políticos, como pontuou o amigo Leandro Cardim. O que há é a rejeição da política deles, os rejeitados no processo democrático são os políticos deles. Dito isso, a ameaça fascista deve sim ser entendida como real. Ela se traduz na insistência dos setores derrotados em estabelecerem uma elite dirigente que guiará a sociedade rumo ao amanhecer dourado. E isso fica claro nas falas de quem critica a qualidade do voto. 

Uma democracia composta de poucos, por obvio, deixará de ser democracia. Pode ser uma ditadura, uma teocracia, uma oligarquia, uma aristocracia, mas nunca uma democracia. Só quem poderia sugerir algo assim são as mentes inferiores que nutrem paixões totalitárias. Por que deve ser frustrante ver planos de poder barrados por gente ingênua que só quer ter uma vida digna elegendo o governo que menos irá atrapalhar a sua vida. 

Essa gente que questiona o resultado dos votos citando a negação da política fala das abstenções como indicativo de falência do sistema apenas para disfarçar. O que eles menos apreciam é a escolha do homem comum, já que se julgam de fato pertencentes a uma casta superior. O que desejam é o controle total. O argumento do professor Brennan, por exemplo, é deplorável. Para não dizer monstruoso. Quando ele cita o grande Winston Churchill para justificar seu fetiche autoritário, ele omite o fato de que Portugal foi governado por um acadêmico durante boa parte do tempo. Seu nome era Antônio de Oliveira Salazar, e ele mergulhou o país no atraso, isolamento e fascismo. É sabido que as nossas esquerdas preferem falar para a elite justamente por reduzirem o número de eventuais sócios nessa sociedade iluminada. O que pode sair daí é uma versão ainda pior de Elysium. 

Sabemos que essas teses vêm sido veiculadas sobretudo no Brasil por aqueles mesmos partidários do plano criminoso de poder do Partido dos Trabalhadores do daquele apêndice inflamado que comunga Socialismo e Liberdade. E por isso mesmo devemos rejeitar, já que vem das mesmas mentes sombrias que idealizam a carnificina. Considerando que socialismo é barbárie, o melhor é ficar com Churchill (o original, não aquele deturpado por Jason Brennan. A democracia é a pior forma de governo, mas supera de longe qualquer receita sebastianista vinda de quem se vê como superior. 

                                                                                                                                          
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