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Acredite: a imprensa está chamando Trump de farsante por ele ter sido gentil e pacificador




De fato, é até ridículo alguém ter que escrever sobre isso. Ocorre que vivemos um período diferente da história. Aqueles que só vencem por meio de golpes estão desesperados, e colocaram suas tropas na rua. O novo golpe aplicado na praça é de que Trump é um mentiroso. Os indícios? Ele não ameaçou Hillary ou ofendeu Obama após a confirmação da vitória. Em resumo, estes analistas estão acusando Trump de não agir exatamente como o homem das cavernas que seria mais danoso ao mundo que a criminosa sociopata Hillary Clinton. 

Quem lê o Reacionário sabe que sempre apontamos as incoerências de Trump, tanto na forma quanto no conteúdo. Mas se há uma qualidade, é que ao menos ele tem consciência de que agora não é mais um showman. Ele é presidente dos Estados Unidos da América. Presidente, não autocrata ou déspota. Ele não pode fazer como Kim Jong Um, mandando fuzilar desafetos ou baixando decretos unilaterais. Ele foi conduzido pelo voto do colégio eleitoral para exercer um cargo em uma democracia. Se ele foi respeitoso com o atual presidente Barack Obama quando visitou sua futura residência e local e trabalho, se foi cortês com a adversária derrotada ou se declarou que será o presidente de todos os americanos, ele não fez mais do que a obrigação. A corrida presidencial não é uma caçada, e uma disputa democrática não é uma presa abatida para que se pise em cima para uma foto. 

O chamamento ao diálogo serve para pacificar o país. É evidente que aqueles radicais que apoiaram Hillary Clinton não se darão por vencidos, como mostram as violentas manifestações e registros de agressões e vandalismo por parte dos partidários da extrema-esquerda americana. Mas aqueles que não são radicais, ou mesmo os que nem foram para as urnas escolherem um dos quatro concorrentes, estes merecem alguns recibos de qualidade. 

Sendo assim, é necessário desmascarar essa fraude intelectual repetida à exaustão pelos partidários de quem foi derrotado no colégio eleitoral. Como a eleição agora é um fato, tentam desqualificar o eleitor depois de terem falhado na desconstrução do eleito. Como Trump mostra que sabe manter uma conversa formal com um desafeto como Obama, partem para o arreganhado embuste de dizer que ele mentiu aos americanos, que interpretou um personagem nos últimos meses. Ontem mesmo, uma das notas do Antagonista chamava Trump de "farsante".

Este é um ardil psicológico da pior espécie. Tentam frustrar os anseios do eleitor e dos simpatizantes de Trump, para que ele chegue já desgastado na Casa Branca. Ao eleitor, dizem exatamente com essas palavras: “Você é um lixo, um merda. Suas ideias são chorume, e não há quem o represente. Mesmo este em quem você votou, será absorvido pelo sistema. Mesmo tento vencido a mídia mainstream, Wall Street e George Soros, os métodos alinskyanos do partido Democrata apenas com suas convicções, vocês são derrotados”. Mais uma vez voltamos a figura do vilão que no clímax da saga cria uma miragem para dizer ao herói que “resistir é inútil”, que “você não tem chances”. Como se a extrema-esquerda fosse a entidade demoníaca do filme Fallen (1998, com Denzel Washington). A criatura era invencível por ter a capacidade de possuir corpos e se mover pelos ares. Acreditem, eles só se equivalem no desprezo pela humanidade.

Esse engodo também foi muito repetido aqui durante as primeiras semanas após a eleição de João Doria no primeiro turno das eleições. O feito inédito, somado ao fato de que as ideias de Doria são aquelas que a extrema-esquerda sempre afirma que “jamais seriam aprovadas nas urnas”, só aumentou a humilhação de quem defendia o plano criminoso de poder. A estratégia foi criar a percepção de que Doria cederia aos anseios dos derrotados. Essa operação começou logo na primeira semana. Jornalistas militantes do Estadão, do Huffington Post, Veja by André Petry e do consórcio golpista Folha/UOL logo tratarem de destacar algumas falas de Doria como provas de que ele havia abandonado as propostas de campanha. Quem leu as notícias se lembra: cada manchete era acompanhada da expressão (ao contrário do que foi prometido nas eleições ou “ao contrário do que estava em seu programa de governo”. Enquanto eleitores e simpatizantes lamentavam, os derrotados ironizavam. Supostamente, estavam vencendo mesmo após aquela surra. 

Quem se lembra das duas posses de Barack Obama sabe que ele não foi criticado por elogiar seus adversários republicanos John McCain e Mitt Romney. Pelo contrário. Quando o atual queridinho da extrema-esquerda soft Justin Trudeau afirmou que o antecessor Stephen Harper era um grande homem e que seu legado ao país como primeiro-ministro deveria ser relembrado, não foi atacado com o rótulo de farsante por ter elogiado um conservador. Quem fizer o esforço de se recordar de Lula, lembrará que mesmo ele soube fazer concessões ao antecessor FHC. Ali, Lula era o estadista. O mesmo não vale para Trump: qualquer gesto de estadista é visto como capitulação ou traição ao povo. É bom lembrar que essa gente ventila essas coisas esperando justamente o urro dos histéricos. Olhem nas redes sociais, para ver se cada palavra de Doria mais polida com o antecessor petista já não é tratada pelos conservadores boçais como sinal de lesa pátria. E sim, esses conservadores abundam por aqui. Decerto, também existem por lá. 

A possibilidade de Trump trair existe, mas nem de longe é o que está sendo desenhado por gente como Reinaldo Azevedo, Caio Blinder, O Antagonista (O Situacionista nos Estados Unidos, como disse o Guilherme Macalossi), CNN e congêneres. Trump está agindo de acordo com o que se espera de um presidente da República. Só o simples fato desses mesmos terem dito que ele perderia feio já seria o suficiente para desqualificar essa versão. Somado ao fato que culpam Trump por não se comportar como o troglodita que eles previram, já mostra a canalhice da análise. Para ficar claro: se Trump não é a besta que subiu do mar para trazer o apocalipse, quem mentiu foi a imprensa que deixou de fazer jornalismo para fazer torcida.  

*Os posts sobre as eleições americanas estão se repetindo mais do que o habitual com temas em pauta. Espero que poder tratar de outros assuntos, mas o ritmo em que os derrotados se agitam toda tudo mais frenético. Pensando bem, talvez isso ocorra justamente por ser a maior das derrotas da extrema-esquerda em um ano completamente desfavorável. Creio que em 2016 eles apanharam mais do que nas últimas duas décadas.



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