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A morte de Fidel impõe uma decisão moral aos movimentos de rua aqui no Brasil



São duas questões aparentemente desconexas, mas a morte de Fidel Castro acaba por influenciar nas escolhas dos movimentos de rua aqui no Brasil. Por uma questão muito simples. Nos últimos dias, houve uma convergência acidental entre alas da extrema-esquerda ligadas, sobretudo ao PSOL e Rede com Movimento Brasil Livre e Vem Pra Rua. As mensagens de Jean Wyllys e Jair Bolsonaro pedindo apoio para a mesma campanha mostra que houve ali uma convergência momentânea. Aqui no Reacionário, escrevi que não deveríamos cair neste conto do vigário. E isso se reforça agora. 

Ocorre que começou a se ouvir nas redes um canto da sereia, fomentado por embusteiros e encapado por ingênuos. Para eles, deveríamos todos nos unir: não importa se você é de extrema-esquerda, de centro ou liberal, se foi ou não favorável ao impeachment. O Quebrando o Tabu compartilhou um evento do Vem Pra Rua sobre a manifestação marcada pelos principais movimentos para o dia 04 de dezembro, enquanto o próprio Vem Pra Rua fala de convergência entre as diversas correntes ideológicas. Na Direita, já há quem peça o Fora Temer. Cuidado. 

Antes de tudo, essa convergência é falsa. Não há nada que nos una a eles. Se por ventura alguém da Direita cogita pedir a saída de Michel Temer, isso se dá por indignação com a corrupção. Diferente deles, que querem apenas saciar uma vingança. Nós não nos conformamos com os vários equívocos do governo Temer. Eles, por outro lado, são os que fazem uso da indignação seletiva. Nós criticamos um presidente em quem não votamos, mas o fazemos de acordo com valores democráticos. Diferente deles, que criticam Temer serem autoritários. 

Há muito para acontecer ainda, e pode ser que a Direita de fato abrace esta pauta. Mas ela não deve de maneira alguma convergir com a esquerda, ou ser amistosa com ela. Nada de atos conjuntos ou o que quer que seja. Hoje a esquerda não mobiliza ninguém. Foi humilhada nas ruas, surrada nas urnas e exposta ao ridículo com aqueles atos micados de apoio ao ex-presidente Lula (houve um ato em Angra dos Reis que não reuniu nem cem pessoas). Eles tentaram derrubar Temer desde o primeiro dia e não conseguiram, e agora usam um momento de crise para pedir nossa ajuda para fazer aquilo que eles próprios não têm capacidade. Fora a questão da narrativa: dirão depois que “a sociedade repudiou o golpe após terem se desiludido com os que derrubaram a presidenta”. 

Não para por aí. Eles apoiaram um governo corrupto e autoritário, e por muito tempo tripudiaram dos demais cidadãos. Nos chamaram de fascistas, nos ofenderam, fizeram pouco de nossos companheiros de luta. Ridicularizaram nossa militância, ironizaram nossos esforços, tentaram até sugerir que estávamos sendo pagos para conduzir aquele processo (coisa que é comum entre eles). Como não deu certo, passaram a fazer o discurso terrorista do medo, do ódio, da fraude e da divisão. Foram derrotados pela história. Agora querem união? De maneira alguma. Não temos que ter nenhuma comunhão com essa gente. 

Isso para não falar do aspecto da morte de Fidel, que mencionei no começo do texto. O que isso tem a ver com nossa luta? É simples: não temos que marchar ao lado de quem pede ditadura. E é o que eles fazem, quando idealizam aquele modelo de exceção e violação dos direitos humanos como modelo de sociedade. Se eles elogiam Fidel, significa que todo o esforço de sua mobilização tem como objetivo conduzir ao poder uma agenda semelhante aquela do defunto tirano. Quando saímos às ruas em 2015 e 2016, foi para que o Brasil não se tornasse uma Cuba continental. Não é razoável agora dar às mãos para quem sempre sonhou com isso. 

Até porque, a direita foi quase unanime ao condenar aqueles patetas que invadiram o Congresso para pedir Intervenção Militar. Seriamos as piores pessoas do mundo se depois de ter condenado com tanta veemência aquela senhora que confundiu a bandeira do Japão com um símbolo comunista, para depois ir às ruas com quem hoje está lamentando a morte de um carniceiro. Isso não pode acontecer. Se a extrema-esquerda quer protestar pelos mesmos motivos que nós, eles são livres. Mas que façam sua própria campanha, e que saiam em dias separados. Eles são leprosos morais, o que nos obriga a manter a maior distância possível sob o risco de nos sujarmos de maneira irreversível.

                                                                                                                                          
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