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A história está sendo implacável com os vassalos do petismo



Ontem prenderam Anthony Garotinho, hoje prenderam Sérgio Cabral. Cada um a seu modo representa uma das facetas da nossa classe política, uma elite corrupta e mesquinha que serviu como base para a ascensão do lulopetismo. Garotinho é político trambiqueiro e populista, daquele disposto a qualquer jogo. Começou militando no PT e na Juventude de Esquerda ao mesmo tempo em que acenava para os conservadores evangélicos e para as comunidades carentes. Foi preso por usar programas sociais para a compra de votos. Mesmo preso, seu blog quis tirar sarro do infortúnio de Sérgio Cabral, da mesma forma com que haviam festejado a prisão de Eduardo Cunha. 

Faz sentido. Sérgio Cabral já representava uma outra vertente política. Era o alto clero, chegado às altas rodas. Enquanto Garotinho insistia no discurso tosco do político que alimenta os pobres, Cabral contava com o prestígio das elites e da grande imprensa. Era o amigo de diplomatas, de artistas e empresários. Foi da militância na extrema-esquerda na UBES para o PMDB com desenvoltura, pregando aquele pragmatismo responsável que durante anos serviu de fachada para os grandes golpistas. Aliado de Lula, despertou inveja no clã Garotinho justamente por ter a oportunidade de aplicar golpes maiores e mais sofisticados. Enquanto a imprensa ataca os Garotinho por sua aparência tosca e cafona, Cabral era celebrado como grande gestor. Cunha não era tão celebrado pela mídia, mas estava em um patamar superior ao dos Garotinho. Era assim que se organizava a classe política no Rio de Janeiro pré-2016. Foi mesmo irônico ver Rosinha Garotinho afirmar que seu marido foi preso por zelar pelos pobres e não por roubar na Lava Jato, como Cabral. Não participou da Lava Jato porque não foi convidado, é claro. 

A inveja que os Garotinho tinham do PMDB do Rio só pode ser comparada ao que Lorde Walter Frey sentia pelos Tully e Stark. Tanto no Rio de Janeiro como em Game of Thrones, havia um grupo político golpista no poder, que fez acordos com casas menores. A diferença entre eles é que enquanto o PMDB do Rio negociava ministérios e presidências de estatais, aos Garotinho só sobravam migalhas: repasses de verbas e cargos no segundo e terceiro escalão. Mas poucos, algo proporcional a mediocridade dessa família de bandoleiros. 

Não deixa de ser curioso ver que todos foram arrasados pela Justiça. Temos que celebrar o curso da história, já que foram eles que pavimentaram a estrada para que o petismo perdurasse por tanto tempo. Graças a esses arremedos de seres humanos, o Rio de Janeiro virou o que é hoje. Graças a esses renegados, o Brasil vive uma das maiores crises de sua história. O Brasil teve muita sorte de ver as coisas tomando esses rumos. Garotinho teve a sorte de ser governador do estado e fazer sua mulher sucessora. Mas queria um dia ser Cabral. Já Cabral tinha ascendência em ministérios, sendo cogitado até como eventual sucessor de Dilma Rousseff por jornalistas lacaios do plano criminoso de poder. Essa história é mesmo surpreendente: não é sempre que vemos o ovo da serpente apodrecendo no ninho.


                                                                                                                                          
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